O Banco Digimais, instituição financeira ligada ao grupo do empresário e líder religioso Edir Macedo, passou a enfrentar forte pressão após auditorias independentes levantarem dúvidas sobre cerca de R$ 3 bilhões aplicados em fundos de investimento utilizados pelo banco em suas demonstrações financeiras.
Os questionamentos surgiram após documentos analisados pelo mercado apontarem uma valorização considerada incomum em parte dos ativos vinculados à instituição. Segundo reportagens publicadas nesta semana, alguns fundos registraram alta de até 178% em poucos meses, gerando impacto bilionário nos resultados do banco.
A situação colocou o Digimais no radar do mercado financeiro em um momento de maior sensibilidade do setor bancário brasileiro após sucessivos episódios envolvendo questionamentos contábeis, qualidade de ativos e transparência financeira em grandes operações privadas.
O que chamou atenção dos auditores
Entre os principais pontos destacados nos documentos e análises divulgadas estão:
- valorização acelerada de determinados fundos em curto espaço de tempo;
- dificuldade de auditoria para validar integralmente parte dos ativos;
- operações envolvendo empresas relacionadas ao próprio grupo controlador;
- utilização de fundos para absorver carteiras inadimplentes;
- ausência de documentação considerada suficiente para validar bilhões em aplicações.
Segundo os balanços analisados, o banco teria investido aproximadamente R$ 357,6 milhões em fundos no segundo semestre de 2025. Poucos meses depois, esses ativos passaram a valer cerca de R$ 997,5 milhões, gerando impacto positivo próximo de R$ 640 milhões no resultado contábil da instituição.
Auditores independentes afirmaram que não conseguiram obter evidências suficientes para validar integralmente determinados ativos e transações relacionadas aos fundos utilizados pelo banco. Parte relevante das aplicações estaria vinculada a créditos estruturados e direitos creditórios considerados de difícil precificação pelo mercado.
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Agências de rating passaram a elevar pressão sobre o banco
Além da auditoria, agências de classificação de risco também começaram a demonstrar preocupação crescente com a situação financeira da instituição.
A Fitch Ratings rebaixou o rating nacional de longo prazo do Digimais para “BB+(bra)” e colocou a instituição em observação negativa, citando incertezas sobre o modelo de negócios, volatilidade financeira e mudanças internas de governança.
Segundo a agência, o banco atravessa uma fase de reestruturação estratégica após mudanças no comando executivo e reformulação do conselho de administração.
Relatórios de mercado também apontaram preocupação com:
- deterioração da qualidade dos ativos;
- aumento da inadimplência;
- dependência elevada de captação via CDBs;
- margem reduzida de capital regulatório;
- necessidade recorrente de reforço financeiro do controlador.
A Moody’s Local também teria identificado nível elevado de ativos problemáticos e risco adicional relacionado a créditos renegociados e carteiras consideradas mais sensíveis.
Operações entre partes relacionadas ampliam dúvidas
Outro ponto que aumentou a atenção do mercado envolve operações realizadas entre o banco e empresas ligadas ao mesmo grupo econômico controlador.
Auditores apontaram que determinadas transações podem não refletir condições usuais de mercado, especialmente em operações envolvendo fundos de direitos creditórios e créditos judiciais.
Especialistas ouvidos pelas reportagens também mencionaram preocupação com operações utilizadas para retirar carteiras inadimplentes do balanço oficial do banco por meio de fundos vinculados à própria estrutura financeira da instituição — prática informalmente conhecida no mercado como operação “Zé com Zé”.
Embora o mecanismo possa existir dentro de estruturas legais específicas, críticos afirmam que esse tipo de operação pode dificultar a leitura real da inadimplência e da qualidade dos ativos financeiros de uma instituição.
BTG Pactual entra nas negociações e mercado vê possível operação de resgate
Nos bastidores do sistema financeiro, outro movimento passou a chamar atenção do mercado: a entrada do BTG Pactual nas negociações envolvendo o Banco Digimais.
Em abril, o BTG confirmou ao mercado a assinatura de documentos vinculantes para aquisição do controle do Digimais, em uma operação que ainda depende de processo competitivo, aprovação regulatória e estruturação financeira.
Segundo informações a transação vem sendo tratada por parte do mercado como uma possível operação de estabilização ou “resgate privado” da instituição, diante do cenário de deterioração financeira, pressão reputacional e questionamentos sobre ativos do banco.
A Folha de S.Paulo informou que as negociações envolveriam inclusive discussões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que poderia participar do financiamento da operação para viabilizar a transferência de controle do Digimais.
O modelo lembra operações anteriores do sistema financeiro brasileiro em que instituições maiores absorveram bancos fragilizados para evitar riscos mais amplos de contaminação no mercado.

Analistas avaliam que a entrada do BTG pode ter múltiplos objetivos:
- evitar deterioração adicional da confiança no banco;
- preservar operações e base de clientes;
- impedir agravamento da crise de liquidez;
- reorganizar ativos considerados problemáticos;
- e reduzir impactos no mercado de crédito privado.
Relatórios de mercado também apontam que o Digimais vinha enfrentando dificuldades crescentes para manter captação, atrair investidores e concluir tentativas anteriores de venda após sucessivos questionamentos sobre governança e qualidade de ativos.
Embora o BTG não tenha tratado oficialmente a operação como um “socorro financeiro”, parte do mercado passou a enxergar a negociação como uma tentativa de estabilizar uma instituição que já vinha sob forte pressão após rebaixamentos de rating, auditorias problemáticas e aumento da desconfiança sobre seus balanços.
Mercado financeiro acompanha evolução do caso
O caso ocorre em meio ao aumento da pressão regulatória e da atenção do mercado sobre estruturas financeiras complexas utilizadas por bancos médios e instituições privadas.
Nos bastidores do setor financeiro, episódios recentes envolvendo ativos de difícil liquidez e questionamentos contábeis passaram a elevar a cautela de investidores, credores e auditorias independentes em relação à transparência de determinados balanços.
Analistas avaliam que casos desse tipo podem ampliar a pressão por regras mais rígidas de divulgação, precificação de ativos e fiscalização sobre operações estruturadas entre empresas relacionadas.
Por que a auditoria questionou os fundos do Digimais?
Os auditores apontaram dificuldade para validar documentos ligados a cerca de R$ 3 bilhões em fundos utilizados pelo banco. Também chamaram atenção:
- valorização acelerada de ativos;
- operações entre empresas relacionadas;
- fundos usados para absorver carteiras inadimplentes;
- falta de documentação considerada suficiente.
Mercado vê paralelos com crise do Banco Master
Embora o Banco Digimais não esteja na mesma situação do Banco Master, parte do mercado financeiro passou a enxergar semelhanças entre os dois casos após os questionamentos envolvendo auditoria, ativos estruturados e pressão sobre a transparência dos balanços.
Depois:
- modelos financeiros complexos;
- ativos de difícil precificação;
- dependência de captação;
- pressão de agências de rating;
- operações estruturadas.

Existe risco de quebra?
Especialistas avaliam que o Digimais enfrenta atualmente um cenário de forte pressão reputacional, financeira e regulatória, embora ainda não exista indicação pública de liquidação iminente ou intervenção do Banco Central.
confiança do mercado;
- liquidez;
- captação;
- necessidade de capital;
- apoio do controlador.
O que diz o Banco Digimais
Até o momento, não há condenação judicial nem acusação formal definitiva envolvendo o Banco Digimais relacionada às operações citadas nas reportagens.
Em posicionamento enviado à imprensa, a instituição afirmou que suas operações seguem práticas consideradas regulares pelo mercado financeiro e que as ressalvas apontadas pelos auditores decorreriam principalmente de diferenças de prazo entre os balanços dos fundos e os demonstrativos do próprio banco.
O banco também sustenta que os ativos possuem lastro econômico e que os fundos seguem estrutura compatível com operações financeiras utilizadas no mercado brasileiro.



