PF aponta suspeita de comissão de R$ 22 milhões em aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master

Investigação da PF cita operador ligado ao governo do Rio e aceleração incomum de investimentos no conglomerado de Daniel Vorcaro; volume sob análise já se aproxima de R$ 3,7 bilhões

A investigação sobre o colapso do Banco Master ganhou um novo eixo de pressão política e criminal após a Polícia Federal identificar indícios de pagamento de comissão a um operador que teria atuado para aproximar o conglomerado de Daniel Vorcaro do Rioprevidência.

Segundo informações reveladas a partir de decisão do ministro André Mendonça, do STF, investigadores apontam o pagamento de cerca de 0,6% sobre operações envolvendo aportes bilionários do fundo previdenciário fluminense — percentual que teria alcançado aproximadamente R$ 22 milhões.

O nome citado na apuração é o de Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado pela PF como articulador da relação entre integrantes do governo do Rio de Janeiro e o grupo de Daniel Vorcaro. De acordo com a investigação, ele teria ajudado a destravar internamente operações no Rioprevidência que abriram espaço para aplicações massivas em produtos ligados ao Master.

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A velocidade dos aportes virou peça central da investigação

Um dos pontos que mais chamou atenção dos investigadores foi a rapidez incomum do credenciamento do Banco Master dentro do Rioprevidência.

Segundo a PF, o banco recebeu autorização para operar no fundo apenas 15 dias após solicitar o credenciamento. Pouco depois, ocorreu o primeiro aporte de R$ 100 milhões — sem consulta prévia ao comitê de investimentos, que só se reuniu posteriormente.

Entre novembro de 2023 e julho de 2024, o Rioprevidência direcionou aproximadamente R$ 970 milhões para letras financeiras do Master. Posteriormente, os investimentos avançaram para fundos estruturados ligados ao grupo econômico de Vorcaro.

A PF calcula que o volume total investigado possa alcançar cerca de R$ 3,69 bilhões.

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O que preocupa tecnicamente no caso

O caso chama atenção do mercado porque envolve um dos pontos mais sensíveis do sistema financeiro brasileiro: o uso de recursos previdenciários públicos em ativos de maior risco.

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As letras financeiras adquiridas pelo Rioprevidência:

  • não possuíam cobertura do FGC;
  • carregavam risco elevado de crédito;
  • dependiam diretamente da liquidez do próprio banco emissor.

Especialistas e órgãos de controle já vinham levantando alertas antes mesmo da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, ocorrida em novembro de 2025.

Relatórios do TCE-RJ mencionaram:

  • falhas de governança;
  • ausência de análises aprofundadas de risco;
  • concentração elevada;
  • justificativas consideradas frágeis para os aportes.

A mudança para fundos estruturados ampliou o alerta

Outro ponto central da investigação envolve a migração das operações para fundos estruturados após mudanças regulatórias e limitações impostas pelo Banco Central.

Segundo a PF, esses veículos passaram a ser utilizados para continuar canalizando recursos ao grupo econômico ligado ao Master mesmo em meio ao agravamento da crise de liquidez da instituição.

A investigação sustenta que os novos aportes ocorreram justamente depois de entraves regulatórios envolvendo outros instrumentos financeiros do banco.

Para o mercado, esse ponto é particularmente delicado porque expõe:

  • fragilidade de compliance em fundos públicos;
  • dependência de articulação política;
  • uso de estruturas financeiras complexas;
  • dificuldade de fiscalização em operações previdenciárias.

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Relação política também entrou no radar

A decisão de André Mendonça menciona que a relação entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro teria ultrapassado o mero contato institucional.

Segundo a PF, há indícios de:

  • viagens custeadas;
  • articulações políticas;
  • influência sobre nomeações;
  • aprovação acelerada de investimentos;
  • desconsideração de pareceres técnicos internos.

Os investigadores também analisam o sincronismo entre encontros políticos, mudanças internas no Rioprevidência e liberações de aportes.

Até o momento:

  • não há condenações;
  • os investigados negam irregularidades;
  • o Rioprevidência afirma que os recursos estão judicialmente protegidos;
  • as investigações seguem em andamento.

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banco master, VORCARO e celular com documento do tcu e mensagem
Vorcaro Banco Master. Imagem: Montagem Investidores Brasil

O que o mercado passou a enxergar após o colapso do Master

O caso deixou de ser apenas uma crise de um banco médio agressivo em captação.

Hoje, o mercado financeiro observa o episódio como um possível retrato de:

  • fragilidade estrutural de governança em fundos previdenciários públicos;
  • risco político na alocação de recursos;
  • concentração excessiva em ativos ilíquidos;
  • dependência de relações institucionais para sustentação de funding.

O episódio também ampliou a pressão sobre:

  • fundos de pensão;
  • RPPS estaduais;
  • bancos médios dependentes de captação institucional;
  • órgãos reguladores e tribunais de contas.

Se as suspeitas forem confirmadas, o caso pode se transformar em um dos maiores escândalos recentes envolvendo previdência pública, governança financeira e influência política sobre recursos de aposentadorias no Brasil.

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Apresentadora de podcast e redatora. Especialista em finanças pela PUC Minas
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