Escândalo do INSS alcança o núcleo do Planalto: PF rastreia pagamentos de lobista ligada ao Careca do INSS para Marcola, enquanto chefe de gabinete de Lula

Investigação revela transferências financeiras de empresária apontada como integrante da rede do “Careca do INSS” para Marco Aurélio Santana Ribeiro, que até julho chefiava o gabinete pessoal do presidente; ex-assessor afirma que valores se referem a um empréstimo

Até onde chega a rede de relacionamentos investigada no maior escândalo recente do “roubos dos beneficiários do INSS”? A Polícia Federal acaba de encontrar um novo elo que aproxima a investigação do núcleo do poder em Brasília, que envolve Marcola e Lula. Dados analisados pelos investigadores mostram que Roberta Luchsinger, melhor amiga de Lulinha e esposa — empresária apontada como integrante da rede de influência de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” — realizou transferências financeiras para Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que até poucas semanas antes do escândalo, ocupava um dos cargos mais estratégicos do Palácio do Planalto como chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-assessor confirma os pagamentos e afirma que se tratavam de empréstimos pessoais. A Polícia Federal, porém, busca esclarecer a origem dos recursos, a finalidade das operações e se existe qualquer conexão entre essas movimentações e a investigação que apura um esquema bilionário de descontos ilegais sobre benefícios de aposentados e pensionistas.

Resumo executivo

  • Polícia Federal identificou transferências financeiras de Roberta Luchsinger para Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
  • Roberta é investigada por sua relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador central do esquema de fraudes contra aposentados.
  • O ex-assessor confirmou o recebimento dos valores e afirmou que se tratava de um empréstimo pessoal.
  • A PF analisa a origem, a finalidade e a documentação das operações financeiras.
  • Até o momento, não há acusação formal de que os pagamentos constituam crime, e a investigação permanece em andamento.

O escândalo do INSS chega mais perto do Palácio do Planalto com Marcola e Lula

A investigação sobre as fraudes bilionárias em descontos associativos ilegais aplicados contra aposentados e pensionistas do INSS ganhou um novo componente político.

Dados analisados pela Polícia Federal apontam que a empresária Roberta Luchsinger realizou transferências financeiras para Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que até julho ocupava um dos cargos de maior confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a chefia de seu gabinete pessoal.

A revelação amplia o alcance das investigações porque Roberta figura entre os nomes investigados por sua proximidade com Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, considerado pela Polícia Federal um dos principais operadores do esquema que movimentou e “roubou” bilhões de reais por meio de descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Segundo o Metrópole, Marcola repassava para a lobista códigos de barra para que ela fizesse os pagamentos de contas em nome dele, o que não deixa rastro. Essa relação entre os dois perdurou por todo o ano de 2025. A Polícia Federal identificou os repasses a partir de conversas capturadas no celular de Luchsinger. Ela também paga pelo aluguel de uma mansão de luxo no Lago Sul de Brasília, na QI 26, que é usada pelo filho do presidente da República quando está em Brasília.

Embora a existência das transferências tenha sido confirmada, ainda não há conclusão oficial de que elas representem qualquer irregularidade. O foco da PF é esclarecer a natureza das operações, a origem dos recursos e se existe relação entre os pagamentos e os fatos investigados na Operação Sem Desconto.

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O que a Polícia Federal descobriu

Segundo informações da PF os investigadores identificaram movimentações financeiras entre Roberta Luchsinger, amiga de Lulina e Marco Aurélio Santana Ribeiro durante a análise dos fluxos bancários de pessoas ligadas ao inquérito.

As transações passaram a integrar o conjunto de diligências porque Roberta já era monitorada pela PF em razão de sua atuação empresarial e de seus vínculos com pessoas investigadas no esquema do INSS.

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Em investigações financeiras, operações desse tipo normalmente são analisadas para responder perguntas fundamentais:

  • qual a origem dos recursos;
  • qual a justificativa econômica da operação;
  • se existe contrato formal;
  • se houve devolução dos valores;
  • se as movimentações são compatíveis com a renda declarada das partes;
  • e se possuem qualquer relação com fatos investigados.

Até o momento, nenhuma conclusão definitiva foi divulgada pelas autoridades.

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Ex-chefe de gabinete confirma os pagamentos

Após a divulgação das informações, Marco Aurélio Santana Ribeiro confirmou ter recebido dinheiro de Roberta Luchsinger que tem tatuagem igual e em homenagem a esposa de Lulinha de “BBF”, da tradução do inglês melhores amigas para sempre.

Segundo a versão de Marcola, tratava-se de um empréstimo pessoal. Atualmente Marcola é coordenador da campanha a reeleição de Lula.

A empresária e lobista Roberta Luchsinger fez pagamentos para Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que de janeiro de 2023 até 21 de julho foi o chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os valores repassados por Roberta foram na casa das dezenas de milhares de reais, mas ainda não são inteiramente conhecidos nem a razão pela qual eram realizados –os dados completos estão com a Polícia Federal. Essa história passou a circular em Brasília há cerca de duas semanas, logo depois de Lula dispensar Marcola do Planalto.

Roberta Luchsinger, por meio de seu advogado, disse desconhecer o assunto e que pretende responder só nos autos do processo em que é citada. Depois da publicação da reportagem, Marcola confirmou as transferências e disse se tratar de um “empréstimo pessoal”.

Não foi possível apurar os valores exatos dos pagamentos feitos por Roberta a Marcola e com que frequência eram feitos. O Poder ouviu que os valores eram na casa dos R$ 80.000, mas essa informação não pode ser confirmada. O ex-assessor de Lula era uma pessoa de total confiança do petista. Acompanha Lula há anos e tinha responsabilidade de fazer a agenda de compromissos do presidente. Também era a pessoa comissionada para ficar com um telefone celular para atender as chamadas que chegavam para o chefe.

Esses elementos permanecem sob análise da Polícia Federal.

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Quem é o “Careca do INSS”

Antônio Carlos Camilo Antunes tornou-se uma das figuras centrais da Operação Sem Desconto.

Conhecido como “Careca do INSS”, ele é apontado pelos investigadores como um operador responsável por conectar entidades associativas, empresas e intermediários envolvidos no esquema de descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões.

Segundo as investigações, milhões de beneficiários tiveram mensalidades descontadas sem autorização ou mediante adesões consideradas irregulares.

A apuração já resultou em prisões, bloqueios de bens, quebras de sigilo bancário e fiscal, além da abertura de diversas frentes paralelas de investigação. o Careca do INSS, que está preso desde 12 de setembro de 2025.

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Quem é Roberta Luchsinger

Roberta Luchsinger aparece na investigação como empresária e lobista com relações comerciais e pessoais com integrantes do grupo investigado pela Polícia Federal.

Seu nome já havia surgido em outras apurações envolvendo empresários e pessoas próximas ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Roberta é segundo suas redes sociais “melhor amiga de Lulinha e esposa”.

No caso específico da Operação Sem Desconto, a PF busca compreender qual era seu papel na estrutura financeira investigada e quais relações comerciais mantinha com operadores do esquema.

Roberta também é amiga próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. No início do inquérito sobre as fraudes no INSS, em abril de 2025, Lulinha e Roberta foram citados como possíveis participantes do esquema –o que ambos negam. Lulinha é alvo de 3 inquéritos, inclusive um em que é investigado pela Polícia Federal por tráfico de influência. O Poder revelou em 4 de dezembro de 2025 que Lulinha é suspeito de ter recebido uma mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS.

Em maio de 2026, Roberta deu uma entrevista e disse ter apresentado Lulinha ao Careca do INSS. Disse que se tratou de um gesto de “boa educação” e negou ter intermediado negócios entre eles: “Jamais apresentei os 2 com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais”.

Ao longo das investigações, a PF já identificou ao menos 6 viagens realizadas por Roberta e por Lulinha em que as reservas de ambos foram registradas sob o mesmo código localizador das passagens de avião. Os 2 foram para Portugal em junho de 2024 e percorreram outros 5 trechos nacionais, aqui no Brasil, de abril a junho de 2025. As viagens são consideradas pela PF como indícios da relação de amizade entre Roberta e Lulinha.

Até o momento, ela nega qualquer irregularidade.

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Por que essa revelação aumenta a pressão política

A principal novidade não está apenas nas transferências financeiras.

O aspecto mais relevante é que uma pessoa investigada por sua ligação com o núcleo empresarial do escândalo do INSS aparece realizando pagamentos para alguém que, até recentemente, integrava o círculo mais próximo da Presidência da República.

Isso não significa, por si só, que exista participação do ex-assessor em qualquer irregularidade.

Mas amplia naturalmente o interesse dos investigadores sobre a natureza das operações financeiras e tende a intensificar a pressão política sobre o governo, principalmente diante da dimensão já alcançada pela Operação Sem Desconto.

O fato foi tema de conversa de bastidores entre integrantes da cúpula do PT durante a convenção de lançamento de Lula à reeleição, no último sábado (1º.ago.2026). Há apreensão entre petistas, pois o tema “corrupção” tem se mostrado aderente ao atual governo, de forma negativa, e pode prejudicar a campanha presidencial do partido.

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O escândalo do INSS continua crescendo

Desde sua deflagração, a Operação Sem Desconto deixou de ser apenas uma investigação sobre cobranças indevidas em benefícios previdenciários.

O caso passou a envolver:

  • dirigentes de entidades associativas;
  • empresários;
  • operadores financeiros;
  • servidores públicos;
  • ex-dirigentes do INSS;
  • agentes investigados por lavagem de dinheiro;
  • e diversas conexões empresariais ainda em apuração.

As investigações também impulsionaram mudanças na gestão do INSS, revisões nos mecanismos de autorização de descontos e o bloqueio de recursos considerados suspeitos.

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O que ainda precisa ser esclarecido

Apesar do avanço das investigações, permanecem sem resposta diversas questões relevantes:

  • Qual foi o valor total transferido?
  • Quantas operações ocorreram?
  • Existe documentação que comprove o empréstimo alegado?
  • Os recursos foram devolvidos?
  • A origem do dinheiro é compatível com a operação declarada?
  • Há relação entre essas transferências e os fatos investigados pela Operação Sem Desconto?

Essas respostas deverão depender da continuidade das perícias financeiras conduzidas pela Polícia Federal e da eventual atuação do Ministério Público Federal.

O que observar daqui para frente

A tendência é que as próximas fases da investigação concentrem esforços na reconstrução completa do fluxo financeiro entre empresários, operadores e agentes públicos citados ao longo da Operação Sem Desconto.

Caso novos elementos indiquem conexões adicionais entre integrantes do esquema investigado e agentes públicos, o alcance político da investigação poderá se ampliar. Por outro lado, a existência das transferências, isoladamente, não comprova prática criminosa, sendo necessário aguardar o resultado das apurações para que as responsabilidades sejam definidas.

Linha do tempo do caso

2025–2026 — A Polícia Federal aprofunda as investigações sobre descontos associativos indevidos em benefícios do INSS.

Operação Sem Desconto — São cumpridos mandados de busca, prisões e bloqueios de bens contra investigados.

Julho de 2026 — Marco Aurélio Santana Ribeiro deixa a chefia do gabinete pessoal do presidente.

Agosto de 2026 — A PF identifica transferências de Roberta Luchsinger para o ex-assessor, informação posteriormente confirmada por ele, que afirma tratar-se de um empréstimo pessoal.

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Re Hunter
Re Hunter
Jornalista especialista em Mercado de Capitais pela Metodista. [email protected]
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