Mercado de previsões amplia para 68 pontos percentuais a diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno; primeiro turno terminou com 47% a 45%
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais provocou uma forte mudança na precificação do segundo turno na Polymarket. Nesta segunda-feira (5), o mercado de previsões passou a indicar 84% de probabilidade de vitória para Flávio Bolsonaro (PL) contra 16% para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A diferença de 68 pontos percentuais é a maior registrada entre os dois candidatos na plataforma até agora. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Resumo executivo
- Flávio Bolsonaro aparece com 84% de probabilidade na Polymarket.
- Lula registra 16%.
- A diferença entre os dois chegou a 68 pontos percentuais.
- No primeiro turno, Flávio recebeu cerca de 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula.
- O mercado de previsões passou a incorporar o resultado das urnas e a nova configuração da disputa.
- A Polymarket funciona por meio da negociação de contratos vinculados a acontecimentos futuros, e seus percentuais representam probabilidades implícitas nos preços negociados, não intenção de voto.
Da disputa apertada à abertura de 68 pontos
A mudança foi expressiva.
Na semana anterior ao primeiro turno, Flávio chegou a registrar aproximadamente 61% de probabilidade, contra 38% para Lula, antes de voltar a oscilar abaixo dos 60%. Na última semana da campanha, a curva voltou a subir e acelerou depois da votação de domingo.
O resultado das urnas consolidou uma nova configuração: Flávio terminou o primeiro turno à frente, com aproximadamente 47% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com cerca de 45%. Os dois avançaram para o segundo turno.
A diferença no primeiro turno foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
O que a Polymarket está precificando
A Polymarket é um mercado de previsões no qual participantes compram e vendem contratos associados a resultados de acontecimentos futuros.
No mercado da eleição presidencial brasileira, o contrato de Flávio estava sendo negociado próximo de US$ 0,84, enquanto o de Lula estava em aproximadamente US$ 0,16. Nesse mecanismo, o preço é utilizado como referência para a probabilidade implícita atribuída pelos participantes ao resultado.
O mercado acumulava aproximadamente US$ 172 milhões em volume negociado no mercado da eleição presidencial brasileira, segundo a própria plataforma.
Portanto, os 84% representam a precificação do mercado naquele momento. Não são 84% de intenção de voto e não equivalem a uma pesquisa eleitoral.
O que mudou depois das urnas
O aspecto mais relevante do movimento é a velocidade da mudança.
Antes da votação, a disputa na Polymarket estava muito mais próxima. Depois que os votos foram contabilizados, o mercado passou a incorporar não apenas a posição de cada candidato no primeiro turno, mas também a nova composição da disputa, sem os demais candidatos na corrida presidencial.
A eleição passou, portanto, de uma disputa com vários concorrentes para uma decisão binária entre Flávio e Lula.
Esse processo ajuda a explicar por que a precificação mudou de maneira tão rápida entre a véspera e o dia seguinte ao primeiro turno.
Antes das urnas, mercados já apontavam liderança de Flávio Bolsonaro
A mudança registrada após o primeiro turno ganhou relevância porque Polymarket e Kalshi já haviam construído, nos dias anteriores à votação, um cenário diferente daquele apresentado pela maior parte das pesquisas eleitorais.
Na manhã de 1º de outubro, a Polymarket atribuía 62% de probabilidade de vitória a Flávio Bolsonaro, contra 37% para Lula. Na Kalshi, a relação era semelhante: 61% para Flávio e 40% para Lula.
O contraste aparecia principalmente nas projeções para o primeiro turno. Segundo o agregador de pesquisas do UOL naquele momento, Lula tinha 40,5% das intenções de voto, contra 37,2% de Flávio. Datafolha e Quaest também apresentavam vantagem de Lula ou empate técnico nas medições que antecederam a votação.
A diferença entre os dois termômetros acabou ganhando dimensão depois da apuração: Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, invertendo a ordem que predominava nas pesquisas de intenção de voto para a primeira rodada.
O histórico, portanto, acrescenta uma camada importante à leitura do atual número da Polymarket: antes de o resultado oficial confirmar a liderança de Flávio no primeiro turno, os mercados de previsão já vinham precificando um cenário mais favorável ao candidato do PL do que aquele indicado pelas pesquisas tradicionais.
Isso não significa que os mercados tenham “substituído” as pesquisas ou que seus percentuais possam ser tratados como intenção de voto. São instrumentos diferentes, com metodologias e mecanismos distintos. O ponto factual é outro: os dois mercados chegaram às vésperas da eleição apontando uma direção que acabou coincidindo com a ordem final dos dois primeiros colocados no primeiro turno.
O primeiro turno redesenhou a disputa
Além da vantagem nacional de Flávio, o resultado regional também alterou o mapa eleitoral.
Segundo dados publicados após a apuração, Flávio venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula liderou em 12 estados. Minas Gerais e Rio Grande do Sul estiveram entre os resultados de maior peso para a composição do primeiro turno.
Em Minas Gerais, Flávio alcançou aproximadamente 48,2%, contra 43,3% de Lula. No Rio Grande do Sul, a diferença foi ainda maior: 55,6% a 35,7%.
O segundo turno começa, portanto, a partir de uma fotografia eleitoral diferente daquela observada durante a campanha.
O que ninguém comenta sobre os 84%
O número mais importante não é apenas o percentual de 84%, mas a mudança de cenário que ele representa dentro do próprio mercado.
A Polymarket não começou a disputa precificando Flávio nesse patamar. Lula liderava as probabilidades até o meio do ano, enquanto Flávio passou a assumir a dianteira no início de setembro. A partir daí, houve oscilações sucessivas até a aceleração registrada depois do primeiro turno.
Isso transforma a curva da Polymarket em um indicador interessante da forma como os participantes do mercado foram incorporando novas informações ao longo da campanha.
O número, porém, permanece dinâmico: contratos são negociados continuamente e os preços podem mudar conforme surgem novas informações, declarações, alianças, pesquisas e acontecimentos políticos.
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O segundo turno começa em outro patamar
A fotografia deixada pelo primeiro turno é clara: Flávio terminou à frente de Lula, os dois foram para o segundo turno e o mercado de previsões reagiu imediatamente ao resultado.
A Polymarket, que chegou a registrar uma disputa muito mais equilibrada durante a campanha, passou a mostrar 84% para Flávio e 16% para Lula no dia seguinte à votação.
O percentual, por si só, não define o resultado da eleição. Mas registra uma mudança expressiva na precificação das expectativas dos participantes do mercado após a primeira rodada de votação.
Com três semanas até o segundo turno, a próxima etapa da disputa será marcada pela capacidade de cada campanha de ampliar suas alianças, conquistar os votos dos candidatos eliminados e transformar a vantagem obtida no primeiro turno em votos no dia 25 de outubro.



