Presidente e candidato à reeleição fez referência direta ao número de sua candidatura depois de votar em São Bernardo do Campo; legislação eleitoral proíbe propaganda e arregimentação de eleitores no dia da votação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, fez um pedido explícito relacionado à sua candidatura neste domingo (4), dia do primeiro turno das eleições, logo depois de votar em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Ao se dirigir aos jornalistas, Lula disse que, quando estivessem diante da urna, não deveriam se esquecer do “13, que é o número da sorte”.
A fala ocorreu enquanto a votação ainda estava em andamento e provocou questionamentos sobre boca de urna, já que a legislação eleitoral proíbe, no dia da eleição, a arregimentação de eleitores e a propaganda de boca de urna.
O episódio ganhou ainda mais repercussão nas redes sociais por causa de imagens em que Lula aparece amassando uma bandeira do Brasil durante uma fotografia ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin. No entanto, imagens de outro ângulo mostram que a bandeira foi posteriormente devolvida ao fotógrafo Ricardo Stuckert, e não jogada no chão, como afirmaram publicações que viralizaram.
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Pedido de voto em dia da eleição
A frase de Lula foi direta:
“Vocês, como jornalistas, não podem se manifestar, mas quando vocês estiverem dentro da urna, não se esqueçam do 13, que é o número da sorte.”
O número 13 é a identificação eleitoral do PT e da candidatura de Lula.
A declaração foi feita após Lula deixar a seção eleitoral em São Bernardo do Campo, quando jornalistas acompanhavam sua votação.
A questão central está no momento em que a fala ocorreu. Não era véspera de eleição nem um ato convencional de campanha. Era o próprio dia da votação, com as urnas abertas em todo o país.
Por isso, o episódio foi apontado por veículos e especialistas como boca de urna.
O que diz a lei
A legislação prevê, para essa conduta, detenção de seis meses a um ano, além de multa, observadas as regras legais aplicáveis.
A norma existe justamente para impedir que candidatos, partidos ou grupos políticos utilizem o período de votação para tentar influenciar eleitores.
Nesse contexto, a fala de Lula não deve ser confundida com uma simples manifestação política privada. O presidente estava diante de jornalistas, em uma declaração pública, e fez referência direta ao número pelo qual concorre à Presidência.
A bandeira do Brasil
Outro episódio ocorrido no mesmo local de votação provocou forte reação nas redes sociais.
Lula apareceu ao lado de Geraldo Alckmin segurando uma bandeira brasileira para fotografias. Em determinado momento, uma transmissão de televisão registrou o presidente amassando o tecido e fazendo um movimento com a mão esquerda.
O trecho isolado rapidamente passou a circular acompanhado da afirmação de que Lula teria jogado a bandeira do Brasil no chão, ou jogado ela amassada a um membro de sua equipe.
O contexto da votação
Lula chegou à Escola Estadual Dr. João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo, pela manhã.
Ele estava acompanhado de Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Simone Tebet, Marina Silva e Alexandre Padilha.
Depois de votar, afirmou que os brasileiros deveriam escolher pensando no futuro do país.
Foi na mesma sequência de declarações aos jornalistas que o presidente fez a referência ao número 13.
A fala acabou se tornando um dos episódios mais controversos da votação do candidato justamente porque ocorreu em um momento no qual a propaganda eleitoral sofre limitações específicas.



