Ex-secretário da Segurança Pública recebe 13,27 milhões de votos, supera marca histórica de Aloysio Nunes e chega ao Senado ao lado do presidente da Alesp
São Paulo elegeu Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) para as duas vagas do Senado disputadas nas eleições deste domingo (4). Derrite recebeu 13.273.880 votos, ou 30,59% dos votos válidos, e se tornou o senador mais votado da história do Brasil em números absolutos. Prado obteve 12.703.089 votos (29,28%).
Pesquisas subestimaram votação de Derrite e André do Prado
O resultado das urnas também expôs uma distância relevante entre as pesquisas de intenção de voto e a votação efetivamente registrada em São Paulo. Nos últimos levantamentos, Marina Silva, Simone Tebet, Guilherme Derrite e André do Prado apareciam em situação de empate técnico ou muito próximos, sem que os institutos antecipassem a dimensão da votação dos dois eleitos.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 2 de outubro, Marina tinha 16%, Tebet e Prado, 15% cada, e Derrite, 14%. Na Quaest, divulgada às vésperas da eleição, Derrite aparecia com 25% dos votos válidos, Prado com 23%, e Marina e Tebet com 22% cada.
O resultado oficial foi significativamente diferente: Derrite alcançou 30,59% e André do Prado, 29,28%, enquanto Tebet ficou com 19,23% e Marina com 18,12%. Derrite terminou ainda com 13,27 milhões de votos, a maior votação já registrada por um candidato ao Senado no Brasil.
Derrite supera recorde de Aloysio Nunes
A votação de Derrite ultrapassou o recorde anterior, pertencente a Aloysio Nunes Ferreira, que havia recebido 11.189.168 votos em São Paulo em 2010.
A diferença foi de mais de 2 milhões de votos. O resultado coloca Derrite no topo da série histórica de votações para o Senado em todo o país.
A marca também evidencia a dimensão da votação paulista: além de eleger dois nomes com mais de 12 milhões de votos cada, São Paulo produziu uma das maiores votações individuais já registradas para o cargo.
A segurança pública no centro da trajetória de Derrite
A eleição também leva ao Senado um político cuja trajetória pública está diretamente associada à segurança pública.
Antes da política, Derrite ingressou na Polícia Militar de São Paulo em 2003 e chegou ao posto de capitão. Atuou na Rota e em unidades da Força Tática. Em 2018, foi eleito deputado federal e posteriormente reeleito.
Entre 2023 e 2025, licenciou-se do mandato na Câmara para comandar a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, durante o governo Tarcísio de Freitas. Ao retornar ao Legislativo, passou a atuar também na discussão de propostas relacionadas ao combate ao crime organizado.
A segurança pública, portanto, não foi apenas um tema de campanha: é uma das áreas que definiram a trajetória política de Derrite desde sua passagem pela Polícia Militar até o comando da pasta estadual.
André do Prado fica com a segunda vaga
A segunda cadeira paulista ficou com André do Prado, que recebeu 12.703.089 votos.
Prado tem uma trajetória política construída principalmente no Legislativo paulista. Natural de Guararema, iniciou a carreira como vereador, foi vice-prefeito e prefeito da cidade e, em 2010, chegou à Assembleia Legislativa de São Paulo.
Foi reeleito deputado estadual em 2014, 2018 e 2022 e presidiu a Alesp no biênio 2023-2025. Agora, chega ao Senado para seu primeiro mandato federal na Casa, com início previsto para fevereiro de 2027.
Como ficou a disputa
Com Derrite e Prado eleitos, Simone Tebet (PSB) terminou em terceiro, com 19,23%, e Marina Silva (Rede) ficou em quarto, com 18,12%, segundo a apuração divulgada pelo TRE-SP.
A eleição renovou duas das três cadeiras de São Paulo. Derrite e Prado assumirão os lugares que estarão disponíveis a partir de 2027, enquanto Marcos Pontes (PL) continuará no Senado até 2031.
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O que muda a partir de 2027
A bancada paulista no Senado passará a ser formada por Guilherme Derrite, André do Prado e Marcos Pontes.
O resultado combina duas trajetórias distintas: de um lado, Derrite chega à Casa com uma votação recorde nacional e uma carreira política fortemente associada à segurança pública; de outro, Prado leva ao Senado uma trajetória construída no Legislativo paulista e na administração municipal.
São Paulo, portanto, não apenas definiu os dois novos senadores: produziu também o maior resultado eleitoral individual já registrado para o Senado brasileiro.
Giordano e Mara Gabrilli deixam o Senado por São Paulo
A eleição também encerra os mandatos de Giordano (Podemos) e Mara Gabrilli (PSD) como representantes de São Paulo no Senado. Os dois haviam sido eleitos em 2018 para mandatos iniciados em 2019 e que terminam em janeiro de 2027.
Giordano chegou ao Senado como suplente de Major Olímpio, que morreu em 2021. Com a eleição de Derrite e André do Prado, a cadeira que ocupava será transferida ao novo senador do PP.
Mara Gabrilli, por sua vez, encerra seu mandato após oito anos no Senado. Eleita em 2018, ela deixa a representação paulista sem disputar uma das duas vagas renovadas neste ciclo. A outra cadeira que estava em disputa era justamente a de Giordano.
A partir de fevereiro de 2027, a bancada de São Paulo será formada por Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL) e Marcos Pontes (PL). Pontes é o único dos três senadores atuais que permanece, já que seu mandato vai até 2031.
A mudança também altera a composição partidária da bancada paulista: o estado passa de PL, Podemos e PSD para PP e dois representantes do PL.



