Tarcísio é reeleito em São Paulo no 1º turno com 62,8% e agradece Bolsonaro: “Quero fazer mais”

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Governador supera Fernando Haddad e garante mais quatro anos no Palácio dos Bandeirantes; resultado interrompe sequência de eleições paulistas decididas no segundo turno e reforça a força política do grupo que o apoiou

Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo neste domingo (4), no primeiro turno, com mais de 62% dos votos válidos. O resultado garante ao atual governador mais quatro anos à frente do maior estado brasileiro e encerra, em São Paulo, uma sequência de eleições para o Palácio dos Bandeirantes decididas apenas no segundo turno.

Com 90,02% das seções totalizadas, Tarcísio tinha 62,8% dos votos válidos, contra 36,2% de Fernando Haddad (PT), segundo a Justiça Eleitoral. O governador já havia derrotado Haddad em 2022, mas naquela ocasião a eleição foi definida no segundo turno.

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Resumo executivo

  • Tarcísio de Freitas foi reeleito governador de São Paulo no primeiro turno;
  • O candidato do Republicanos recebeu 62,8% dos votos válidos, com mais de 13 milhões de votos na parcial divulgada pela Justiça Eleitoral;
  • Fernando Haddad (PT) terminou em segundo, com 36,2%;
  • A eleição paulista foi definida no primeiro turno pela primeira vez desde 2014;
  • Tarcísio agradeceu publicamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e atribuiu a ele papel importante em sua trajetória política;
  • O governador também agradeceu aliados, entre eles o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e os recém-eleitos senadores Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL);
  • A composição eleita para o Senado paulista reforça a presença do grupo político que apoiou Tarcísio no cenário nacional;
  • Para o segundo mandato, o governador afirmou que pretende ampliar as entregas do governo e resumiu o objetivo em uma frase: “Quero fazer mais”.

Tarcísio vence no primeiro turno

A reeleição de Tarcísio foi matematicamente confirmada ainda durante a apuração deste domingo.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), o governador ultrapassou 13 milhões de votos e alcançou 62,8% dos votos válidos com 90,02% das seções totalizadas. Haddad ficou com pouco mais de 7,5 milhões de votos e 36,2%.

A legislação eleitoral estabelece que a eleição para governador é encerrada no primeiro turno quando um candidato obtém mais da metade dos votos válidos.

O resultado também marca uma mudança em relação às eleições anteriores. A disputa pelo governo paulista não era definida no primeiro turno desde 2014, quando Geraldo Alckmin foi eleito. Em 2022, Tarcísio e Haddad precisaram disputar o segundo turno, vencido pelo atual governador.

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Uma vitória acima do resultado de 2022

O desempenho eleitoral de 2026 também supera, em percentual, a marca registrada por Tarcísio na eleição anterior.

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Em 2022, o atual governador chegou ao segundo turno contra Haddad e terminou eleito após uma disputa em duas etapas. Quatro anos depois, conseguiu ultrapassar a barreira necessária para encerrar a eleição já na primeira votação.

Segundo dados divulgados após a apuração, os 62,8% obtidos por Tarcísio também superam a marca de José Serra em 2006, quando o tucano foi eleito governador no primeiro turno com 57,93% dos votos válidos.

Assim, o resultado de 2026 passa a figurar entre os maiores desempenhos percentuais registrados em eleições diretas para o governo paulista.

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O agradecimento a Bolsonaro

Após a confirmação da vitória, Tarcísio fez um discurso marcado por agradecimentos.

O governador começou mencionando Deus e a família e, posteriormente, citou os aliados que participaram de sua trajetória política.

Um dos principais momentos foi a referência a Jair Bolsonaro, ex-presidente que apoiou Tarcísio desde sua entrada na política eleitoral.

“Quero agradecer Jair Bolsonaro, que me abriu as portas há muito tempo e passa por sofrimento hoje.”

Em outro trecho do discurso, Tarcísio afirmou que o ex-presidente foi responsável por abrir espaço para sua trajetória política e declarou:

“O tempo da justiça está chegando. O tempo da virada está chegando.”

A referência a Bolsonaro ganha dimensão adicional porque a eleição de 2026 ocorre em um cenário nacional no qual o campo político associado ao ex-presidente permanece como uma das forças centrais da disputa presidencial.

O grupo político que chega fortalecido ao novo mandato

A eleição para o governo paulista não ocorreu isoladamente.

Tarcísio contou durante a campanha com uma ampla aliança partidária formada por Republicanos, PL, MDB, Democrata, Avante, PSD, PRD, Solidariedade, União Brasil e PP. O próprio TRE-SP registrou a composição da coligação que sustentou a candidatura à reeleição.

O resultado das urnas também veio acompanhado pela eleição de dois nomes próximos ao grupo político do governador para as duas vagas do Senado que estavam em disputa em São Paulo.

Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) foram eleitos senadores pelo estado. Os dois participaram do palanque de Tarcísio durante a campanha.

A composição é relevante porque amplia a presença, no Congresso Nacional, de políticos que fizeram parte da articulação eleitoral em torno do governador paulista.

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Ricardo Nunes também foi citado

Outro nome mencionado por Tarcísio no discurso de vitória foi o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

A aproximação entre os dois foi importante para a estrutura política formada em torno da candidatura à reeleição. Nunes esteve ao lado do governador durante a campanha e também o acompanhou no momento da votação.

A relação entre o governo estadual e a Prefeitura da capital tende a continuar sendo um dos componentes relevantes da execução de projetos que dependem de articulação entre as duas administrações.

O que muda para São Paulo no segundo mandato

A reeleição elimina, para Tarcísio, a necessidade de disputar novamente o governo estadual em 2030.

Isso permite que o governador entre no segundo mandato com quatro anos completos pela frente para executar projetos anunciados durante a campanha e avançar sobre obras e programas iniciados no primeiro período de governo.

Entre os projetos associados ao próximo mandato estão investimentos em infraestrutura, expansão da rede metroferroviária e projetos de mobilidade, incluindo a ligação ferroviária entre São Paulo e Campinas e o túnel entre Santos e Guarujá.

No discurso após a vitória, entretanto, Tarcísio não apresentou uma nova lista detalhada de compromissos. A mensagem central foi a intenção de ampliar as entregas realizadas pela administração.

“Quero fazer mais.”

A frase resume o desafio político e administrativo do novo mandato: transformar a vantagem eleitoral obtida nas urnas em novas entregas concretas ao longo dos próximos quatro anos.

O que ninguém comenta: a eleição mudou o tamanho político de Tarcísio

O aspecto mais relevante do resultado não está apenas na reeleição.

Tarcísio deixa a eleição de 2026 com uma votação expressiva, uma vitória no primeiro turno e um grupo político com presença ampliada no Senado paulista.

O governador também termina o processo eleitoral sem precisar administrar uma disputa de segundo turno, o que reduz o intervalo entre a confirmação da vitória e o início da articulação para o novo mandato.

Ao mesmo tempo, o resultado ocorre em uma eleição nacional ainda em aberto. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) avançaram para o segundo turno da disputa presidencial, marcado para 25 de outubro.

Isso coloca São Paulo em uma posição particularmente relevante no segundo turno nacional: além de ser o maior colégio eleitoral do país, o estado será administrado, a partir de 2027, por um governador que mantém uma relação política explícita com Bolsonaro.

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A força eleitoral de São Paulo no cenário nacional

O peso político do resultado paulista ultrapassa as fronteiras do estado.

São Paulo concentra uma parcela decisiva do eleitorado brasileiro e abriga o maior orçamento estadual do país. Por isso, a reeleição do governador e a eleição dos dois novos senadores paulistas têm repercussões que vão além da administração estadual.

A partir de 2027, Tarcísio terá mais quatro anos para conduzir o governo paulista e, simultaneamente, continuará sendo uma das principais lideranças políticas do campo que se consolidou em torno de Bolsonaro.

Isso não significa, por si só, uma definição sobre os próximos passos de Tarcísio na política nacional. Qualquer discussão sobre eventual candidatura presidencial futura dependerá das decisões políticas que serão tomadas ao longo do próximo mandato.

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Contraponto: vitória eleitoral não encerra os desafios de gestão

A dimensão da vitória nas urnas não elimina os desafios administrativos.

São Paulo continua enfrentando demandas estruturais em áreas como segurança pública, transporte, saúde, habitação, infraestrutura e equilíbrio das contas públicas.

A reeleição concede ao governador um novo mandato, mas também aumenta a responsabilidade sobre a execução dos projetos anunciados e sobre os resultados concretos entregues à população.

A principal diferença em relação ao primeiro mandato será justamente o fato de Tarcísio iniciar 2027 já sabendo que permanecerá no cargo até 2030, sem a necessidade de enfrentar uma nova eleição para o governo estadual durante esse período.

Tarcísio de Freitas foi reeleito governador de São Paulo no primeiro turno com cerca de 62,8% dos votos válidos, derrotando Fernando Haddad, que terminou com 36,2%.

O resultado representa uma mudança importante em relação à eleição de 2022, quando a disputa chegou ao segundo turno, e coloca Tarcísio à frente do governo paulista até 2030.

O discurso de vitória também deixou evidente a dimensão política da eleição. Além de agradecer à família e aos aliados, Tarcísio fez questão de reconhecer o papel de Jair Bolsonaro em sua trajetória e citou Ricardo Nunes, Guilherme Derrite e André do Prado.

Com o governador reeleito e dois novos senadores ligados ao mesmo campo político eleitos por São Paulo, o resultado redesenha a correlação de forças do estado para os próximos anos.

Agora, a questão central deixa de ser eleitoral e passa a ser administrativa: quais das promessas e projetos anunciados serão efetivamente entregues no segundo mandato?

Tarcísio, em seu discurso, deu a resposta que pretende orientar os próximos quatro anos:

“Quero fazer mais.”

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Apresentadora de podcast e redatora. Especialista em finanças pela PUC Minas
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