JBS (JBSS32)abandona companhia aberta no Brasil, e movimento revela onde está o novo centro do grupo

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JBS A JBS (JBSS32) pede cancelamento do registro da companhia brasileira na CVM enquanto ações da estrutura internacional estão concentradas em Nova York; operação no Brasil permanece, mas centro societário e financeiro mudou

A JBS deu mais um passo na transformação de sua estrutura global e iniciou os trâmites para o cancelamento voluntário do registro da JBS S.A. como emissora de valores mobiliários na categoria A da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O pedido, cuja efetivação ainda depende da análise e aprovação da CVM, não significa o encerramento das operações da companhia no Brasil. A mudança é outra, e mais profunda do ponto de vista societário: a JBS S.A., companhia brasileira que durante décadas esteve no centro da estrutura de capital aberto do grupo, caminha para deixar de ser uma emissora registrada na CVM.

Ao mesmo tempo, o grupo já transferiu seu principal centro de acesso ao mercado de capitais para uma estrutura internacional, com a JBS N.V., sediada na Holanda, listada na Bolsa de Nova York (NYSE) e BDRs negociados na B3.

O movimento revela uma mudança estrutural: a operação brasileira continua relevante para o grupo, mas a companhia que ocupa o centro da estrutura societária e do mercado de capitais está fora do Brasil.

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O que a JBSS32 está efetivamente fazendo

O pedido apresentado à CVM refere-se à JBS S.A., e não à JBS N.V.

A categoria A é o registro destinado a companhias autorizadas a negociar determinados valores mobiliários em mercados regulamentados. O cancelamento depende da conclusão da análise pela CVM.

A decisão foi aprovada pelos acionistas e titulares de valores mobiliários da JBS S.A.

Se o pedido for aprovado, a companhia brasileira deixará de ser uma emissora registrada na categoria A.

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Isso não elimina a presença da JBS no Brasil. Elimina, porém, o status da JBS S.A. como companhia aberta brasileira registrada na CVM.

A mudança começou antes do pedido à CVM

O cancelamento do registro não é um movimento isolado.

A JBS já havia realizado uma ampla reorganização societária com a chamada dupla listagem, colocando a JBS N.V., constituída na Holanda, no topo da estrutura.

Com a operação, as ações passaram a ter como principal mercado de negociação a NYSE, enquanto os investidores brasileiros passaram a ter acesso à companhia por meio de BDRs negociados na B3.

Na prática, portanto, houve uma mudança fundamental.

Antes: a companhia brasileira JBS S.A. era o emissor das ações negociadas no mercado brasileiro.

Depois: a companhia estrangeira JBS N.V. passou a ocupar o centro da estrutura, com ações negociadas em Nova York e BDRs representando esses papéis na B3.

O pedido de cancelamento na CVM é o passo seguinte dessa reorganização.

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O dado que mostra onde está o novo centro do grupo

A própria JBS fornece um dos elementos mais importantes para entender a mudança.

Em documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC), a companhia informou que mais de 50% da receita consolidada é proveniente dos Estados Unidos.

O documento também aponta que aproximadamente 74% do free float está nas mãos de investidores americanos.

Além disso, a listagem principal das ações está na NYSE, onde se concentra a maior parcela do free float e do volume negociado.

Esses números ajudam a explicar por que a estrutura de capital da companhia passou a privilegiar o mercado americano.

Não se trata apenas de uma mudança de bolsa. O perfil econômico e financeiro do grupo também se tornou muito mais internacional.

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A JBS deixou de ser uma companhia brasileira?

A resposta depende do que se entende por “JBS”.

Como operação industrial, não.

A companhia continua com negócios relevantes no Brasil, produção, exportações, funcionários e fornecedores

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Apresentadora de podcast e redatora. Especialista em finanças pela PUC Minas
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