43% avaliam a gestão como ruim ou péssima, contra 33% de avaliações positivas; educação lidera entre as áreas mais bem avaliadas, mas também tem maioria negativa
A avaliação negativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) supera a positiva em todas as áreas de atuação analisadas pela Ipsos/Ipec. O pior resultado aparece no controle dos gastos públicos: 54% classificam a atuação como ruim ou péssima, enquanto 24% consideram ótima ou boa.
Na avaliação geral, 43% dos entrevistados avaliam o governo como ruim ou péssimo, ante 33% que o consideram ótimo ou bom. Outros 23% classificam a administração como regular.
Resumo Executivo
- 43% avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo.
- 33% consideram a gestão ótima ou boa.
- 23% classificam o governo como regular.
- 54% avaliam negativamente o controle dos gastos públicos, contra 24% de avaliações positivas.
- 51% avaliam negativamente o combate à inflação e a segurança pública.
- 35% consideram a atuação na educação ótima ou boa, o maior índice positivo entre as áreas.
- 34% avaliam positivamente o combate à fome e à pobreza.
- Desemprego, meio ambiente e política externa tiveram aumento de cinco pontos percentuais na avaliação negativa em relação a junho.
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Gastos públicos concentram pior avaliação
O controle dos gastos públicos é a área com maior diferença entre avaliações negativas e positivas.
São 54% de ruim ou péssimo, contra 24% de ótimo ou bom. Apesar disso, houve melhora de quatro pontos percentuais na avaliação positiva em relação à rodada anterior, realizada em junho.
O resultado coloca a condução das despesas públicas como o principal ponto de insatisfação entre os temas avaliados pela pesquisa.
Para o debate econômico, o indicador é relevante porque a percepção sobre gastos públicos está diretamente relacionada à discussão sobre resultado fiscal, trajetória da dívida, despesas federais e credibilidade da política econômica. A pesquisa, porém, mede percepção da população, e não o resultado fiscal efetivamente registrado pelo governo.
Inflação e segurança também têm maioria negativa
O combate à inflação registra 25% de avaliações ótimas ou boas, enquanto 51% consideram a atuação ruim ou péssima.
A segurança pública apresenta os mesmos percentuais: 25% de avaliação positiva e 51% negativa.
Nos dois temas, portanto, a diferença entre a avaliação negativa e a positiva chega a 26 pontos percentuais.
Educação é a área mais bem avaliada
A educação aparece como a área com maior percentual de avaliações positivas.
35% consideram a atuação do governo ótima ou boa, enquanto 41% classificam o setor como ruim ou péssimo.
O combate à fome e à pobreza vem na sequência, com 34% de avaliações positivas e 43% negativas.
Assim, mesmo os dois setores com melhores resultados relativos permanecem com avaliação negativa superior à positiva.
Avaliação negativa avançou desde junho
A comparação com a pesquisa anterior mostra uma mudança mais clara na avaliação geral.
A parcela que considera o governo ruim ou péssimo passou de 38% em junho para 43% em setembro, alta de cinco pontos percentuais.
Já a avaliação ótima ou boa oscilou de 32% para 33%, enquanto a percepção regular caiu de 28% para 23%.
O movimento, portanto, ocorreu principalmente pela redução da parcela que classificava o governo como regular e pelo avanço da avaliação negativa.
Nas áreas específicas, desemprego, meio ambiente e política externa tiveram as maiores altas na percepção negativa em relação a junho: cinco pontos percentuais em cada uma.
O objetivo de Gilmar Mendes demonstrado na sessão era atacar André Mendonça e proteger Moraes da investigação.
Aprovação e confiança também permanecem negativas
Além da avaliação da gestão, a pesquisa mediu a aprovação da maneira como Lula administra o país.
53% desaprovam a forma como o presidente governa, contra 42% que aprovam. Em junho, os índices eram 50% e 44%, respectivamente.
Na confiança pessoal, 57% afirmam não confiar em Lula, enquanto 40% dizem confiar. Em junho, eram 56% e 41%.
Os indicadores acompanham a avaliação negativa predominante sobre a administração federal.
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Diferenças entre os grupos pesquisados
A avaliação do governo varia significativamente conforme o perfil dos entrevistados.
Entre os que declararam ter votado em Lula em 2022, 65% avaliam a administração como ótima ou boa. Entre os que afirmaram ter votado em Jair Bolsonaro, 80% classificam o governo como ruim ou péssimo.
Por região, a avaliação positiva chega a 47% no Nordeste, enquanto a negativa alcança 49% no Sul e 48% no Sudeste e no Norte/Centro-Oeste.
Também há diferença por renda: a avaliação positiva é de 46% entre pessoas com renda familiar de até um salário mínimo, enquanto a avaliação negativa chega a 62% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos.
Esses recortes mostram uma percepção bastante desigual da administração federal entre diferentes segmentos da população.
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Percepção sobre a economia piora
A pesquisa também captou a percepção dos brasileiros sobre a situação econômica do país.
Em setembro, 45% afirmaram que a economia está pior do que há seis meses, contra 23% que consideram que está melhor e 29% que dizem estar igual. Em junho, os percentuais eram 41%, 25% e 30%, respectivamente.
Ao mesmo tempo, as expectativas para os próximos seis meses melhoraram: 42% acreditam que a situação econômica estará melhor, contra 25% que esperam piora. Em junho, eram 36% e 32%.
O contraste entre percepção recente e expectativa futura é um dos pontos econômicos relevantes desta rodada.
O que os números mostram
A pesquisa de setembro apresenta um quadro em que a avaliação negativa supera a positiva em todas as áreas analisadas.
O maior desequilíbrio está no controle dos gastos públicos, com diferença de 30 pontos entre avaliações negativas e positivas. Educação apresenta o maior percentual positivo, mas ainda registra maioria negativa.
Na avaliação geral, a diferença é de 10 pontos percentuais: 43% de ruim ou péssimo contra 33% de ótimo ou bom. Desde junho, a avaliação negativa avançou cinco pontos, enquanto a positiva permaneceu praticamente estável.
Os números descrevem a percepção dos entrevistados no período de campo, e não constituem, isoladamente, uma avaliação objetiva do desempenho de cada política pública.
Metodologia
A pesquisa Ipsos/Ipec foi realizada presencialmente entre 9 e 13 de setembro de 2026, com 2.000 entrevistados em 130 municípios brasileiros.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A rodada de setembro mostra uma predominância da avaliação negativa sobre a positiva em todas as áreas de atuação do governo Lula pesquisadas.
O controle dos gastos públicos concentra o pior resultado, enquanto educação e combate à fome e à pobreza apresentam os maiores percentuais positivos. Na avaliação geral, porém, nenhuma das áreas pesquisadas alcança maioria positiva.
A comparação com junho mostra que o principal movimento foi o avanço da avaliação negativa do governo, de 38% para 43%, enquanto a avaliação positiva oscilou de 32% para 33%. O levantamento também registra piora na percepção sobre a economia recente, embora as expectativas para os próximos seis meses tenham melhorado.








