Áudio revela promessa de abrir caminho para Vorcaro no estatal Banco do Brasil em plano de captação de R$ 10 bilhões com fundos de pensão

Uma gravação atribuída a Júlio Cezar, apontado como intermediário de interesses ligados ao então ministro de Lula, Alexandre Padilha, registra uma promessa de facilitar o acesso de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a interlocutores relacionados ao Banco do Brasil. O áudio, divulgado pela revista VEJA, integra um conjunto de mensagens e registros de ligações que detalha as articulações para captar recursos de fundos de pensão ligados a empresas estatais.

Na gravação, feita em maio de 2024, Júlio afirma que poderia colocar Vorcaro “na boca do gol” em um encontro previsto para a semana seguinte. A expressão aparece durante uma conversa sobre contatos com dirigentes de fundos previdenciários e indica a promessa de facilitar o avanço das negociações.

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O episódio faz parte de uma investigação mais ampla sobre a tentativa de captar bilhões de reais para o Banco Master e as alegações de pagamentos de propina a integrantes de um grupo político e seus operadores.

Plano previa captar R$ 10 bilhões em fundos de pensão

Segundo a reportagem, Vorcaro pretendia captar aproximadamente R$ 10 bilhões junto a fundos de previdência ligados à Petrobras, aos Correios, à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil.

Entre as entidades mencionadas nos planos de Vorcaro estão a Petros, dos funcionários da Petrobras; a Postalis, vinculada aos Correios; a Funcef, ligada à Caixa; e a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil.

Segundo Vorcaro, cerca de R$ 9 bilhões seriam destinados ao Banco Master, enquanto R$ 1 bilhão corresponderia a pagamentos de propina a integrantes do grupo político e intermediários.

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Reunião no Planalto antecedeu as articulações

A cronologia apresentada pela VEJA começa em fevereiro de 2024, após o cancelamento de uma reunião entre Vorcaro e representantes da Petros. Na sequência, o banqueiro teria recorrido a Hamilton Buzelin, ex-diretor de Finanças Corporativas do Banco Máxima, instituição que antecedeu o Master após a aquisição.

Buzelin teria ajudado a estabelecer o contato com Júlio Cezar e a organizar uma reunião no Palácio do Planalto, realizada em 1º de março de 2024, com Alexandre Padilha, então ministro da Secretaria de Relações Institucionais.

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Segundo o relato de Vorcaro reproduzido pela revista, também participaram Olavo Noleto, então secretário-executivo da pasta, e outros interlocutores. O então banqueiro afirmou que Padilha teria indicado que os assuntos tratados com Noleto equivaleriam aos discutidos diretamente com o ministro.

Em 4 de março, três dias depois do encontro no Planalto, Vorcaro se reuniu com Henrique Jäger, então presidente da Petros. As conversas posteriores descritas pela publicação mostram novas tentativas de aproximação com dirigentes de fundos previdenciários.

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Cobrança de R$ 500 mil ocorreu no dia da inclusão do Master em lista oficial

Outro episódio destacado pela reportagem ocorreu em 29 de abril de 2024, quando o Banco Master foi incluído em uma lista de instituições autorizadas a receber recursos de regimes próprios de previdência.

A inclusão ampliava as possibilidades de negócios com determinadas entidades previdenciárias, mas não obrigava os fundos a investir no banco nem representava aprovação automática de operações específicas.

Segundo as mensagens reproduzidas pela revista, Augusto Lima, sócio do Master, comunicou a Vorcaro que a inclusão havia sido concluída. No mesmo dia, Júlio Cezar teria cobrado R$ 500 mil do banqueiro. A publicação situa a cobrança no contexto das articulações investigadas como possível esquema de propina.

A reportagem também relata um jantar na residência de Vorcaro, em Brasília, com Padilha, Noleto, Júlio Cezar e outros interlocutores. A realização de reuniões e a existência de contatos, isoladamente, não comprovam participação criminosa dos presentes.

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Caso envolvendo a Caixa prejudicou as negociações

As articulações enfrentaram obstáculos em julho de 2024, após a divulgação de uma tentativa de investimento de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master pela Caixa Econômica Federal.

Segundo a reportagem, dois gestores da Caixa Asset foram afastados após emitirem pareceres contrários à operação. A repercussão do caso teria levado dirigentes de fundos federais a suspender ou retardar decisões de investimento no Master.

Em relato atribuído a Vorcaro, as negociações com a Petros, o Postalis e interlocutores ligados ao Banco do Brasil perderam força depois da divulgação do episódio envolvendo a Caixa.

Apesar das tentativas de articulação, a captação pretendida junto aos fundos federais não se concretizou nos termos descritos pela reportagem. As conversas, contudo, teriam prosseguido em busca de alternativas, incluindo fundos municipais.

Vorcaro cobrou resultados após mais de um ano de negociações

As mensagens reproduzidas pela VEJA mostram que os contatos entre Vorcaro e Júlio Cezar continuaram mesmo após os obstáculos de 2024.

Em junho de 2025, o banqueiro teria reclamado que o grupo tentava concluir uma operação havia mais de 12 meses sem alcançar o resultado esperado. Em agosto, estabeleceu um prazo para que os negócios avançassem.

A última mensagem de Júlio citada pela revista foi registrada cerca de um mês antes da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. Nela, o consultor apresentou uma nova proposta para estruturar a compra de letras financeiras do Master por meio de fundos de previdência municipais. Segundo a publicação, Vorcaro não respondeu.

A sequência indica que as promessas de intermediação não foram suficientes para viabilizar a captação pretendida nos fundos federais.

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Citados negam irregularidades

A VEJA informou que Alexandre Padilha, Augusto Lima, Olavo Noleto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negaram relação com negócios de Vorcaro no governo e refutaram as acusações atribuídas ao ex-banqueiro.

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O que o áudio acrescenta ao caso Banco Master

A gravação amplia o conjunto de informações sobre a estratégia atribuída a Vorcaro com integrantes do governo Lula para acessar recursos de fundos de pensão. O material descrito pela revista reúne contatos frequentes com um intermediário que alegava ter acesso a dirigentes, articulações com integrantes do governo e cobranças para transformar as aproximações em operações financeiras.

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Lucy Costa
Lucy Costa
Jornalista especializada em finanças e estatística. Você gosta de meus conteúdos? Entre em contato; email: [email protected]
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