Ata do Copom, Relatório de Política Monetária e inflação dividem espaço com as eleições de 2026 e os desdobramentos no Supremo o
A semana de 21 a 25 de setembro concentra uma agenda econômica relevante no Brasil, com a divulgação da ata do Copom, do Relatório de Política Monetária e do IPCA-15, além de indicadores de atividade, confiança e fluxo cambial.
Para os mercados, porém, a semana não será acompanhada apenas pelos indicadores econômicos. A corrida eleitoral de 2026 e os desdobramentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) também fazem parte do ambiente de formação de expectativas, principalmente quando podem alterar a percepção sobre política econômica, regras, regulação, risco institucional e trajetória fiscal.
No cenário econômico, o principal ponto de partida é a decisão do Banco Central de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A ata, na terça-feira (22), deverá detalhar os argumentos que sustentaram a decisão.
Na quinta-feira (24), o Banco Central publica o Relatório de Política Monetária. Na sexta-feira (25), o IBGE divulga o IPCA-15 de setembro.
O que realmente importa nesta semana
- 21/9 — Focus: atualização das expectativas do mercado.
- 22/9 — Ata do Copom: detalhes do corte da Selic para 13,75%.
- 24/9 — Relatório de Política Monetária: projeções e avaliação do Banco Central.
- 25/9 — IPCA-15: nova leitura da inflação.
- 21 a 25/9 — Política: eleições e desdobramentos no STF continuam no radar dos investidores.
Eleições de 2026 entram na precificação dos ativos
A proximidade das eleições aumenta a importância das pesquisas e das movimentações políticas para o mercado.
Os levantamentos divulgados em setembro mostram uma disputa presidencial competitiva, com diferenças relevantes entre institutos e cenários. Pesquisa Quaest divulgada em 14 de setembro, por exemplo, registrou Lula com 36% e Flávio Bolsonaro com 31% no primeiro turno e, em um cenário de segundo turno, 42% para Flávio e 40% para Lula, dentro da margem de erro.
Outro levantamento, da CNT/MDA, realizado entre 9 e 13 de setembro, apontou 40,6% para Lula e 30,4% para Flávio no primeiro turno, enquanto no segundo turno testado registrou 47,3% a 40%.
A diferença entre os levantamentos reforça a necessidade de observar instituto, período de campo, metodologia, margem de erro e registro eleitoral, em vez de tratar uma única pesquisa como retrato definitivo da disputa.
Para o mercado financeiro, a relevância da eleição está principalmente na possibilidade de mudanças futuras em política fiscal, tributação, estatais, regulação, investimentos públicos e demais diretrizes econômicas.
STF também influencia o ambiente de mercado
Os acontecimentos envolvendo o STF ganharam dimensão econômica porque alguns dos processos em andamento atingem diretamente temas relacionados a regulação financeira e mercado de capitais.
Um exemplo recente é a determinação do ministro Flávio Dino para que a União revise, em até 90 dias, normas relacionadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), após questões levantadas no caso Banco Master. A determinação envolve regras de fundos, prevenção à lavagem de dinheiro e estrutura de supervisão do mercado.
A questão eleitoral também passou a se relacionar com o debate sobre o Supremo. Pesquisa Datafolha divulgada em 18 de setembro mostrou que 47% dos entrevistados consideram que a crise envolvendo o STF pode influenciar o voto para presidente, enquanto 34% disseram ter maior disposição para votar em candidatos ao Senado que defendam o impeachment de ministros da Corte.
Isso não significa que o mercado necessariamente reagirá a cada episódio político. Na prática, investidores tendem a observar se determinado acontecimento altera expectativas concretas sobre regras, decisões econômicas, contas públicas, regulação ou estabilidade institucional.
Terça-feira: ata do Copom concentra as atenções
A terça-feira (22), às 8h, será marcada pela divulgação da ata do Copom.
O documento detalha a discussão que levou o Banco Central a reduzir a Selic para 13,75% ao ano.
O mercado deverá observar especialmente:
- avaliação do cenário de inflação;
- expectativas para os preços;
- atividade econômica;
- condições do mercado de trabalho;
- cenário externo;
- riscos para a política monetária;
- indicação sobre os próximos passos dos juros.
A ata pode complementar a comunicação feita na decisão e ajudar a interpretar o ritmo esperado para o ciclo de cortes.
Quinta-feira: Banco Central apresenta o cenário de política monetária
Na quinta-feira (24), às 8h, o Banco Central publica o Relatório de Política Monetária (RPM).
O documento trimestral apresenta a avaliação do Banco Central sobre a economia e a condução da política monetária, incluindo projeções e cenários utilizados pela autoridade.
A publicação ocorre dois dias depois da ata do Copom e, por isso, permitirá ao mercado confrontar a comunicação da reunião com uma análise mais ampla do cenário econômico.
No mesmo horário, a FGV divulga a Sondagem do Consumidor de setembro.
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Sexta-feira: IPCA-15 fecha a semana econômica
Na sexta-feira (25), às 9h, o IBGE divulga o IPCA-15 de setembro.
O indicador funciona como uma prévia da inflação oficial e será uma das principais referências para o mercado depois da divulgação da ata e do RPM.
Além da variação do índice cheio, investidores acompanham a composição do resultado e o comportamento dos diferentes grupos de preços.
O resultado pode influenciar as expectativas para a trajetória da inflação e, consequentemente, para a política monetária.
Segunda-feira: Focus abre a agenda
A segunda-feira (21) começa às 8h25 com o Boletim Focus.
O relatório reúne as expectativas do mercado para inflação, crescimento, câmbio e juros.
Às 15h, a Secex divulga a balança comercial semanal.
Nos Estados Unidos, às 9h30, o Federal Reserve divulga o Índice de Atividade Nacional de Chicago (CFNAI) referente a agosto.
Quarta-feira: PMIs e fluxo cambial
Na quarta-feira (23), Alemanha e Área do Euro divulgam os PMIs compostos de setembro.
Nos Estados Unidos, às 10h45, a S&P Global divulga o PMI composto.
No Brasil, a FGV apresenta, às 8h, o IPC-S semanal. Às 14h30, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal.
O fluxo cambial ajuda a acompanhar a movimentação de recursos estrangeiros e domésticos no mercado de câmbio.
Sexta-feira também terá indicadores de construção e energia
Além do IPCA-15, a agenda brasileira de sexta-feira inclui:
- 05h — Fipe: IPC mensal;
- 08h — FGV: Sondagem da Construção;
- 08h — FGV: INCC-M;
- horário não informado — Aneel: definição da bandeira tarifária de energia elétrica.
Nos Estados Unidos, às 11h, será divulgado o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan.
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Agenda econômica completa — 21 a 25 de setembro
Segunda-feira — 21/9
08h25 — Brasil: Boletim Focus
09h30 — EUA: CFNAI de agosto
15h — Brasil: balança comercial semanal
Terça-feira — 22/9
08h — Brasil: ata do Copom
09h — México: vendas no varejo de julho
11h — Área do Euro: confiança do consumidor de setembro
Quarta-feira — 23/9
04h30 — Alemanha: PMI composto de setembro
05h — Área do Euro: PMI composto de setembro
08h — Brasil: IPC-S semanal
10h45 — EUA: PMI composto de setembro
14h30 — Brasil: fluxo cambial semanal
Quinta-feira — 24/9
05h — Alemanha: índice IFO de sentimento econômico
08h — Brasil: Relatório de Política Monetária
08h — Brasil: Sondagem do Consumidor da FGV
09h — México: IPC de setembro
09h — México: atividade econômica de julho
09h30 — EUA: pedidos semanais de auxílio-desemprego
16h — México: decisão de política monetária
Sexta-feira — 25/9
Horário não informado — Brasil: bandeira tarifária de energia elétrica
05h — Brasil: IPC da Fipe
08h — Brasil: Sondagem da Construção da FGV
08h — Brasil: INCC-M de setembro
09h — Brasil: IPCA-15 de setembro
09h — México: taxa de desemprego de agosto
11h — EUA: confiança do consumidor da Universidade de Michigan
O que o investidor deve acompanhar
A semana combina três referências econômicas centrais — ata do Copom, Relatório de Política Monetária e IPCA-15 — com um ambiente político que também pode alterar as expectativas dos investidores.
No campo econômico, o foco estará na trajetória da inflação e dos juros.
No campo político, o mercado acompanha a evolução da corrida eleitoral de 2026 e os desdobramentos no STF, especialmente quando decisões ou mudanças regulatórias atingem diretamente empresas, mercado de capitais ou regras econômicas.
O resultado é uma semana em que juros, inflação, política e regulação estarão simultaneamente no radar dos mercados brasileiros.








