Argentina conquista novo upgrade de rating, títulos disparam e mercado aposta em retorno aos financiamentos internacionais

Os mercados voltaram a premiar a Argentina nesta quinta-feira (11) após mais uma demonstração de confiança das agências internacionais de classificação de risco no programa econômico implementado pelo presidente Javier Milei.

Os títulos da dívida argentina denominados em dólar registraram forte valorização em toda a curva, com destaque para os papéis de longo prazo, depois que a S&P Global Ratings elevou a nota soberana do país de CCC+ para B-. Trata-se da segunda melhora de rating recebida pela Argentina em menos de dois meses, reforçando a percepção de que o país avança em direção à normalização financeira após anos de instabilidade.

Os bônus globais com vencimento em 2035, considerados referência da dívida externa argentina, chegaram a atingir máxima histórica desde sua emissão em 2020, enquanto os títulos intermediários também apresentaram forte valorização.

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Mercado vê Argentina mais próxima de voltar a captar recursos

Embora o novo rating ainda permaneça seis níveis abaixo do grau de investimento, analistas destacam que a mudança representa um marco importante para o país recuperar gradualmente o acesso aos mercados internacionais de capitais.

Investidores internacionais avaliam que a melhora do perfil de crédito argentino pode abrir espaço para futuras emissões de dívida externa, algo que permaneceu praticamente inviável durante os anos de crise econômica com gestões de esquerda e fragilidade fiscal.

A expectativa agora é que o governo aproveite a melhora da percepção de risco para realizar operações de refinanciamento e gestão de passivos, fortalecendo ainda mais sua posição financeira.

Ajuste fiscal de Milei impulsiona confiança

A decisão da S&P foi fundamentada principalmente no forte ajuste fiscal promovido pelo governo Milei desde sua posse.

Entre os fatores destacados pela agência estão:

  • Manutenção de superávits fiscais primários;
  • Redução das vulnerabilidades macroeconômicas;
  • Melhora da liquidez externa;
  • Acúmulo consistente de reservas internacionais;
  • Avanço das reformas regulatórias e econômicas.

O Banco Central argentino também desempenhou papel relevante no processo, acumulando mais de US$ 10 bilhões em reservas ao longo do ano, ao mesmo tempo em que o governo buscou fontes alternativas de financiamento para reduzir pressões imediatas sobre o caixa público.

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Exportações fortalecem recuperação econômica

Outro fator que contribuiu para a melhora da avaliação internacional foi o desempenho das exportações.

O agronegócio continua sendo um dos pilares da geração de divisas para a economia argentina, mas o setor energético passou a ganhar importância crescente nos últimos anos.

A combinação entre maior entrada de dólares, disciplina fiscal e desaceleração da inflação ajudou a reduzir significativamente a percepção de risco dos investidores em relação ao país.

O resultado é visível nos spreads dos títulos soberanos argentinos, que retornaram para níveis próximos dos menores registrados desde o início da gestão Milei.

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O tamanho da mudança: de símbolo de crise a caso de recuperação

Para compreender a relevância da decisão da S&P, é necessário lembrar o ponto de partida da Argentina.

Durante décadas, o país acumulou crises cambiais, desequilíbrios fiscais crônicos, controles de capitais, congelamentos de preços e sucessivos episódios de moratória da dívida pública. A Argentina tornou-se um dos casos mais emblemáticos de instabilidade econômica entre os mercados emergentes.

Quando Milei assumiu a presidência, no fim de 2023, a inflação anual ultrapassava 200%, as reservas internacionais estavam sob forte pressão e o déficit fiscal era apontado por economistas como um dos principais fatores de deterioração das contas públicas.

Por esse motivo, a melhora simultânea dos ratings atribuídos pelas principais agências internacionais é vista pelo mercado como um reconhecimento de que houve uma mudança relevante na condução econômica do país.

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O que o mercado realmente está comprando

A forte valorização dos títulos argentinos não significa necessariamente que os investidores acreditam que todos os problemas do país foram resolvidos.

Na prática, o mercado está precificando algo mais simples: a probabilidade de receber o dinheiro emprestado.

Quando uma agência eleva o rating soberano, ela sinaliza que o risco de inadimplência diminuiu. Como consequência, investidores passam a aceitar retornos menores para financiar o governo, elevando o preço dos títulos já emitidos.

Em outras palavras, o que está sendo premiado não é um discurso político, mas a percepção de que a Argentina se tornou mais capaz de honrar seus compromissos financeiros no futuro.

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Argentina e Brasil seguem caminhos fiscais diferentes

A recuperação da confiança na economia argentina também desperta comparações inevitáveis com o Brasil.

Enquanto o governo Milei adotou uma estratégia centrada em cortes de gastos, redução do tamanho do Estado, eliminação de subsídios e busca por superávits fiscais, o Brasil continua enfrentando debates sobre expansão de despesas públicas, aumento da carga tributária e crescimento da dívida bruta.

Embora as duas economias possuam estruturas muito diferentes e enfrentem desafios distintos, investidores internacionais observam atentamente a direção das políticas fiscais de cada país.

A trajetória recente da Argentina mostra como o mercado costuma reagir positivamente quando identifica sinais claros de ajuste das contas públicas, independentemente do custo político envolvido.

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O capital global voltou a olhar para a Argentina

Além dos avanços domésticos, a melhora do cenário argentino ocorre em um momento em que investidores globais buscam oportunidades em mercados emergentes com potencial de transformação econômica.

Países como Índia, Vietnã, Indonésia e Argentina passaram a atrair atenção crescente de fundos internacionais em busca de crescimento acima da média mundial.

Nesse contexto, a Argentina deixou de ser vista apenas como uma fonte de risco e voltou a aparecer nos radares de investidores que apostam em processos de recuperação econômica de longo prazo.

A entrada desse capital pode desempenhar papel importante na estabilização financeira do país nos próximos anos.

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Os riscos continuam existindo

Apesar da melhora dos indicadores financeiros, os desafios argentinos permanecem significativos.

O ajuste promovido pelo governo gerou forte impacto sobre o consumo, elevou tensões sociais e continua enfrentando resistência de sindicatos, movimentos sociais e parte da oposição política.

Além disso, investidores acompanham com atenção a capacidade de Milei de manter apoio político suficiente para aprofundar reformas consideradas fundamentais para a sustentabilidade do atual programa econômico.

A proximidade das eleições legislativas e, posteriormente, da disputa presidencial de 2027 também representa um fator de incerteza.

A própria S&P alertou que a Argentina poderá enfrentar períodos de estresse ao longo dos próximos 18 meses, especialmente diante das dúvidas sobre a continuidade das reformas após o atual ciclo político.

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relatorio do mercado

Agências internacionais reconhecem mudança de rumo

A elevação anunciada pela S&P ocorre após movimento semelhante realizado pela Fitch Ratings em maio, quando a agência também elevou a nota da Argentina para B-.

Já a Moody’s promoveu duas revisões positivas durante o atual governo, mantendo atualmente a classificação soberana em Caa1.

O conjunto dessas decisões sinaliza que as principais agências globais passaram a reconhecer avanços concretos na condução econômica do país, especialmente na área fiscal.

O que significa para a Argentina

O novo upgrade de rating representa mais do que uma simples melhora na avaliação de crédito.

Na prática, o movimento reduz o prêmio de risco exigido pelos investidores, diminui o custo potencial de futuras captações e aproxima a Argentina de um objetivo perseguido há anos: recuperar acesso regular ao financiamento internacional sem depender exclusivamente de organismos multilaterais.

Isso não significa que o país tenha solucionado seus problemas estruturais ou que esteja próximo do grau de investimento. A Argentina ainda enfrenta desafios fiscais, monetários, políticos e sociais relevantes.

Entretanto, a reação dos mercados e a sequência de elevações promovidas pelas principais agências de classificação de risco indicam uma mudança importante de percepção. Após anos da gestão esquerdista sendo apontada como um dos exemplos mais emblemáticos de deterioração econômica na América Latina, a Argentina começa a ser observada como um possível caso de recuperação.

Se o atual programa de reformas conseguir sobreviver aos próximos ciclos eleitorais e manter a disciplina fiscal que hoje sustenta a confiança dos investidores, o país poderá protagonizar uma das transformações econômicas mais relevantes da região nas próximas décadas.

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Re Hunter
Re Hunter
Jornalista especialista em Mercado de Capitais pela Metodista. [email protected]

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