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O diretor-presidente da Coopernorte, Bazílio Carloto, questionou a qualidade do arroz que será importado pelo Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) após autorização do governo federal. De acordo com ele, é “impossível vender um arroz de qualidade” pelo valor máximo de R$ 4 o quilo estabelecido pelo executivo.

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O primeiro leilão para compra de arroz importado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) terminou com a participação de quatro empresas alheias ao mercado do cereal. Entre os nomes, há uma companhia de locação de veículos e máquinas pesadas, a ASR, uma de produção de queijos com registro em Macapá, a Queijos Minas, e uma processadora de polpas de frutas, a Icefruit.

O escândalo do leilão de arroz de Lula

O leilão milionário do governo Lula realizado através da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a compra de 300 mil toneladas de arroz, na quinta-feira (6), foi vencido por quatro empresas. Dentre elas, apenas uma tem experiência no setor de comércio exterior. As outras três são empresas sem afinidade com a área.

A concorrente que arrematou a maior quantidade de lotes trata-se de uma empresa cuja atividade principal inscrita no CNPJ é “comércio atacadista de leite e laticínio”. A mercearia fica localizada em um bairro de Macapá, capital do Amapá. A empresa especializada na venda de queijos receberá R$ 736,3 milhões do governo para importar 147,3 mil toneladas de arroz. 

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Na Receita Federal, a empresa tem registrado como atividades secundárias: comércio atacadista de frutas, verduras, raízes, tubérculos, hortaliças e legumes frescos; comércio atacadista de carnes bovinas e suínas e derivados; comércio atacadista de artigos de escritório e de papelaria; comércio atacadista de produtos de higiene, limpeza e conservação domiciliar; comércio atacadista de outros equipamentos e artigos de uso pessoal e doméstico não especificados anteriormente e; comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios – minimercados, mercearias e armazéns.

A segunda maior fatia do leilão foi levada por uma empresa que atua na área de comércio exterior desde 2010. A importadora ganhou o direito de vender 73,8 mil toneladas de arroz para o governo a R$ 368,9 milhões.

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Em terceiro lugar aparece uma locadora de veículos e máquinas. A empresa ganhará R$ 112,5 milhões com a venda de 22,5 mil toneladas de arroz.

Por último, aparece uma empresa que tem como principal atividade registrada no CNPJ a “fabricação de sucos concentrados de frutas, hortaliças e legumes”. Localizada no município de Tatuí, em São Paulo, a empresa receberá R$ 98,7 milhões pelo repasse de 19,7 mil toneladas de arroz ao governo.

Na Receita Federal, a empresa tem registrado como atividades secundárias: fabricação de conservas de frutas; fabricação de alimentos e pratos prontos; fabricação de sorvetes e outros gelados comestíveis; comércio atacadista de frutas, verduras, raízes, tubérculos, hortaliças e legumes frescos; comércio varejista de produtos alimentícios em geral ou especializado em produtos alimentícios não especificados anteriormente e; comércio atacadista de produtos alimentícios em geral.

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As empresas que ficaram em terceiro e quarto lugar no leilão foram questionadas sobre a capacidade delas de atender a demanda, uma vez que nenhuma das duas empresas tem experiência com comércio exterior. As empresas não responderam até o fechamento desta matéria. Estamos a disposição para quaisquer manifestações das empresas.

Ao todo, o governo pagará mais de R$ 1,3 bilhão pela importação do arroz. Como justificativa, o governo Lula alega que a compra é necessária para forçar a regularização nos preços dos alimentos.

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Governo comemora arroz comprado sem saber a procedência

O leilão chegou a ser suspenso por uma liminar da Justiça Federal de Porto Alegre em atendimento a uma representação de parlamentares do partido Novo. Os parlamentares, bem como produtores de arroz do Rio Grande do Sul, negam risco de desabastecimento do produto.

A liminar foi derrubada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), na quinta-feira (6), em atendimento a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).

Após a divulgação dos vencedores do leilão, parlamentares da oposição cobraram explicações sobre as empresas que não possuem experiência com o comércio exterior.

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Apesar de a Conab ter estabelecido um teto de R$4 por quilo e arroz no leilão, o valor de compra chegou a R$5 por quilo, o que levantou suspeitas sobre a eficácia e a transparência do processo.

Em nota, na quinta-feira (6), o presidente da Conab, Edegar Pretto, disse que o leilão foi um “sucesso” e que outro edital será publicado com a compra das 36 mil toneladas que sobraram, com o objetivo de fechar a meta das 300 mil toneladas.

“Estamos comprando essas 300 mil toneladas e vamos avaliar agora o mercado. Se não houver necessidade não faremos mais compras. Mas, enquanto for preciso baratear o preço para os consumidores, nós vamos estar realizando os leilões. Nós queremos garantir um produto bem acessível aos consumidores”, disse Pretto.

De acordo com a Conab, não se sabe a procedência do arroz comprado. Os lotes arrematados foram para os estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco e São Paulo. Já os lotes destinados para o Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Tocantins não foram comercializados.

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“Essa compra não vai servir para a formação de estoque porque nosso objetivo é que esse produto, uma vez internalizado, seja rapidamente disponibilizado para os consumidores. Aqui a questão de abastecimento e de preço já está colocada e o que nós queremos é que esse produto chegue o mais rápido possível à mesa do povo brasileiro”, informou o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Sílvio Porto.


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