O Banco do Brasil reconheceu no quarto trimestre de 2025 (4T25) uma perda de R$ 3,6 bilhões associada a uma operação de crédito que tinha como garantia ações da Braskem, oferecidas pela Novonor. O evento foi classificado como inadimplência superior a 90 dias na carteira de títulos e valores mobiliários (TVM), afetando diretamente o resultado contábil do banco e seus indicadores de risco.
Embora o BB não tenha citado nominalmente o cliente em seu balanço, fontes de mercado apontaram que o caso envolve a reestruturação de dívidas da Novonor, que utilizou sua participação na Braskem como colateral junto a um pool de credores.
Como ações da Braskem viraram o centro do prejuízo no Banco do Brasil
A Novonor vinha negociando a transferência dessas garantias para um fundo especializado em ativos estressados, no contexto de reestruturação de aproximadamente R$ 20 bilhões em dívidas. Durante o processo de migração da exposição, o crédito passou a ser classificado como inadimplente no balanço do Banco do Brasil, gerando o impacto contábil de R$ 3,6 bilhões.
É crucial destacar: não se trata de inadimplência operacional da Braskem, mas de uma operação estruturada cujo colateral eram ações da companhia. Ainda assim, o mercado reagiu com volatilidade nos papéis da petroquímica, refletindo ruído informacional e percepção de risco jurídico-financeiro.
VEJA: Moraes e dono do Banco Master apreciavam charutos e vinhos caros em sala secreta
Acesse as notícias que enriquecem seu dia em tempo real, do mercado econômico e de investimentos aos temas relevantes do Brasil e do mundo faça parte da lista Vip Clique aqui.
A Braskem afirmou publicamente estar adimplente e sem dívidas junto ao Banco do Brasil.
Por que o impacto foi de R$ 3,6 bilhões?
O efeito foi relevante sobre o índice de cobertura para créditos de liquidação duvidosa:
- Índice reportado no 4T25: 155,4%
- Índice ajustado, excluindo o evento: 164,7%
Essa diferença altera a leitura sobre o colchão de provisões do banco e afeta modelos de valuation baseados em qualidade de carteira e custo do risco (cost of risk).
Do ponto de vista contábil, a operação evidencia como instrumentos com garantias acionárias podem gerar volatilidade no resultado quando há transição de controle do crédito ou reclassificação regulatória.
Efeito nos indicadores de risco do BB
Casos como este expõem três pontos críticos para análise:
1. Risco de colateral concentrado
Quando a garantia está vinculada a ações listadas, o valor do colateral depende diretamente da cotação de mercado.
2. Estruturação jurídica complexa
Reestruturações envolvendo fundos especializados e cessão de crédito podem gerar desenquadramentos temporários nos critérios contábeis.
3. Efeito reputacional indireto
Mesmo sem inadimplência direta da Braskem, o vínculo do nome da companhia ao episódio impactou a percepção de risco no curto prazo.
Prejuízo recorrente ou evento isolado?
A administração do Banco do Brasil classificou o caso como pontual e indicou que não espera impactos adicionais no trimestre seguinte. Isso sugere que o prejuízo foi majoritariamente contábil, ligado à reclassificação da operação, e não a deterioração estrutural da carteira.
Para o investidor, o ponto central é separar:
- Impacto econômico real
- Impacto contábil temporário
- Potencial de recuperação do crédito via garantias
O que tudo significa na estratégica
O prejuízo de R$ 3,6 bilhões do Banco do Brasil relacionado a garantias da Braskem não decorre de colapso operacional da petroquímica, mas de uma operação estruturada envolvendo a Novonor e reclassificação de crédito.
Ainda assim, o episódio reforça como:
- Operações com garantias acionárias podem gerar volatilidade relevante;
- Reestruturações corporativas afetam bancos credores;
- Indicadores de risco precisam ser analisados com ajuste para eventos não recorrentes.
Para análise fundamentalista, o caso exige leitura técnica do balanço e compreensão da mecânica de garantias, provisões e cessão de crédito — evitando conclusões simplistas baseadas apenas no prejuízo nominal reportado








