A pouco mais de seis meses do primeiro turno presidencial, a pesquisa registra 61% de desaprovação de Lula, segundo levantamento do PoderData. Trata-se do nível mais elevado desde março de 2024, quando a metodologia passou a utilizar perguntas binárias diretas (aprova/desaprova), aumentando a sensibilidade da leitura de humor do eleitor.
O dado não vem isolado — ele se insere em uma deterioração mais ampla da percepção pública.
Descolamento entre imagem pessoal e avaliação do governo Lula
A pesquisa mostra um ponto técnico relevante:
o eleitor penaliza mais o presidente do que o governo como estrutura.
- Desaprovação pessoal de Lula: 61%
- Desaprovação do governo federal: 57%
- Aprovação do governo: 37%
Esse “gap” é um indicador clássico de desgaste político individual — quando a figura do líder passa a carregar mais rejeição do que a própria máquina pública.
Leitura estratégica
isso importa porque mercados e grandes players institucionais não reagem apenas a dados macroeconômicos, mas também à estabilidade política percebida no governo Lula. Quanto maior o ruído político, maior o prêmio de risco embutido em ativos brasileiros.
O que o mercado enxerga (e o varejo normalmente ignora)
Há três camadas de impacto que não aparecem na manchete:
1. Risco de agenda travada
Alta desaprovação de Lula reduz capital político para avançar pautas estruturais (fiscal, tributária, gastos).
→ Resultado: aumento de incerteza regulatória.
2. Pressão sobre gastos públicos
Governos com desgaste tendem a:
- ampliar políticas de curto prazo
- priorizar estímulos populistas
→ impacto direto em déficit e trajetória da dívida
3. Reprecificação de ativos
Investidores institucionais ajustam posição em:
- câmbio
- juros futuros
- bolsa
Tradução prática: volatilidade aumenta antes mesmo de qualquer mudança concreta.
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A mecânica por trás da pesquisa (o detalhe que quase ninguém explica)
O PoderData utiliza modelo binário direto (aprova/desaprova), diferente de pesquisas tradicionais com escalas mais amplas (ótimo/bom/regular/ruim/péssimo).
Isso gera dois efeitos:
- Menos “zona cinzenta” (neutros desaparecem)
- Maior polarização nos números
Ou seja:
61% aqui tende a refletir rejeição mais consolidada, não apenas insatisfação momentânea.
A pesquisa PoderData foi realizada de 21 a 23 de março de 2026. Foram entrevistadas 2.500 pessoas com 16 anos de idade ou mais em 132 municípios nas 27 unidades da Federação. Foi aplicada uma ponderação paramétrica para compensar desproporcionalidades nas variáveis de sexo, idade, grau de instrução, região e renda. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
A avaliação do governo como um todo também oscilou desfavoravelmente ao petista, mas menos do que no caso do desempenho pessoal do presidente. A aprovação da administração federal está no menor patamar desde o início do mandato e a desaprovação subiu 6 pontos percentuais desde setembro de 2025.
Sinal eleitoral antecipado
Com o primeiro turno se aproximando, esse nível de desaprovação:
- reduz margem para recuperação de imagem
- aumenta dependência de narrativa econômica
- eleva o peso de eventos exógenos (crises, escândalos, choques externos)
Historicamente, incumbentes com rejeição acima de 60% entram em zona de risco competitivo elevado.
Outro dado chama atenção: a comparação com o governo anterior. Hoje, 42% dos eleitores dizem preferir a gestão de Jair Bolsonaro, contra 32% que consideram o atual governo melhor. Em janeiro, essa diferença era menor. A queda de 8 pontos na vantagem relativa de Lula nesse indicador amplia o espaço político da oposição.
Ponto de atenção (o que monitorar daqui pra frente)
Para leitura profissional, os próximos vetores críticos são:
- evolução da aprovação do governo (não só pessoal)
- percepção de inflação e renda
- taxa de rejeição vs. intenção de voto (quando divulgada)
- comportamento de juros longos e câmbio
Se houver convergência negativa entre política e macro, o efeito tende a ser amplificado.
O número de 61% não é apenas um dado político — é um indicador de risco sistêmico em formação.
Ele sinaliza:
- menor previsibilidade institucional
- potencial pressão fiscal
- aumento de volatilidade nos mercados







