PF deixa Mendonça de lado no caso Banco Master e leva Dark Horse para Dino

Polícia Federal não apresentou diligências relevantes ao ministro no inquérito sobre os R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro e concentrou pedidos em investigação de Dino sobre emendas ligadas ao filme

A Polícia Federal adotou caminhos diferentes nas duas investigações que envolvem o filme Dark Horse no Supremo Tribunal Federal. Enquanto o ministro André Mendonça conduz o inquérito aberto para apurar os R$ 61 milhões repassados por Daniel Vorcaro, do Banco Master, à produção, a PF não apresentou a ele, durante cerca de 50 dias, pedidos relevantes de diligências. No mesmo período, a corporação levou solicitações ao ministro Flávio Dino, que conduz uma investigação paralela sobre o uso de emendas parlamentares relacionadas ao filme.

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Duas investigações sobre o mesmo filme

A diferença está na origem de cada investigação.

O inquérito de Mendonça foi aberto em 22 de julho para apurar os repasses de Daniel Vorcaro ao Dark Horse e o destino dos recursos. O ministro incluiu Flávio Bolsonaro como investigado no procedimento. Flávio elogiou a atitude de Mendonça dizendo que: “ele está fazendo seu papel deve investigar, não tenho nada a temer”.

Já a investigação conduzida por Dino as vésperas da eleição decidiu entrar no caso por outra frente porque afirmou suspeitar de: recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas à produção do filme.

Segundo o STF, a investigação apura suspeitas que não tiveram nenhum fundamento divulgado até o momento, de desvio de recursos públicos destinados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura, presididos por Karina Ferreira da Gama.

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O conflito entre Mendonça, Andrei e a cúpula da PF

A diferença de atuação da PF nos dois procedimentos ocorre em meio a um conflito já aberto entre André Mendonça e a direção da Polícia Federal. Em 8 de setembro, Mendonça afastou cautelarmente o diretor-geral Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Leandro Almada, depois de apontar como grave e ilícita a produção de relatórios de inteligência que o tinham como alvo. Segundo Mendonça, ao menos seis relatórios haviam sido produzidos entre 3 e 31 de agosto.

A medida provocou reação dentro da própria PF. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) aliada a Andrei criticou o afastamento e afirmou que houve “atropelo aos ritos processuais”. Além disso, 11 dos 13 diretores da corporação indicados por Andrei, colocaram seus cargos à disposição, mas continuam nos cargos.

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O conflito entre Mendonça e Andrei já vinha de antes. Segundo a Folha, o diretor-geral reclamava de interferências do ministro na autonomia da corporação, enquanto Mendonça cobrava da PF, entre outros pontos, avanços nas investigações sob sua relatoria.

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No dia seguinte ao afastamento, 9 de setembro, Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei e Leandro no âmbito do procedimento que investiga o uso de emendas parlamentares relacionadas ao Dark Horse. Dino argumentou que a interrupção da produção de relatórios da PF poderia prejudicar as investigações sob sua relatoria.

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No dia seguinte à decisão de Dino, 10 de setembro, a PF deflagrou a Operação Make Up, autorizada pelo próprio Dino, com buscas relacionadas à investigação sobre emendas destinadas a entidades ligadas à produção do filme.

A sequência — afastamento de Andrei por Mendonça, reintegração por Dino e, no dia seguinte, operação da PF no Dark Horse — tornou ainda mais evidente o conflito entre as duas frentes de investigação.

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A orientação atribuída a Gilmar

O episódio também ocorreu poucos dias depois de uma reunião entre Gilmar Mendes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo reportagem do Estadão, reproduzida por outros veículos, Gilmar teria orientado o presidente a adotar uma postura mais firme diante de decisões de Mendonça e defendido que a PF reagisse a determinações consideradas ilegais ou excessivas, inclusive recorrendo à Justiça para questioná-las.

A reportagem também relatou que, na conversa, Gilmar teria mencionado decisões de Mendonça que restringiam o acesso da PF a materiais das investigações e determinavam a remessa de processos ao gabinete do relator. O episódio é relevante para o contexto porque ocorreu antes do afastamento de Andrei e em meio à disputa sobre os limites da atuação da PF nas investigações do Master e do INSS.

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PF pediu diligências a Dino

Foi nessa segunda frente que a atuação da PF avançou.

Em 10 de setembro após Mendonça pedir afastamento do Chefe da PF por ser citado no caso Master, Dino, pediu a recondução de Andrei Rodrigues á PF e autorizou, a pedido da Polícia Federal, a Operação Make Up, com mandados de busca e apreensão contra investigados no caso.

Entre os alvos estavam o deputado Mário Frias e Karina Ferreira da Gama, ligada às entidades que supostamente receberam os recursos e à produtora responsável pelo filme. Karina já afirmou publicamente que “estão querendo fazer com ela o que foi feito com Mauro Cid, que foi usado por Moraes para delatar de alguma forma Bolsonaro, mas não farão”

Segundo o assessoria de Dino, os investigadores apuram se recursos provenientes de emendas parlamentares foram desviados para outras finalidades, entre elas despesas relacionadas à produção de Dark Horse.

O contraste com Mendonça

O ponto central está na diferença de tratamento entre os dois procedimentos.

Segundo o Metrópoles, passados cerca de 50 dias da abertura do inquérito de Mendonça, a PF não havia solicitado ao ministro diligências investigativas relevantes.

Ao mesmo tempo, a corporação apresentou pedidos no procedimento de Dino, que resultaram na operação de busca e apreensão de 10 de setembro.

Assim, o mesmo filme passou a ser investigado no STF por duas frentes distintas: uma relacionada diretamente ao dinheiro de Vorcaro e ao Banco Master, sob Mendonça, e outra relacionada a emendas parlamentares, sob Dino.

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O que a PF alegou sobre a escolha

Segundo fontes da Polícia Federal ouvidas pelo Metrópoles, a decisão de concentrar pedidos em Dino teria sido uma questão de estratégia da investigação e estaria relacionada à desconfiança em relação a Mendonça.

O diretor da PF, indicado por Lula, é citado nas mensagens do Banco Master, e também teve suas despesas no evento que culminou em degustação de uísque de luxo custeado pelo Banco Master.

Um delegado da diretoria da PF ouvido pela coluna afirmou que havia diligências que independiam do relator e que a corporação não queria “atrapalhar” uma investigação conduzida por Dino.

A informação é relevante porque mostra que, segundo a reportagem, a escolha do caminho investigativo não ocorreu apenas pela existência de procedimentos diferentes, mas também por uma decisão atribuída a integrantes da própria PF.

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Lucy Costa
Lucy Costa
Jornalista especializada em finanças e estatística. Você gosta de meus conteúdos? Entre em contato; email: [email protected]

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