Fake news contra Flávio explode na reta final da eleição enquanto PF amplia apurações sobre Master, Lulinha e STF

Boato sobre Nossa Senhora Aparecida chega a 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações; no mesmo período, PF passa a investigar possíveis irregularidades na CVM e novos documentos colocam Lulinha e ministros do STF no centro do caso Master

Uma informação falsa que associou Flávio Bolsonaro a um projeto de 2007 para alterar o título de Nossa Senhora Aparecida alcançou 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações nas redes sociais em apenas dois dias, tornando-se o 3º maior evento político monitorado pelo Instituto Democracia em Xeque em 2026. A explosão ocorreu em 24 e 25 de setembro, na reta final da eleição, simultaneamente a novas revelações e decisões relacionadas às investigações do Banco Master, envolvendo Lulinha, ministros do STF e autoridades da administração pública.

O dado central não permite afirmar que houve uma operação coordenada para desviar a atenção. Mas permite documentar uma coincidência temporal relevante: enquanto o caso Master produzia novos fatos de interesse público, a narrativa sobre Flávio e Nossa Senhora Aparecida passou a ocupar uma parcela extraordinária da agenda política digital.

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O projeto existiu. Flávio não foi o autor

O ponto documental é objetivo.

O PL 2.623/2007 foi apresentado em 12 de dezembro de 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli (PMDB-MT). A proposta pretendia substituir, na legislação do feriado de 12 de outubro, a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

O projeto foi arquivado em 22 de agosto de 2008, depois de rejeitado na comissão que analisou seu mérito. Não está em tramitação.

Portanto, são duas informações diferentes:

  • o projeto para alterar o título de Nossa Senhora Aparecida existiu;
  • ele não foi apresentado por Flávio Bolsonaro.

A associação entre o candidato e a proposta de 2007 foi a informação que viralizou em setembro de 2026.

A correção não interrompeu a viralização

Após a repercussão, a GloboNews corrigiu a informação e pediu desculpas.

O episódio, entretanto, continuou crescendo nas redes.

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Segundo o Instituto Democracia em Xeque, foram contabilizadas 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações até as 14h de 26 de setembro. O volume colocou o tema atrás apenas de dois outros eventos no ranking de assuntos políticos monitorados pelo instituto em 2026.

O levantamento também identificou uma forte participação de perfis classificados pelo instituto como de esquerda no recorte de contas políticas analisadas.

Em 345 publicações de perfis políticos, 66% foram classificados como provenientes de perfis de esquerda e 33% de perfis de extrema-direita. Nas interações, a divisão foi de 70% para 30%. Esses percentuais refletem a metodologia do instituto e não representam o conjunto dos usuários das redes ou do eleitorado.

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A outra pauta: PF amplia a investigação do caso Master

A explosão da narrativa ocorreu no mesmo período em que o caso Banco Master produzia novos fatos institucionais.

Em 24 de setembro, o ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal investigasse possíveis irregularidades na atuação da CVM relacionadas ao Banco Master.

A decisão se baseou em relatório de grupo de trabalho da própria CVM. Segundo o documento citado pelo STF, foram identificadas falhas de divulgação de informações em 73% de 314 processos relacionados ao grupo econômico, além de deficiências de compliance e ocorrências envolvendo possíveis fraudes contra investidores, uso indevido de informação privilegiada e manipulação de mercado.

Dino afirmou que os elementos ultrapassariam a esfera de irregularidades exclusivamente administrativas e determinou a apuração de eventuais ilícitos envolvendo agentes públicos e autoridades de alto escalão que teriam influenciado processos decisórios na autarquia. A investigação ainda está em curso.

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Lulinha também entrou no confronto sobre o alcance da investigação

Poucos dias antes da explosão da fake news, documentos relacionados ao caso Master e ao INSS haviam provocado uma disputa dentro do STF sobre o tratamento dado a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Em manifestação tornada pública em 22 de setembro, André Mendonça contestou informação de relatório da PF segundo a qual Lulinha seria “terceiro não investigado”.

Mendonça afirmou que a informação era incorreta e apontou que Lulinha figurava entre os alvos de medidas requeridas pela PF em determinadas petições.

O episódio integra uma disputa mais ampla entre ministros do STF sobre a condução das investigações do Master e do INSS.

E o STF também estava no centro do caso

O caso Master já havia provocado uma disputa pública entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Moraes questionou a condução das investigações por Mendonça e pediu providências ao presidente do STF, Edson Fachin. Mendonça, por sua vez, contestou as acusações e defendeu a regularidade de sua atuação.

Documentos analisados pela PF também trouxeram ao debate a relação de Daniel Vorcaro com autoridades e pessoas próximas a integrantes do Supremo. As informações são objeto de contestação pelas partes envolvidas e não equivalem, por si só, a comprovação de ilícitos.

Esse contexto estava no noticiário nacional quando a narrativa sobre Flávio e Nossa Senhora Aparecida começou a dominar as redes.

O ponto que ficou fora do debate

O fato mensurável é outro:

uma narrativa falsa sobre Flávio Bolsonaro alcançou quase 1 milhão de publicações e 8,5 milhões de interações justamente nos dias 24 e 25 de setembro, enquanto investigações da PF e decisões do STF produziam novos fatos sobre Banco Master, CVM e Lulinha.

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Lucy Costa
Lucy Costa
Jornalista especializada em finanças e estatística. Você gosta de meus conteúdos? Entre em contato; email: [email protected]

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