A Câmara dos Deputados aprovou a PEC chamada de Fim da escala 6×1 que acaba com a tradicional escala 6×1 e impõe um novo limite à jornada semanal de trabalho no Brasil. O texto passou em dois turnos com ampla maioria e agora segue para o Senado, onde deve enfrentar forte resistência do setor produtivo e de parlamentares da oposição.
Na prática, a proposta reduz a carga horária semanal permitida de 44 para 40 horas sem redução salarial e amplia a exigência de descanso semanal. Para críticos da medida, porém, o principal efeito não é apenas trabalhista, mas econômico: a PEC passa a limitar a possibilidade de o trabalhador aumentar sua renda trabalhando mais horas legalmente.
A votação registrou:
- 472 votos favoráveis e 22 contrários no 1º turno;
- 461 votos favoráveis e 19 contrários no 2º turno.
O texto prevê:
- jornada máxima de 40 horas semanais;
- dois dias de descanso semanal remunerado;
- manutenção salarial;
- transição gradual para adaptação das empresas;
- possibilidade de compensações via negociação coletiva.
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Deputados que votaram contra a PEC no 1º turno
Os votos contrários ficaram concentrados principalmente em parlamentares ligados à direita econômica e partidos defensores de menor intervenção estatal nas relações trabalhistas. Todos deputados do PT e partidos aliados foram a favor da PEC.
PL
- Bibo Nunes (RS)
- Caroline de Toni (SC)
- Daniel Freitas (SC)
- Daniela Reinehr (SC)
- Julia Zanatta (SC)
- Mauricio Marcon (RS)
- Nicoletti (RR)
- Paulo Marinho Jr. (MA)
- Ricardo Guidi (SC)
- Rosangela Moro (SP)
- Zé Trovão (SC)
Novo
- Adriana Ventura (SP)
- Gilson Marques (SC)
- Marcel van Hattem (RS)
- Ricardo Salles (SP)
MDB
- Carlos Chiodini (SC)
- Pezenti (SC)
União Brasil
- Fabio Schiochet (SC)
- Fausto Pinato (SP)
PSD
- Lucas Redecker (RS)
PP
- Sergio Turra (RS)
Missão
- Kim Kataguiri (SP)
Quem votou contra no 2º turno
PL
- Bibo Nunes (RS)
- Caroline de Toni (SC)
- Daniel Freitas (SC)
- Daniela Reinehr (SC)
- Julia Zanatta (SC)
- Mauricio Marcon (RS)
- Nicoletti (RR)
- Ricardo Guidi (SC)
- Rosangela Moro (SP)
Novo
- Adriana Ventura (SP)
- Gilson Marques (SC)
- Marcel van Hattem (RS)
- Ricardo Salles (SP)
MDB
- Carlos Chiodini (SC)
- Pezenti (SC)
União Brasil
- Fabio Schiochet (SC)
PSD
- Lucas Redecker (RS)
PP
- Sergio Turra (RS)
Missão
- Kim Kataguiri (SP)
Mudanças no segundo turno:
- Fausto Pinato mudou o voto para favorável;
- Paulo Marinho Jr. não participou da votação;
- Zé Trovão não votou no segundo turno.
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Críticos dizem que PEC limita liberdade econômica do trabalhador
O debate em torno da proposta ultrapassou a discussão tradicional sobre qualidade de vida. Parlamentares contrários afirmam que o texto cria uma limitação legal para trabalhadores que desejam ampliar a própria renda por meio de jornadas maiores.
Segundo críticos da PEC:
- trabalhadores poderão perder oportunidades de renda extra;
- empresas terão menos flexibilidade operacional;
- setores com alta demanda poderão reduzir horas disponíveis;
- haverá pressão para automação e informalidade;
- pequenos negócios serão os mais afetados.
Deputados da oposição também argumentam que muitos brasileiros aceitam jornadas maiores justamente para complementar renda diante do alto custo de vida e da inflação acumulada nos últimos anos.
Empresários alertam para inflação e aumento de custos
Entidades do comércio, indústria e serviços afirmam que a mudança poderá provocar:
- aumento da folha salarial;
- necessidade de contratação adicional;
- encarecimento de serviços;
- repasse de custos ao consumidor;
- perda de competitividade.
Setores como supermercados, restaurantes, hotéis, logística e varejo são apontados como os mais expostos ao impacto da mudança.
Economistas ligados ao setor produtivo também alertam que empresas menores poderão enfrentar dificuldades para manter margens de operação sem reajustes de preços.

Governo e sindicatos comemoram próximo a eleição
O governo Lula e centrais sindicais aliadas classificaram a aprovação como uma vitória histórica dos trabalhadores.
Defensores da PEC afirmam que:
- jornadas menores aumentam produtividade;
- reduzem desgaste físico e mental;
- melhoram qualidade de vida;
- aproximam o Brasil de modelos adotados em economias desenvolvidas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o resultado e afirmou que a medida representa “avanço civilizatório” nas relações trabalhistas.
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Sindicatos ganham força política, financeira e poder de negociação com avanço da PEC
Além da discussão sobre jornada de trabalho, a PEC do fim da escala 6×1 também reacendeu o debate sobre o fortalecimento dos sindicatos no Brasil. Para críticos da proposta, uma das principais consequências indiretas da mudança é justamente o aumento do poder político e econômico das entidades sindicais. Tira o poder de decisão do trabalhador e coloca na mão do sindicato.
Especialistas em relações trabalhistas apontam que a redução da jornada tende a ampliar a necessidade de:

- acordos coletivos;
- negociações setoriais;
- flexibilizações específicas;
- compensações de escala;
- bancos de horas;
- regras diferenciadas por categoria.
Na prática, isso recoloca sindicatos no centro das negociações entre empresas e trabalhadores.
Empresários e parlamentares da oposição afirmam que setores como comércio, restaurantes, hotéis, logística e indústria passarão a depender ainda mais de negociações sindicais para manter operações flexíveis e adaptar escalas de trabalho.
Outro ponto citado por críticos é o potencial aumento de arrecadação indireta das entidades sindicais. Desde a reforma trabalhista de 2017, sindicatos perderam bilhões com o fim da contribuição obrigatória. Com mais negociações coletivas, cresce também o espaço para cobranças de taxas negociais e contribuições assistenciais aprovadas em assembleias.
Centrais sindicais como CUT, Força Sindical, UGT e CTB se tornaram protagonistas na defesa da PEC e pressionam o Congresso por aprovação rápida da proposta.
Já defensores do texto afirmam que o fortalecimento das negociações coletivas representa maior proteção ao trabalhador e modernização das relações trabalhistas. Segundo sindicatos, jornadas menores aumentam produtividade, reduzem desgaste físico e melhoram qualidade de vida.
O tema, porém, segue altamente polarizado. Críticos afirmam que a PEC pode ampliar burocracia trabalhista, elevar custos operacionais e reduzir a liberdade do trabalhador de aumentar a própria renda por meio de jornadas maiores.
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Senado será decisivo
A proposta agora seguirá para o Senado, onde parlamentares ligados ao agronegócio, comércio e setor empresarial prometem ampliar o debate sobre os impactos econômicos da medida.
Entre os pontos que devem ser discutidos:
- regras de transição;
- flexibilizações setoriais;
- exceções para pequenos negócios;
- acordos coletivos;
- impacto fiscal e inflacionário.
A PEC do fim da escala 6×1 já se tornou uma das discussões econômicas e trabalhistas mais relevantes do país em 2026.


