PF cita fuga em carrinho de golfe e sumiço de eletrônicos em nova fase contra núcleo do Banco Master

Investigadores apontam tentativa de evasão, desaparecimento de eletrônicos e possível ocultação de provas sobre Banco Master em nova etapa da Operação Compliance Zero ligada ao Banco Master

A Polícia Federal afirma que Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, tentou deixar a própria residência em Trancoso, na Bahia, poucos minutos antes da chegada dos agentes federais em janeiro deste ano.

Segundo investigadores, computadores e aparelhos eletrônicos desapareceram do imóvel, enquanto a casa apresentava sinais de abandono repentino. O episódio passou a ser tratado como um dos fundamentos utilizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para autorizar nova prisão temporária na quinta fase da Operação Compliance Zero.

A investigação amplia a pressão sobre o entorno do Banco Master e aprofunda suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e movimentações financeiras consideradas irregulares.

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O que a PF encontrou na casa

Segundo documentos obtidos pelo g1, a suposta tentativa de evasão ocorreu durante operação realizada em 14 de janeiro de 2026.

Na decisão, André Mendonça afirma que Felipe Cançado Vorcaro deixou a residência em um carrinho de golfe em “circunstâncias incompatíveis com uma saída ordinária”.

Para os investigadores, a movimentação levantou suspeitas de tentativa de fuga e possível destruição ou ocultação de provas ligadas ao caso Banco Master.

Ao chegarem ao imóvel, os agentes encontraram:

  • quarto aberto;
  • ar-condicionado ligado;
  • roupas de cama desarrumadas;
  • objetos pessoais espalhados pela residência.

Ao mesmo tempo, segundo a PF, computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos não estavam no local.

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Na avaliação dos investigadores, a retirada seletiva desses equipamentos reforça suspeitas de ocultação de materiais considerados estratégicos para o avanço da investigação.

Por que o STF autorizou a prisão

A quinta fase da Operação Compliance Zero autorizou a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro por cinco dias, medida que poderá ser renovada conforme o avanço das apurações.

Na decisão, o STF considerou que a conduta descrita pela PF indicaria risco de interferência na investigação.

O desaparecimento de eletrônicos, combinado com a saída repentina da residência momentos antes da chegada dos agentes, foi interpretado como um possível indício de tentativa de ocultação de provas.

Até o momento, a defesa de Felipe Cançado Vorcaro não apresentou manifestação pública sobre as acusações.

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Como Felipe Vorcaro aparece na investigação

A Polícia Federal sustenta que Felipe Cançado Vorcaro integra o chamado núcleo financeiro-operacional investigado no caso Banco Master.

Segundo a investigação, ele teria participado de estruturas utilizadas para:

  • lavagem de dinheiro;
  • ocultação patrimonial;
  • movimentações societárias suspeitas;
  • circulação de recursos considerados irregulares.

A Operação Compliance Zero investiga supostas fraudes financeiras bilionárias envolvendo títulos financeiros falsos e estruturas empresariais utilizadas para movimentação de ativos.

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O elo entre Banco Master e Compliance Zero

A investigação busca entender como empresas e operadores financeiros teriam atuado em esquemas de circulação de recursos considerados atípicos pelas autoridades.

O nome “Compliance Zero”, segundo a PF, faz referência à suposta ausência de mecanismos internos eficazes para impedir práticas ilícitas nas estruturas investigadas.

O caso Banco Master ganhou dimensão nacional após as apurações alcançarem operadores financeiros, empresários e agentes políticos ligados ao entorno da instituição.

Embora as investigações ainda estejam em andamento e não exista condenação definitiva dos envolvidos, o avanço da operação aumenta a pressão reputacional sobre os agentes citados no inquérito.

Ciro Nogueira também entrou na mira

A nova fase da operação também atingiu o senador Ciro Nogueira e o irmão dele, Raimundo Nogueira.

As medidas foram autorizadas pelo STF devido ao foro privilegiado do parlamentar.

Segundo a PF, a investigação apura possíveis conexões entre estruturas empresariais, operadores financeiros e movimentações consideradas suspeitas dentro do esquema investigado.

Ciro Nogueira - senador
Ciro Nogueira. Imagem: Senado Federal

Pressão política e financeira aumenta

Nos bastidores de Brasília e do mercado financeiro, a nova fase da Operação Compliance Zero é vista como um avanço relevante sobre o núcleo político e operacional ligado ao caso Banco Master.

Investigações desse porte costumam elevar o monitoramento sobre:

  • governança corporativa;
  • compliance bancário;
  • operações estruturadas de crédito;
  • circulação de ativos financeiros;
  • risco reputacional no sistema financeiro.

Para o mercado, o avanço simultâneo sobre empresários, operadores financeiros e agentes políticos tende a ampliar a percepção de risco institucional em torno do caso.

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Lucy Costa
Lucy Costa
Jornalista especializada em finanças e estatística. Você gosta de meus conteúdos? Entre em contato; email: [email protected]
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