Senador uruguaio alerta: vitória de Flávio pode mudar rota do narcotráfico para o Uruguai. Cobra Orsi de aliança com Bolsonaro

INVESTIDORES BRASIL

Sebastián Da Silva relaciona uma eventual mudança na política brasileira de combate ao crime organizado à possível adaptação das rotas do tráfico e alerta para a posição estratégica do Uruguai

A eleição presidencial brasileira passou a ser discutida no Uruguai também sob a ótica do narcotráfico internacional. O senador Sebastián Da Silva, do Partido Nacional, levantou a possibilidade de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro altere a dinâmica das rotas utilizadas pelo crime organizado na região e faça do Uruguai uma alternativa logística diante de uma maior pressão sobre as organizações criminosas no Brasil.

Ao comentar o cenário brasileiro em entrevista En Perspectiva/Radiomundo, publicada em 6 de outubro de 2026, Da Silva utilizou a expressão “pista de aterrizagem” para se referir ao risco de o território uruguaio ganhar importância para o narcotráfico.

O ponto levantado pelo senador é outro: quando a pressão policial e a cooperação internacional mudam em um país, organizações criminosas transnacionais podem tentar adaptar suas rotas, pontos de armazenamento e estruturas logísticas.

E o alerta ocorre em um momento especialmente sensível para o Uruguai. O próprio Da Silva afirmou nesta semana que o país é utilizado como área de armazenamento de cocaína destinada aos mercados europeus.

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Resumo executivo

  • Sebastián Da Silva relacionou a eleição brasileira a possíveis mudanças nas rotas regionais do narcotráfico.
  • O senador levantou o risco de o Uruguai funcionar como uma espécie de “pista de aterrizagem” caso a política brasileira de combate ao crime organizado seja endurecida.
  • Flávio Bolsonaro anunciou que pretende colocar o Brasil no Escudo das Américas caso seja eleito.
  • A iniciativa reúne países em uma estratégia de cooperação contra o crime organizado e o tráfico de drogas.
  • O Uruguai já enfrenta operações de grande porte contra o narcotráfico: em setembro, a Operação Trazador apreendeu mais de 265 quilos de drogas, avaliados em quase US$ 2 milhões.
  • O próprio Da Silva afirmou que o Uruguai é utilizado para o acopio de cocaína destinada aos mercados europeus.
  • A eventual mudança de rotas é uma possibilidade levantada pelo senador, não uma previsão comprovada sobre o resultado de uma eventual política de Flávio.

Por que a eleição brasileira interessa ao Uruguai

O Brasil é o maior país da América do Sul, possui extensas fronteiras terrestres e concentra algumas das maiores organizações criminosas do continente. Qualquer mudança significativa na estratégia de combate ao tráfico pode produzir efeitos que ultrapassam o território brasileiro.

O senador não está dizendo que uma nova política brasileira automaticamente fará a cocaína “migrar” para o Uruguai. Ele chama atenção para a possibilidade de adaptação das organizações criminosas diante de uma mudança no nível de repressão.

Rotas internacionais de drogas não são estruturas fixas. Elas envolvem produção, transporte, armazenamento, distribuição, lavagem de dinheiro e acesso a mercados consumidores. Alterações em qualquer uma dessas etapas podem modificar a logística utilizada pelas organizações.

Flávio já anunciou uma mudança na estratégia brasileira

A hipótese levantada por Da Silva tem um elemento concreto no programa de Flávio Bolsonaro.

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Em 23 de setembro, o candidato afirmou que, se eleito, pretende colocar o Brasil no Escudo das Américas, iniciativa liderada pelos Estados Unidos para coordenar ações contra organizações criminosas e o tráfico de drogas no continente. O Brasil sob Lula é um dos poucos que não aderiu ao programa.

Flávio disse que pretende integrar o Brasil à iniciativa e defendeu uma atuação conjunta contra grupos classificados como narcoterroristas.

A proposta representa uma mudança na orientação internacional de segurança defendida pelo candidato.

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flávio bolsonaro
Flávio Bolsonaro. imagem: redes sociais

O Uruguai já enfrenta o problema

A preocupação de Da Silva não parte de um cenário hipotético em que o narcotráfico ainda não tivesse chegado ao Uruguai.

O país já é utilizado por organizações criminosas para atividades relacionadas ao tráfico internacional.

A própria Fiscalía General de la Nación uruguaia vem registrando investigações recentes contra organizações dedicadas ao tráfico de drogas e à lavagem de ativos, como na Operação Trazador.

Em 18 de setembro, a Polícia Nacional uruguaia divulgou os resultados da Operação Trazador, que apreendeu 265,744 quilos de drogas: 141,590 quilos de pasta-base e 124,154 quilos de cocaína.

Segundo o Ministério do Interior do Uruguai, a carga foi avaliada em quase US$ 2 milhões. A operação também resultou na apreensão de veículos e armas. A investigação identificou integrantes de uma organização que atuaria no transporte e armazenamento das drogas.

O episódio mostra que o território uruguaio já integra a logística de organizações criminosas que movimentam grandes volumes de drogas.

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PCC e Comando Vermelho já aparecem no mapa uruguaio

O alerta de Da Silva ganha peso porque organizações criminosas brasileiras já têm conexões identificadas no Uruguai. Relatórios de inteligência apontaram dezenas de integrantes de facções brasileiras presos no país, incluindo membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). Investigações também identificaram operações de criminosos uruguaios em colaboração com integrantes da facção brasileira.

O Comando Vermelho (CV) também aparece no radar das autoridades uruguaias por conexões e tentativas de atuação no país, embora a situação seja diferente da presença já documentada do PCC. Com 88 integrantes de cinco facções brasileiras presos no Uruguai, sendo 51 ligados ao PCC, segundo relatório de inteligência apresentado no Mercosul.

O dado central é que as redes criminosas brasileiras já atravessaram a fronteira. Por isso, uma eventual mudança nas rotas do narcotráfico afetaria uma estrutura regional que já existe.

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O próprio senador admite a dimensão internacional do problema

Em entrevista publicada em 6 de outubro, Da Silva afirmou que o Uruguai é “un país de acopio de cocaína destinada a mercados europeos” , um país de armazenamento de cocaína destinada aos mercados europeus.

“un país de acopio de cocaína destinada a mercados europeos” , um país de armazenamento de cocaína destinada aos mercados europeus.

Na mesma entrevista, ao discutir possíveis vínculos entre narcotráfico e política, o senador afirmou que organizações criminosas não operam apenas por meio de figuras tradicionalmente associadas ao crime.

Segundo Da Silva, “hay narcos de traje”, pessoas que podem apresentar aparência de respeitabilidade e circular em ambientes políticos e empresariais.

O senador defendeu que partidos e instituições estejam atentos à possibilidade de aproximação do crime organizado.

Isso cria uma conexão importante entre as duas declarações.

De um lado, Da Silva alerta para a possibilidade de mudança das rotas criminosas.

De outro, reconhece que o Uruguai já é utilizado como ponto de armazenamento de cocaína destinada à Europa.

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O caso Leiva mostrou outra vulnerabilidade

A discussão também ganhou uma dimensão política depois da condenação de um assessor ligado ao Partido Nacional por lavagem de dinheiro relacionada ao narcotráfico.

O caso envolveu uma operação policial que apreendeu 265 quilos de drogas, cerca de 3 milhões de pesos uruguaios, US$ 42.564, munições, veículos de alta gama e uma máquina de contar dinheiro.

Na ocasião, Da Silva classificou o episódio como grave e afirmou que situações desse tipo precisavam ser retiradas da estrutura partidária.

O senador também advertiu que criminosos podem tentar se aproximar de partidos políticos.

Dias depois, ao comentar o caso de Gonzalo Gómez, Da Silva ampliou o alerta para outras instituições e afirmou que não se pode ignorar possíveis aproximações entre narcotráfico e estruturas políticas.

O ponto relevante para esta reportagem é que a preocupação de Da Silva com o narcotráfico uruguaio já existia antes da atual disputa presidencial brasileira.

O que ninguém comenta: o crime organizado não precisa abandonar uma rota para criar outra

Existe uma diferença entre transferência e diversificação.

Uma organização criminosa não precisa abandonar completamente uma rota para começar a utilizar outra.

Ela pode manter determinados caminhos enquanto cria alternativas para reduzir riscos. Pode alterar pontos de armazenamento, transportadores, portos, aeroportos, fronteiras e mecanismos de lavagem de dinheiro.

Por isso, uma eventual maior pressão sobre as organizações criminosas no Brasil não permite concluir, por si só, que o tráfico simplesmente será deslocado para o Uruguai.

Mas também não permite ignorar a possibilidade de adaptação logística.

É justamente nesse espaço que está o alerta de Da Silva.

A expressão “pista de aterrizagem” funciona como uma imagem para um risco regional: o país vizinho pode acabar absorvendo parte da pressão produzida por uma mudança na política de segurança de uma economia muito maior.

Da Silva também cobra uma aproximação entre Orsi e Brasília

O alerta sobre narcotráfico está inserido em uma discussão política mais ampla.

Após o primeiro turno brasileiro, Da Silva comemorou o resultado de Flávio e criticou a relação do governo de Yamandú Orsi com Lula.

Em publicação nas redes sociais, o senador escreveu que “la derecha trae progreso y prosperidad” e defendeu uma aproximação do Uruguai com um eventual novo governo brasileiro.

Da Silva também afirmou que o interesse nacional deveria estar acima das afinidades ideológicas.

A posição é coerente com uma defesa que o senador já vinha fazendo: a política externa uruguaia deveria considerar os interesses econômicos e de segurança do país independentemente das afinidades políticas entre presidentes.

No caso da segurança, essa discussão pode ganhar peso se o Brasil efetivamente alterar sua estratégia internacional de combate ao crime organizado.

O que pode mudar para o Uruguai

Se Flávio vencer e implementar sua promessa de aproximar o Brasil do Escudo das Américas, será necessário observar pelo menos quatro frentes:

1. Cooperação policial
Maior compartilhamento de inteligência entre países pode elevar a pressão sobre organizações transnacionais.

2. Controle de fronteiras
Mudanças nos mecanismos de fiscalização podem alterar os custos e os riscos das rotas utilizadas pelo crime.

3. Portos e logística
O Uruguai possui uma posição estratégica para cargas destinadas ao mercado europeu, tornando a fiscalização portuária uma questão central.

4. Lavagem de dinheiro
A movimentação financeira pode acompanhar a mudança das rotas físicas. Combater o tráfico sem atingir sua estrutura financeira reduz a capacidade de desarticulação das organizações.

Nenhum desses efeitos é automático.

Mas são áreas que ajudam a explicar por que uma mudança na política brasileira de segurança pode ser relevante para Montevidéu, caso o país não esteja integrado ao Brasil no mesmo sentido de combate ao narcotráfico.

Fato, declaração e hipótese: o que já se sabe

Para evitar que o alerta seja confundido com uma previsão, é necessário separar as informações.

É fato que Flávio Bolsonaro anunciou a intenção de incluir o Brasil no Escudo das Américas caso seja eleito.

É fato que o Uruguai realizou recentemente uma operação que apreendeu mais de 265 quilos de drogas.

É fato que Sebastián Da Silva vem alertando publicamente sobre a presença do narcotráfico no país e sobre possíveis aproximações entre criminosos e estruturas políticas, criminosos infiltrados na política.

É declaração do senador a avaliação de que uma eventual mudança no cenário brasileiro pode criar condições para uma alteração das rotas do narcotráfico, incluindo maior pressão sobre o território uruguaio.

É hipótese, e não fato comprovado, afirmar que uma vitória de Flávio necessariamente fará o narcotráfico migrar do Brasil para o Uruguai. O próprio senador afirma que isso só ocorrerá de o presidente do Uruguai não mantiver diplomacia forte com o Brasil e união para o combate ao narcotráfico.

A eleição brasileira ganhou uma dimensão regional

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, levando os dois candidatos ao segundo turno marcado para 25 de outubro.

A disputa já produz efeitos políticos fora do Brasil.

No Uruguai, Sebastián Da Silva passou a discutir o resultado não apenas como uma mudança ideológica na política brasileira, mas como uma possível alteração no ambiente de segurança regional.

O cenário que ele apresenta é simples de entender, embora sua consequência ainda seja incerta:

se o Brasil elevar significativamente a pressão contra as organizações criminosas, essas organizações poderão procurar novas alternativas logísticas.

O Uruguai já está dentro do mapa internacional do narcotráfico.

Análise Investidores Brasil

A fala de Sebastián Da Silva introduz uma questão que normalmente desaparece quando a eleição brasileira é tratada apenas como disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O resultado da eleição pode ter consequências para além da política brasileira. Ajudar a fortalecer o Brasil no mundo e na América Latina.

Uma eventual mudança na estratégia de combate ao narcotráfico poderá alterar o nível de cooperação internacional, a pressão sobre organizações criminosas e, potencialmente, os cálculos logísticos dessas redes.

O Uruguai já enfrenta o problema. Já apreende grandes carregamentos, investiga organizações transnacionais e discute possíveis conexões entre narcotráfico e estruturas políticas.

Por isso, quando Da Silva fala em transformar o país em uma possível “pista de aterrizagem” diante de uma mudança no Brasil, ele não está descrevendo um fato consumado.

Está colocando sobre a mesa uma pergunta que Montevidéu terá de acompanhar:

se uma nova estratégia brasileira tornar determinadas rotas mais difíceis para o crime organizado, para onde irão os criminosos que não abandonarão o negócio?

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Regiane Alves
Regiane Alveshttp://www.investidoresbrasil.com.br
Estrategista focada em proteger o investidor pessoa física dos conflitos de interesse dos grandes bancos e corretoras. Jornalista com formação em Ciências Contábeis e especialização em Mercado de Capitais. Especialista em Criptomoedas e Blockchain pela Universidade de Nicósia
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