A investigação da Polícia Federal sobre o escândalo do Banco Master avançou para um dos núcleos políticos mais sensíveis do caso após investigadores apontarem que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria custeado viagens internacionais de luxo, hospedagens em hotéis cinco estrelas, jantares e despesas pessoais ligadas ao senador Ciro Nogueira.
Os detalhes aparecem em documentos da Operação Compliance Zero e reforçam a suspeita de que a relação entre o empresário e o parlamentar teria ultrapassado uma simples amizade pessoal para se transformar, segundo a PF, em um suposto esquema de troca de favores políticos e benefícios financeiros.
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A nova fase da investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que afirmou haver indícios de um “arranjo funcional” voltado à obtenção de vantagens mútuas.
PF cita hotéis de luxo, restaurantes e compras pessoais
De acordo com a investigação revelada pelo, a PF identificou ao menos três viagens internacionais supostamente custeadas por Daniel Vorcaro em benefício de Ciro Nogueira.
Os investigadores mencionam hospedagens em hotéis de luxo, refeições em restaurantes de alto padrão e até compras de roupas de inverno durante viagens ao exterior.
Entre os locais citados está o Park Hyatt New York, em Manhattan, hotel cuja diária pode ultrapassar milhares de dólares dependendo da suíte escolhida. A investigação também menciona o uso de cartões vinculados ao empresário para cobertura de despesas atribuídas ao senador e pessoas próximas.
Mensagens apreendidas pela PF mostram conversas sobre pagamento de contas em restaurantes e organização de gastos durante viagens internacionais. Em um dos diálogos citados nas investigações, interlocutores discutem despesas relacionadas a “Ciro/Flávia”, nome mencionado nos autos.
Como Felipe Vorcaro aparece na investigação
A Polícia Federal sustenta que Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, integra o chamado núcleo financeiro-operacional investigado no caso Banco Master. Ele cuidava dos pagamentos relacionados a Ciro Nogueira.
Segundo a investigação, ele teria participado de estruturas utilizadas para:
- lavagem de dinheiro;
- ocultação patrimonial;
- movimentações societárias suspeitas;
- circulação de recursos considerados irregulares.
Repasses mensais de até R$ 500 mil entraram no radar
Outro ponto considerado crítico pelos investigadores envolve pagamentos mensais atribuídos a Vorcaro.
Segundo a decisão judicial citada no caso, os valores teriam começado em aproximadamente R$ 300 mil e posteriormente alcançado R$ 500 mil mensais. A PF suspeita que operações empresariais e movimentações financeiras teriam sido usadas para ocultar a origem dos recursos.
Os investigadores afirmam que existem indícios de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e continuidade delitiva envolvendo estruturas empresariais ligadas aos investigados.
Emenda ao FGC virou peça central da investigação
O núcleo político da investigação gira em torno de uma emenda apresentada por Ciro Nogueira à PEC 65/2023, apelidada de Emenda Master.
A proposta previa elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante — medida que, segundo a PF, poderia beneficiar diretamente o Banco Master.
Os investigadores afirmam que o texto teria sido elaborado previamente pela assessoria do banco antes de ser apresentado no Congresso.
Documentos e mensagens citados pela investigação apontam que a minuta teria sido entregue em envelope destinado ao senador e posteriormente reproduzida “de forma integral” na proposta apresentada no Senado.
A decisão judicial também menciona mensagens atribuídas a Vorcaro nas quais o empresário afirma que a emenda “saiu exatamente como mandei”.
Internamente, segundo a PF, integrantes ligados ao banco avaliavam que a mudança poderia multiplicar os negócios da instituição financeira e provocar forte impacto no mercado.
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André Mendonça autorizou buscas contra senador
As medidas de busca e apreensão contra Ciro Nogueira foram autorizadas pelo ministro André Mendonça no âmbito da quinta fase da Operação Compliance Zero.
Na decisão, o magistrado afirmou que os elementos reunidos indicam uma relação que “extrapola relações de mera amizade”.
A investigação também menciona suspeitas envolvendo aquisição de participação societária com forte deságio, utilização de imóveis de luxo e possíveis benefícios indiretos relacionados ao grupo econômico investigado.

Defesas negam irregularidades
A defesa de Ciro Nogueira afirma que o senador não cometeu irregularidades e está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
Os advogados também criticaram medidas investigativas baseadas em trocas de mensagens atribuídas a terceiros e afirmaram repudiar “qualquer ilação de ilicitude”.
Já a defesa de Daniel Vorcaro contesta as acusações e conduz negociações relacionadas a um possível acordo de colaboração premiada no caso Master.
Caso Master se transforma em uma das maiores crises político-financeiras e do judiciário recentes
O avanço da Operação Compliance Zero ampliou a dimensão política do escândalo envolvendo o Banco Master e passou a atingir figuras centrais do Congresso e do sistema financeiro.
As investigações já alcançam empresários, operadores financeiros, executivos e agentes públicos com foro privilegiado, aumentando a pressão institucional sobre o caso.
Com a possibilidade de delações, novos desdobramentos da investigação e eventual vazamento de anexos ligados ao caso, a tendência é que o escândalo continue produzindo efeitos políticos e jurídicos ao longo de 2026.


