O Senado Federal mantém parado há 610 dias o funcionamento do Conselho de Ética, órgão responsável por analisar denúncias de quebra de decoro parlamentar e recomendar punições disciplinares a senadores e análises de impeachment de ministros ligados ao escândalo do Banco Master.
A paralisação do colegiado cria um vazio institucional no sistema de responsabilização interna do Congresso, já que representações protocoladas contra parlamentares dependem da instalação e funcionamento do conselho para tramitar.
Sem reuniões e sem agenda deliberativa, denúncias apresentadas contra integrantes da Casa tendem a permanecer estagnadas na fase preliminar, sem investigação formal.
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Representação contra Davi Alcolumbre tende a ficar parada
Entre os casos afetados está uma representação protocolada pelo Partido Novo contra o presidente do Senado, o senador Davi Alcolumbre.
A iniciativa questiona a atuação do parlamentar na condução administrativa da Casa, especialmente em relação a dois temas sensíveis no atual ambiente político:
- a retenção de pedidos de instalação de CPIs envolvendo o Banco Master
- a ausência de encaminhamento de pedidos de impeachment contra o ministro do STF Alexandre de Moraes
Sem o Conselho de Ética funcionando, a representação não possui instância ativa para análise, o que na prática impede qualquer avanço processual.
Pressão por CPMI do INSS também entra no radar
Outro tema associado ao impasse envolve a tentativa de prorrogação da CPMI destinada a investigar fraudes no sistema previdenciário.
O senador Eduardo Girão defende a extensão dos trabalhos da comissão parlamentar mista que apura irregularidades relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A discussão se conecta ao ambiente de pressão institucional dentro do Senado, onde diferentes bancadas disputam espaço para investigações e CPIs — instrumentos que frequentemente se tornam fatores de tensão entre governo, oposição e Judiciário.
Última reunião ocorreu em julho de 2024
O histórico recente do Conselho de Ética evidencia um padrão prolongado de baixa atividade institucional.
Os registros indicam:
- última reunião realizada em julho de 2024
- na ocasião, quatro representações contra senadores foram analisadas
- todas acabaram arquivadas
O número reduzido de sessões reforça o diagnóstico de inatividade do colegiado:
- 2024: apenas uma reunião
- 2023: apenas duas reuniões
- 2020, 2021 e 2022: nenhuma reunião realizada
O cenário evidencia que o órgão disciplinar do Senado tem operado, na prática, de forma intermitente ou inexistente ao longo de vários anos legislativos.
Instalação do colegiado ainda não ocorreu no ano legislativo, com eleições 2026
Outro fator que explica a paralisação é que o Conselho de Ética ainda não foi formalmente instalado neste ano legislativo.
A instalação do colegiado depende de:
- indicação dos integrantes pelos partidos
- definição da presidência e relatorias
- aprovação da composição pela Mesa Diretora
Sem essas etapas, o conselho não possui competência formal para abrir processos ou deliberar sobre denúncias.
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Ano eleitoral amplia pressão e percepção de inércia institucional
O cenário ganha relevância adicional por ocorrer em ano eleitoral, período em que a demanda por transparência, responsabilização e resposta institucional tende a se intensificar.
Nesse contexto, a ausência de funcionamento do Conselho de Ética — somada à retenção de pautas sensíveis — amplia a leitura, em setores políticos e da opinião pública, de distanciamento entre a condução do Senado e demandas de accountability da sociedade.
Na prática, a condução adotada pela presidência da Casa passa a ser interpretada por críticos como inação diante de temas de interesse público, reforçando o desgaste institucional em um ciclo político naturalmente mais sensível a narrativas de responsabilidade e controle.
Função institucional do Conselho de Ética
O Conselho de Ética é o principal instrumento de autoregulação disciplinar do Senado.
Entre suas atribuições estão:
- analisar denúncias por quebra de decoro parlamentar
- instaurar processos disciplinares contra senadores
- produzir relatórios que podem recomendar punições
- sugerir sanções como advertência, censura ou cassação de mandato
A decisão final sobre eventuais punições cabe ao plenário do Senado, mas o processo depende obrigatoriamente da tramitação prévia no conselho.
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Função estratégica e risco institucional
O Conselho de Ética é o principal mecanismo de autoregulação disciplinar do Senado.
- Sua inatividade prolongada, especialmente em ano eleitoral, reduz a capacidade do Senado de processar conflitos dentro de sua própria estrutura, elevando o risco de:
- judicialização de disputas políticas
- amplificação de crises institucionais
- desgaste de credibilidade perante a opinião pública
Ponto de atenção
A combinação entre:
- Conselho de Ética inativo
- retenção de CPIs
- pressão por investigações relevantes
- e ambiente eleitoral
configura um cenário de baixa responsividade institucional em um momento de alta demanda por accountability, elemento que tende a influenciar tanto o debate político quanto a percepção pública sobre governança no Congresso.








