J&F dos irmãos Batista entra no radar de duas CPIs após Coaf identificar mais de R$ 55 milhões em pagamentos “atípicos”; relatório cruza dados e amplia pressão sobre grupo

Pagamentos milionários realizados pela holding J&F colocaram o conglomerado no centro de duas investigações no Congresso: a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado.

O ponto de convergência são relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que cruzaram dados financeiros de pessoas físicas e jurídicas investigadas, identificando padrões fora da normalidade — sem, por si só, caracterizar crime.

O que o Coaf chama de “atípico” — e por que isso pesa

No jargão de inteligência financeira, uma operação é classificada como “atípica” quando apresenta:

  • volume incompatível com o histórico da empresa
  • movimentações desproporcionais ao faturamento
  • relação com empresas sem atividade econômica compatível
  • redirecionamento ou fragmentação de recursos

Esse tipo de classificação funciona como gatilho de investigação, especialmente quando há conexões indiretas entre múltiplos agentes.

É importante lembrar que atualmente o COAF está subordinado ao Ministério da Fazenda de Lula, antes o Conselho trabalhava sob a estrutura do banco Central de deve ser independente.

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Defesa da J&F: serviços prestados, nota fiscal e auditoria

Em nota, a J&F afirma:

“todo pagamento que faz é referentes a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de todos os tributos devidos”.

O grupo acrescenta:

“mantém auditorias independentes que certificam e confirmam a governança e a retidão dos processos internos”.

A linha de defesa se ancora em:

  • lastro contratual
  • conformidade fiscal
  • auditoria independente

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CPMI do INSS: origem das citações e fluxo de R$ 55,6 milhões

As primeiras menções surgem após a quebra de sigilo do lobista Danilo Trento, apontado pela Polícia Federal como beneficiário de fraudes contra aposentados.

Relatório do Coaf indica:

  • R$ 55,6 milhões pagos pela J&F a empresas sob suspeita
  • R$ 28,6 milhões destinados a estruturas ligadas a Trento

Versão da empresa sobre os contratos

A holding sustenta que contratou as empresas para:

“serviços de estudos de mercado e prospecção de clientes”

E afirma que os contratos foram encerrados:

“assim que vieram a público as menções ao ex-sócio das empresas na CPMI do INSS”.

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T5 Participações e o alerta de estrutura incompatível

A CPI avançou sobre a T5 Participações, registrada em nome de uma beneficiária do Bolsa Família e apontada como possível “laranja”.

O Coaf classificou os pagamentos como atípicos por:

  • ausência de compatibilidade entre atividade econômica e volume financeiro

Esse tipo de estrutura é frequentemente associado a:

  • intermediação artificial
  • ocultação de beneficiário final

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Pagamentos sensíveis ampliam o risco político

Segundo apuração revelada com exclusividade pelo Estadão, os relatórios detalham:

  • R$ 25,9 milhões pagos a estrutura ligada à aquisição de cotas de resort anteriormente associado ao ministro Dias Toffoli
  • R$ 25 milhões destinados a escritório ligado ao entorno do governador Ibaneis Rocha, em 2025, meses após parceria com o PicPay
  • R$ 250 mil enviados a empresa recém-aberta do filho do deputado Arthur Lira

Declarações apresentadas

Toffoli:

“o negócio foi firmado exclusivamente com a PHB Holding”

Paulo Barbosa:

“os valores […] não têm qualquer relação com o resort”

Escritório ligado a Ibaneis:

“prestou e presta serviços advocatícios para o referido grupo em centenas de ações judiciais em múltiplas esferas”

Filho de Arthur Lira:

“atua, há mais de 5 anos, no setor de publicidade e marketing, possuindo diversos clientes corporativos”

“todos os pagamentos feitos a suas empresas são precedidos da emissão da respectiva nota fiscal e derivam de serviços regularmente prestados”

CPI do Crime Organizado: foco no sistema financeiro

A segunda frente amplia o escopo para entender como recursos transitam dentro do sistema financeiro nacional.

O caso envolve o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

O Coaf identificou:

  • R$ 6,6 milhões pagos à Consult Inteligência Tributária

O ponto de alerta técnico

  • faturamento histórico: R$ 25,5 mil
  • salto para milhões em curto intervalo

No mesmo período, a consultoria recebeu:

  • R$ 11,3 milhões da JBS — JBS N.V. (NYSE: JBS), com negociação no Brasil via BDRs (JBSS32)

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Defesa da consultoria

“a empresa nasceu para expandir o atendimento às regiões Sul e Sudeste”

“o grupo atua desde 2004, com outro CNPJ, atendendo mais de 300 empresas”

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O papel das CPIs nesse tipo de investigação

As CPIs:

  • quebram sigilos
  • cruzam informações
  • estruturam relatórios

E podem:

  • encaminhar casos ao Ministério Público
  • acionar reguladores
  • gerar impacto imediato na percepção de risco

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Leitura técnica

Sinais identificados:

  • fluxos elevados para empresas com baixa capacidade operacional
  • incompatibilidade econômica entre contratantes e prestadores
  • conexões indiretas com investigados

Não está comprovado ainda:

  • fraude
  • ilegalidade

Linha de defesa (J&F e demais):

  • serviços prestados
  • contratos válidos
  • regularidade fiscal

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Lucy Costa
Lucy Costa
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