O senador Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026, segundo levantamento nacional divulgado pela Gerp nesta quinta-feira (14).
De acordo com a pesquisa, Flávio teria 50% das intenções de voto contra 43% de Lula em um cenário direto de segundo turno.
O levantamento também mostra que os dois aparecem tecnicamente empatados nos cenários de primeiro turno testados pela pesquisa, reforçando o ambiente de polarização que já domina o debate político antecipado para 2026.
A sondagem foi realizada antes da divulgação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede patrocínio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio passou a circular nacionalmente nas últimas horas e adicionou um novo componente político à disputa. Contudo, Vorcaro também patrocinou filme de Lula e de Michel Temer.
A negociação do patrocínio do filme de Bolsonaro ocorreu em período quando Vorcaro era apenas um banqueiro sem suspeitas públicas de irregularidade.
Sequência de pesquisas mostra avanço competitivo de Flávio
O resultado da Gerp se soma a uma série de levantamentos divulgados nas últimas semanas indicando crescimento de Flávio Bolsonaro em cenários nacionais e estaduais.
Pesquisa Futura/Apex divulgada no início da semana mostrou Flávio com 46,9% contra 44,4% de Lula no segundo turno.
Outro levantamento Real Time Big Data havia apontado empate técnico entre os dois, com vantagem numérica do senador: 44% contra 43%.

Em recortes estaduais, o senador também apareceu à frente em estados estratégicos como São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, consolidando um padrão relevante para análise eleitoral de médio prazo.
A pesquisa também testou cenários de 2º turno com Ciro Gomes (PSDB), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Pablo Marçal (União Brasil).
A Gerp entrevistou 2.000 pessoas em território nacional de 8 a 12 de maio de 2026. A margem de erro é 2,24 pontos percentuais, para mais ou para menos. O grau de confiança do levantamento é de 95,5%. Está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-03369/2026. O estudo custou R$ 20.000,00 e foi pago com recursos próprios.
SAIBA: Após arrecadar bilhões com taxa das blusinhas, Lula recua a 5 meses da eleição
O dado mais relevante para o mercado político
O ponto mais relevante da pesquisa não é apenas a vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, mas o fato de ela ocorrer em meio a um ambiente de desgaste do governo Lula e aumento consistente da desaprovação presidencial em diferentes institutos.
Nas últimas semanas, levantamentos publicados por Quaest, Real Time Big Data, Futura/Apex e Meio/Ideia passaram a registrar:
- crescimento da rejeição de Lula;
- aumento da competitividade da direita em cenários de segundo turno;
- maior consolidação do eleitor conservador;
- dificuldade do governo em recuperar aprovação fora do Nordeste.
Além disso, pesquisas recentes mostram deterioração da confiança institucional e econômica em temas como imprensa, Judiciário e percepção de segurança pública — fatores historicamente relevantes em ciclos eleitorais de voto de protesto.
DECISÃO DE VOTO DA PESQUISA GERP:
A pesquisa mostrou que entre os eleitores que afirmaram que votarão em Lula, 83% dizem ter a decisão “totalmente definida”, enquanto 6% dizem que ainda podem mudar de ideia. Já entre os que declararam voto em Flávio, também são 83% com voto decidido e 3% que ainda podem mudar de ideia.
LEIA: Europa endurece regras contra carne brasileira e acende alerta bilionário no agro
Cenário mostra Lula com a máquina na mão em queda constante
Outro ponto que chama atenção no levantamento é que Lula disputa o cenário já ocupando a Presidência da República, com controle da máquina federal e anúncios sucessivos de programas sociais e medidas de forte apelo popular — entre eles a expansão de iniciativas como o “Gás para Todos”, ampliação de benefícios e novos pacotes de crédito.

Mesmo nesse contexto de exposição institucional diária e capacidade de agenda, Flávio Bolsonaro aparece competitivo e mantém trajetória de crescimento nas pesquisas recentes, fenômeno que começa a preocupar setores do governo e do mercado político.
Na prática, analistas enxergam que o dado reforça um ponto central para 2026: a direita permanece altamente mobilizada mesmo fora do poder federal.
Apesar da vantagem registrada pela Gerp, o cenário de 2026 ainda permanece altamente volátil.
A distância para a eleição, possíveis mudanças econômicas, investigações políticas, alianças partidárias e a definição oficial das candidaturas ainda podem alterar significativamente o quadro eleitoral.
Hoje, porém, os números indicam algo que até poucos meses parecia improvável para parte do establishment político: a possibilidade concreta de a direita chegar competitiva — e até favorita — em um eventual segundo turno presidencial.







