Banqueiro do BTG defende controle de gastos e diz que próximo presidente herdará economia “fácil de resolver”, enquanto empresas e consumidores seguem pressionados por juros altos e crédito caro
O banqueiro André Esteves afirmou que o próximo presidente da República deverá receber um Brasil “arrumadinho” do ponto de vista econômico. A declaração, feita durante um fórum empresarial, reforça a visão predominante em parte do mercado financeiro de que o país atravessa um cenário relativamente estável, apesar das pressões fiscais e políticas. As declarações ocorreram no evento do Grupo Esfera que ocorreu no Guarujá.
A leitura, porém, contrasta com a realidade enfrentada por grande parte das empresas e consumidores brasileiros, ainda impactados por juros elevados, crédito restrito, desaceleração do consumo e inflação acumulada em setores essenciais da economia.
“Quem quer que seja eleito em janeiro vai pegar um país arrumadinho, fácil de resolver”, afirmou o executivo do BTG Pactual.
Segundo Esteves, bastariam “três ou quatro medidas simples” para controlar o avanço dos gastos públicos e melhorar o ambiente econômico.
Visão do mercado financeiro contrasta com economia real
A fala do banqueiro representa uma percepção relativamente comum entre grandes instituições financeiras, que em couro observam uma narrativa de melhora em indicadores macroeconômicos como:
- desaceleração da inflação;
- estabilidade do sistema bancário;
- reservas internacionais elevadas;
- mercado de trabalho resiliente;
- desempenho do agronegócio;
- fluxo consistente de exportações.
No entanto, fora do setor financeiro, o ambiente segue mais desafiador e com números bem diferentes.
Empresários de diferentes segmentos continuam relatando:
- dificuldade de acesso ao crédito fornecido pelos bancos;
- queda no ritmo de consumo;
- aumento da inadimplência a ponto do governo Lula criar dois programas Desenrola em menos de 4 anos para fazer as pessoas rolarem dívidas que vão se acumulando;
- pressão sobre margens;
- custo elevado de financiamento oferecido pelos bancos;
- desaceleração de investimentos.
Enquanto bancos registram resultados bilionários impulsionados pelos juros elevados da gestão Lula, parte da economia produtiva enfrenta dificuldades para crescer em um ambiente de crédito caro.
Analistas observam que existe hoje um descompasso entre a percepção do mercado financeiro que tem lucrado como nunca, e a realidade enfrentada por empresas menores, varejo e consumidores.
Juros altos impulsionam lucro dos bancos
O atual patamar da taxa Selic continua beneficiando instituições financeiras, que vêm registrando lucros robustos mesmo em um ambiente de atividade econômica moderada. O próprio Banco Central já tratou sobre o crédito caro e juro recorde.
Com juros elevados:
- spreads bancários permanecem altos;
- aplicações financeiras se tornam mais rentáveis;
- receitas com crédito e serviços financeiros aumentam;
- bancos ampliam margens operacionais.
Por outro lado, pequenas e médias empresas enfrentam maior dificuldade para financiar expansão, contratar ou investir.
Especialistas apontam que o ambiente de juros elevados cria uma economia de dois ritmos:
- o sistema financeiro preserva rentabilidade;
- setores produtivos convivem com desaceleração e aumento do custo operacional.
- Os bancos em couro apoiaram a eleição de Lula em 2022 e foram os que mais lucraram segundo dados do Banco Central.
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Inflação ainda pesa no bolso da população
Embora os indicadores oficiais mostrem desaceleração inflacionária em relação aos picos recentes, o custo de vida segue pressionando famílias brasileiras.
Produtos e serviços essenciais continuam acumulando alta relevante em diversas regiões do país, especialmente em áreas como:
- alimentação;
- saúde;
- aluguel;
- energia;
- educação;
- serviços básicos.
Na prática, muitos consumidores ainda não percebem melhora significativa no poder de compra.
Economistas destacam que estabilidade macroeconômica e equilíbrio fiscal não se traduzem automaticamente em melhora imediata da renda da população.
Controle de gastos divide economistas
Durante o evento, André Esteves voltou a defender maior controle das despesas públicas, pauta tradicionalmente apoiada pelo mercado financeiro.
Defensores de uma política fiscal mais rígida argumentam que o equilíbrio das contas públicas é fundamental para:
- reduzir inflação;
- derrubar juros;
- atrair investimentos;
- fortalecer o câmbio;
- melhorar previsibilidade econômica.
Já críticos afirmam que cortes excessivos podem:
- reduzir investimentos públicos;
- frear crescimento;
- enfraquecer programas sociais;
- afetar geração de empregos.
O debate deve ganhar força nos próximos meses, especialmente com a aproximação das eleições presidenciais de 2026 e das discussões sobre trajetória da dívida pública e sustentabilidade fiscal.
Crime organizado preocupa mais que economia, diz banqueiro
Apesar do discurso relativamente otimista sobre a economia, André Esteves afirmou que sua principal preocupação hoje está relacionada ao avanço do crime organizado e da informalidade.
“A economia está moleza de resolver. Agora, essa guerra do Brasil institucional com o Brasil não institucional, essa a gente não pode perder”, declarou.
A fala ocorre em meio ao aumento das discussões sobre segurança pública, lavagem de dinheiro, expansão de facções criminosas e impacto da criminalidade sobre investimentos privados.
Especialistas apontam que insegurança institucional e avanço do crime organizado podem afetar:
- confiança empresarial;
- ambiente de negócios;
- atração de capital estrangeiro;
- competitividade econômica.
Banco Master também entrou no debate
O evento também abordou discussões envolvendo o Banco Master.
André Esteves negou irregularidades do BTG na distribuição de produtos ligados à instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro e afirmou que o banco tomou medidas após identificar sinais de risco na operação.
O caso ganhou repercussão no mercado financeiro após questionamentos sobre estrutura de captação, supervisão regulatória e exposição a ativos considerados mais arriscados.
Já Aloizio Mercadante defendeu fortalecimento institucional dos órgãos reguladores e atribuiu parte da responsabilidade do caso à gestão anterior do Banco Central.
Frases que marcaram o debate
“Quem quer que seja eleito em janeiro vai pegar um país arrumadinho.”
“A economia está moleza de resolver.”
“Essa guerra do Brasil institucional com o Brasil não institucional, essa a gente não pode perder.”



