Ministro Floriano de Azevedo Marques, amigo de Moraes, interrompe campanha do candidato que lidera numericamente a pesquisa para o Senado; fundamento retoma punição aplicada a procurador que permaneceu no cargo após decisão judicial. A liminar foi concedida depois da divulgação da pesquisa Paraná Pesquisas realizada entre 15 e 17 de setembro.
O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu na noite de sábado (19) a campanha de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado pelo Paraná. A decisão individual interrompe os atos de campanha até a análise do caso pelo plenário da Corte.
A medida ocorre pouco mais de duas semanas antes da eleição e depois de o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) ter autorizado a candidatura por 4 votos a 3. Dallagnol aparece numericamente na liderança da pesquisa mais recente para o Senado, com 31,6% das intenções de voto.
O TRE-PR, ao deferir o registro neste ano, entendeu que o cenário fático havia mudado. Já Floriano, na liminar, afirmou o contrário: que não houve alteração relevante desde 2023 e que havia urgência para evitar “distorção do voto” caso a candidatura fosse depois rejeitada.
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O fundamento retomado pelo TSE está ligado à punição aplicada em 2021 ao procurador Diogo Castor de Mattos, colega de Dallagnol na Lava Jato. Castor recebeu pena administrativa de demissão, mas a perda efetiva do cargo não aconteceu: a Justiça encerrou definitivamente o processo e ele permaneceu no Ministério Público Federal.
É essa sequência que coloca a decisão de 2026 no centro da disputa eleitoral: um fato usado como elemento na cassação de Dallagnol em 2023 não produziu, posteriormente, a consequência que havia sido considerada possível naquele julgamento.
O que aconteceu com Dallagnoll
Dallagnol deixou o Ministério Público Federal em novembro de 2021, quando havia procedimentos administrativos contra ele no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Em 2023, o TSE cassou seu registro para a eleição de 2022. A Corte entendeu que a saída do MPF havia ocorrido em contexto no qual os procedimentos poderiam evoluir para processos disciplinares capazes de gerar sanções que afetassem sua elegibilidade.
Um dos elementos considerados foi a punição de Diogo Castor, aplicada pelo CNMP poucos dias antes da exoneração de Dallagnol.
O caso de Castor, porém, teve outro desfecho.
A “demissão” que não tirou Castro do cargo, mas foi usada contra Dallagnoll
Em 2021, o CNMP aplicou a Castor pena administrativa de demissão por causa do pagamento, com recursos próprios, de um outdoor em homenagem à Lava Jato.
Por ser membro vitalício do Ministério Público, a perda do cargo dependia de ação judicial.
A ação não confirmou a demissão. O processo terminou definitivamente em favor de Castor em 2025, e ele permaneceu no MPF.
Portanto, a demissão administrativa existiu, mas a perda efetiva do cargo não ocorreu.
Esse fato posterior é central para a discussão de 2026.
O que mudou desde a decisão de 2023
Na análise da candidatura deste ano, o Ministério Público Eleitoral e o TRE-PR consideraram os desdobramentos dos procedimentos que haviam sido relevantes no julgamento de 2023.
O TRE-PR concluiu que o cenário havia mudado e deferiu o registro de Dallagnol por 4 votos a 3.
Floriano adotou entendimento diferente. Para o ministro, os acontecimentos posteriores não alteraram de forma suficiente o quadro jurídico estabelecido pelo TSE em 2023.
Com isso, uma decisão de um único inistro da Corte Superior suspendeu os efeitos do julgamento do tribunal paranaense antes da análise definitiva pelo plenário.
Dallagnoll está numericamente na liderança
A liminar foi concedida depois da divulgação da pesquisa Paraná Pesquisas realizada entre 15 e 17 de setembro.
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No cenário estimulado para o Senado:
- Deltan Dallagnol (Novo): 31,6%
- Alexandre Curi (Republicanos): 30,4%
- Filipe Barros (PL): 26,3%
- Gleisi Hoffmann (PT): 25,9%
Foram ouvidos 1.280 eleitores. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais. Como o Paraná elegerá dois senadores, cada entrevistado pode indicar dois nomes. Dallagnol e Curi estão numericamente à frente, mas os quatro primeiros estão dentro da margem de erro.
O dado, portanto, não permite afirmar que Dallagnol tenha liderança isolada. Mas mostra que a campanha suspensa é de um candidato que estava no grupo de liderança da disputa.
Quem questionou a candidatura foi o PT
O pedido que levou à suspensão foi apresentado por uma coligação que inclui a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
Gleisi Hoffmann, do PT, é candidata ao Senado pelo Paraná e aparece com 25,9% na mesma pesquisa.
Esse é um fato eleitoral relevante: a suspensão retira temporariamente da disputa um dos candidatos que apareciam numericamente à frente de Gleisi.
O que pode ser demonstrado é a sequência: PT entre os partidos que contestaram a candidatura; Dallagnol entre os líderes da pesquisa; e suspensão da campanha antes da eleição.
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Floriano foi nomeado por Lula
Floriano de Azevedo Marques foi nomeado por Luiz Inácio Lula da Silva para o TSE em 2023 e reconduzido pelo presidente em 2025. O próprio TSE registra as duas nomeações.
É amigo de longa data do ministro Alexandre de Moraes: os dois ingressaram juntos na Faculdade de Direito da USP em 1986. Moraes o convidou para o tribunal.
Reportagens mencionam que Floriano esteve envolvido em episódio ligado ao caso Banco Master: um almoço com o advogado José Luís Oliveira Lima (Juca) no dia seguinte à entrega de uma proposta de delação. O ministro confirmou o encontro, mas negou participação no mérito.
A relação institucional é, portanto, objetiva.
Mas a informação é relevante porque a liminar foi assinada por um ministro que chegou ao TSE por nomeação presidencial de Lula, enquanto o PT integra a força política que contestou a candidatura e Gleisi disputa diretamente uma das duas vagas ao Senado.
O efeito sobre a eleição
A suspensão da campanha atinge o candidato que aparece na ponta e beneficia os adversários enquanto o plenário do TSE não decide.
O raciocínio usado pelo tribunal como “filme de Minority Report”: procedimentos que poderiam virar PAD, e um PAD que poderia gerar inelegibilidade, nenhum dos dois se concretizou. Mesmo assim, o que não aconteceu é usado para barrar o que está acontecendo agora.
A decisão ainda será submetida ao plenário do TSE. Até lá, a campanha de Dallagnol permanece congelada.








