Em 2025, ex-banqueiro procurou esposa de Gilmar Mendes Guiomar Feitosa para discutir defesa em processos; antes, mensagens da PF apontaram contrato de R$ 500 mil mensais com o irmão da advogada, então cunhado do ministro.
Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, procurou em 2025 a advogada Guiomar Feitosa para discutir uma possível contratação. Naquele momento, ela ainda era casada com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A reunião ocorreu no escritório Sérgio Bermudes, em Brasília, onde Guiomar é sócia dirigente. Vorcaro falou sobre a possibilidade de contratá-la para sua defesa.
Guiomar pediu informações sobre os processos nos quais o então banqueiro pretendia ser representado. Vorcaro, porém, não apresentou os números dos processos e não voltou a procurá-la.
“Na minha visão, ele queria uma aproximação, viu que não iria conseguir minha contratação sem ter um processo específico.”
A declaração foi dada por Guiomar ao SBT News.
O contexto revelado pelas mensagens da PF
A tentativa de contratação ocorreu depois de Vorcaro estabelecer uma relação profissional com Francisco Feitosa, o Chiquinho Feitosa, irmão de Guiomar e, à época, cunhado de Gilmar Mendes.
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro apontam que Chiquinho mantinha um contrato com uma empresa ligada ao ex-banqueiro no valor de R$ 500 mil por mês, além de uma primeira parcela de R$ 800 mil.
As conversas também indicam que Chiquinho participou da articulação de uma reunião entre Vorcaro e Gilmar Mendes no STF, em abril de 2024.
A existência do contrato foi confirmada por Chiquinho, que afirmou ter prestado serviços durante um período determinado.
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Uma sequência de aproximações
Os episódios formam uma sequência cronológica envolvendo o ex-banqueiro e pessoas próximas ao ministro.
Em 2024, Vorcaro mantinha contrato de alto valor com Chiquinho Feitosa e, segundo as mensagens analisadas pela PF, o ex-cunhado de Gilmar participou da aproximação entre o banqueiro e o ministro.
Em 2025, Vorcaro procurou Guiomar Feitosa para discutir uma possível contratação. A negociação não avançou porque, segundo a advogada, ele não apresentou os processos que pretendia entregar para sua defesa.
Guiomar e Gilmar encerraram o casamento no fim de 2025.
Master pagou R$ 33 milhões a ex-diretora do instituto de Gilmar, “canal com STF”
Outro episódio acrescenta contexto à relação do Banco Master com pessoas ligadas ao entorno de Gilmar Mendes.
Documentos de uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB), encontrados pela Polícia Federal, registram que o Banco Master pagou R$ 33 milhões, em 2024, ao escritório da advogada Dalide Corrêa. Ela foi diretora-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição fundada por Gilmar Mendes.
O valor aparece em meio ao aumento expressivo das despesas jurídicas do Master. Segundo o documento, o banco gastou R$ 215 milhões com escritórios de advocacia em 2024, contra R$ 76 milhões no ano anterior. Os R$ 33 milhões pagos ao escritório de Dalide foram o segundo maior valor identificado, atrás dos R$ 40 milhões destinados ao escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes.
As mensagens internas do Master encontradas pela PF acrescentam um elemento à operação. Em uma conversa, o diretor financeiro do banco, Ângelo Ribeiro, orientou a liberação de pagamento ao escritório de Dalide e a descreveu como “canal direto com o STF”. Em outro diálogo, um diretor jurídico do banco se referiu a Dalide como “sócia do GM STF” ao cobrar a autorização de um pagamento de R$ 15 milhões.
Gilmar Mendes e Dalide Corrêa negam qualquer sociedade ou vínculo profissional atual. A defesa da advogada afirma que sua atuação para empresas posteriormente sucedidas pelo Master ocorreu exclusivamente em processos de primeira e segunda instâncias e que ela nunca atuou para o banco no STF nem procurou ministros para tratar de interesses da instituição.
O outro contrato envolvendo o entorno do STF
A tentativa de contratação de Guiomar também ocorre no contexto de outra relação profissional de Vorcaro com o entorno de um ministro do STF.
Em janeiro de 2024, o banqueiro assinou um contrato de R$ 128 milhões com a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
São, portanto, diferentes relações profissionais envolvendo Vorcaro e pessoas ligadas a ministros do Supremo, com valores e circunstâncias distintos.
No caso de Guiomar, não houve contratação: a conversa ocorreu, os processos não foram apresentados e o contato não prosseguiu.
O conjunto das informações revela, contudo, a extensão das relações profissionais e pessoais que se formaram ao redor de Vorcaro e de pessoas próximas a integrantes do STF antes da crise envolvendo o Banco Master.







