A seis dias da eleição, plataforma mantém vantagem expressiva para Flávio Bolsonaro sobre Lula. Na véspera do primeiro turno, mercado já atribuía 64,55% de probabilidade de vitória final ao candidato do PL, enquanto a maioria das pesquisas nacionais daquele dia ainda colocava o petista à frente na votação.
A seis dias do segundo turno da eleição presidencial, a Polymarket mantém Flávio Bolsonaro (PL) como amplo favorito para vencer Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na manhã desta segunda-feira, 19 de outubro, a plataforma internacional de mercados de previsão atribuía 77% de probabilidade de vitória a Flávio, contra 23% para Lula.
O percentual não representa intenção de voto nem significa que Flávio teria 77% dos votos. Trata-se da probabilidade implícita calculada a partir dos preços dos contratos comprados e vendidos pelos participantes da plataforma.
O dado ganha relevância, porém, quando comparado ao comportamento do mercado antes do primeiro turno.
Na noite de 3 de outubro, véspera da votação, o principal contrato da Polymarket sobre quem venceria a eleição presidencial já atribuía 64,55% de probabilidade a Flávio Bolsonaro e 35,5% a Lula.
No dia seguinte, Flávio terminou o primeiro turno na liderança das urnas.
AINDA: Flávio chega a 59% na Kalshi e 58% na Polymarket na disputa pela Presidência no primeiro turno…
Resumo Executivo
- Polymarket apontava 77% de chance de vitória para Flávio Bolsonaro nesta segunda-feira;
- Lula aparecia com 23%;
- faltam seis dias para o segundo turno, marcado para 25 de outubro;
- na véspera do primeiro turno, Flávio já tinha 64,55% de probabilidade de vitória final no principal mercado presidencial da plataforma;
- naquele mesmo dia, a maioria das pesquisas nacionais colocava Lula à frente no primeiro turno;
- nas urnas, Flávio terminou em primeiro, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula;
- pesquisas recentes mostram uma disputa muito mais apertada do que a diferença registrada atualmente na Polymarket;
- os 77% representam expectativa de mercado, e não previsão garantida do resultado das urnas.
Polymarket já colocava Flávio como favorito antes do primeiro turno
O histórico das últimas semanas ajuda a explicar por que o mercado de previsão passou a chamar atenção na disputa presidencial brasileira.
Às 20h23 de 3 de outubro, poucas horas antes da abertura das urnas, o contrato da Polymarket sobre o vencedor da eleição presidencial atribuía 64,55% de probabilidade a Flávio Bolsonaro.
Lula aparecia com 35,5%.
Naquele momento, o mercado presidencial acumulava aproximadamente US$ 163,8 milhões em volume de negociações considerando os diferentes contratos relacionados à eleição.
A leitura da Polymarket contrastava com parte relevante das pesquisas divulgadas naquela mesma reta final.
Das nove pesquisas nacionais consideradas na véspera da eleição, cinco apontavam Lula à frente no primeiro turno e quatro colocavam Flávio na liderança.
A CNT/MDA divulgada em 3 de outubro, por exemplo, atribuía 47,8% dos votos válidos a Lula e 42,1% a Flávio.
As urnas apresentaram a ordem inversa.
Flávio terminou o primeiro turno com vantagem de mais de 2,2 milhões de votos
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos.
Lula obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%.
A diferença foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos.
O resultado colocou Flávio na liderança e levou os dois candidatos ao segundo turno marcado para 25 de outubro.
Há, porém, uma distinção importante para a correta interpretação dos dados.
Os 64,55% registrados pela Polymarket na véspera não representavam uma previsão específica de que Flávio terminaria o primeiro turno em primeiro lugar.
O contrato analisado perguntava quem seria o vencedor final da eleição presidencial, considerando inclusive o segundo turno.
Portanto, o dado correto é que o mercado já tratava Flávio como favorito para a Presidência antes da primeira votação — e que, no dia seguinte, ele efetivamente saiu das urnas na liderança.
Agora pesquisas e mercado mostram dimensões diferentes da disputa
A divergência voltou a aparecer na reta final do segundo turno.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostra Flávio com 50,3% dos votos válidos e Lula com 49,7%.
A diferença está dentro da margem de erro.
Outros levantamentos recentes também apresentam uma eleição apertada.
CNT/MDA mostrou Flávio com 50,5%, contra 49,5% de Lula.
Datafolha registrou 51% para Flávio e 49% para Lula, enquanto o PoderData apontou empate em 50% a 50% nos votos válidos.
Ou seja, os principais levantamentos de intenção de voto retratam uma disputa praticamente equilibrada.
Na Polymarket, o cenário é diferente.
A plataforma atribui 77% de probabilidade de vitória a Flávio e apenas 23% a Lula.
A distância entre os dois candidatos no mercado de previsão é, portanto, muito maior do que a observada nas pesquisas eleitorais.
Pesquisa eleitoral e Polymarket medem coisas diferentes
Comparar diretamente os dois indicadores exige cuidado.
Uma pesquisa eleitoral pergunta ao entrevistado em quem pretende votar e, a partir de uma amostra da população, procura estimar o comportamento do eleitorado.
Um mercado de previsão funciona de outra maneira.
Os participantes compram e vendem contratos associados a determinado resultado e arriscam capital de acordo com suas expectativas.
Se um contrato que paga US$ 1 caso determinado candidato vença estiver sendo negociado por aproximadamente US$ 0,77, o mercado está precificando aquele resultado próximo de 77% de probabilidade.
Novas pesquisas, debates, fatos políticos, desempenho de campanha e até mudanças na percepção de risco podem alterar rapidamente os preços.
Por isso, 77% de probabilidade não significa certeza de vitória.
Significa que, aos preços negociados naquele momento, o mercado considera a vitória de Flávio muito mais provável do que uma reeleição de Lula.
O histórico do primeiro turno aumenta o interesse pelo indicador
A Polymarket não substitui pesquisas eleitorais, e seus contratos também podem errar.
Mas o comportamento registrado antes do primeiro turno tornou a plataforma especialmente relevante nesta reta final.
Na véspera da primeira votação, a maioria das pesquisas nacionais colocava Lula numericamente à frente, enquanto o principal mercado presidencial da Polymarket já atribuía a Flávio quase dois terços de probabilidade de conquistar a Presidência.
Flávio terminou aquela votação em primeiro lugar.
Depois do resultado, sua probabilidade de vitória no mercado chegou a superar 80% e, durante a primeira semana do segundo turno, aproximou-se de 90%.
Com pesquisas mostrando redução da diferença entre os candidatos, a cotação recuou.
Ainda assim, a seis dias da eleição, Flávio continua com vantagem de 54 pontos percentuais na probabilidade implícita da Polymarket: 77% contra 23%.



