Home Investimentos Agenda econômica da semana: Fed, China e inflação global colocam mercados em alerta

Agenda econômica da semana: Fed, China e inflação global colocam mercados em alerta

0
Agenda econômica da semana: Fed, China e inflação global colocam mercados em alerta

A semana entre 17 e 22 de maio será marcada por uma agenda econômica intensa, com investidores monitorando dados de inflação, atividade econômica e sinais dos principais bancos centrais do mundo. O foco do mercado internacional permanece concentrado nos Estados Unidos, enquanto China, Europa e Japão também divulgam indicadores capazes de influenciar ativos globais, commodities, dólar e juros.

No Brasil, apesar de uma agenda mais enxuta, o mercado acompanha números relevantes de inflação e possíveis sinalizações do governo sobre crédito e política econômica.

Estados Unidos dominam o radar global

Os investidores devem voltar suas atenções principalmente para os Estados Unidos, em meio às dúvidas sobre o ritmo da desaceleração econômica e os próximos passos do Federal Reserve.

LEIA: Trump faz negócios com Xi, mas barra itens chineses no Air.

O principal evento da semana será a divulgação da ata da última reunião do FOMC, na quarta-feira (20). O documento tende a oferecer detalhes adicionais sobre como os dirigentes do Fed avaliam:

  • A persistência da inflação;
  • O mercado de trabalho americano;
  • Os riscos de desaceleração da economia;
  • O momento adequado para futuros cortes de juros.

Além da ata, discursos de dirigentes do Fed, como Christopher Waller e Michael Barr, podem provocar volatilidade nos mercados globais.

Trump
Donald Trump se despedindo da China. Imagem: Casa Branca

Outro destaque será o relatório ADP, na terça-feira (19), considerado uma prévia importante do payroll americano. O mercado também acompanha os dados de pedidos de seguro-desemprego, PMI composto e o GDPNow do Fed de Atlanta, indicador acompanhado de perto para medir o ritmo da economia americana em tempo real.

O cenário continua sensível porque a inflação nos EUA segue resistente, enquanto a atividade desacelera apenas gradualmente — combinação que mantém as apostas sobre juros em aberto.

VEJA: China ameaça tarifa de 55% no Brasil e reacende debate sobre soberania econômica…

China volta ao centro das atenções

A bateria de indicadores da China será decisiva para medir a força da recuperação da segunda maior economia do planeta.

Os mercados acompanham especialmente:

  • Produção industrial;
  • Taxa de desemprego;
  • Investimento em ativos fixos;
  • Preços de imóveis;
  • Taxa preferencial de empréstimo.
xijiping china
Imagem: Estatal Chinesa

Os dados chegam em um momento de preocupação persistente com o setor imobiliário chinês, considerado um dos principais riscos para o crescimento global.

Sinais de desaceleração mais forte podem pressionar commodities metálicas, minério de ferro, petróleo e moedas de países exportadores, incluindo o real brasileiro.

SAIBA: Cosan (CSAN3) corre contra dívida bilionária e atrai gigantes por participação…

Europa e Reino Unido monitoram inflação e atividade

Na Europa, os investidores acompanham:

  • Dados de inflação da zona do euro;
  • PMIs industriais e de serviços;
  • Reunião não monetária do BCE;
  • Encontro do Eurogrupo.

Os números podem influenciar as expectativas sobre futuros cortes de juros pelo Banco Central Europeu.

Já no Reino Unido, os mercados monitoram dados de emprego, inflação ao consumidor e vendas no varejo, tentando medir a resistência da economia britânica após meses de desaceleração.

A participação de Catherine Mann também entra no radar dos investidores.

LEIA: André Esteves chama modelo do Banco Master de “pirâmide” — mas mercado agora questiona quem lucrou bilhões distribuindo os CDBs

Japão segue no foco com inflação e PIB

No Japão, os investidores acompanham dados importantes de:

  • PIB;
  • Produção industrial;
  • Inflação ao consumidor;
  • PMI de serviços;
  • Balança comercial.

O mercado segue tentando entender até onde o Banco do Japão conseguirá avançar na normalização monetária após décadas de juros ultra baixos.

Brasil tem semana mais leve, mas mercado acompanha inflação e CMN

No Brasil, a agenda econômica é mais esvaziada, mas ainda traz eventos relevantes para os ativos locais.

Na segunda-feira (18), o mercado acompanha:

  • IGP-10;
  • Boletim Focus.

O IGP-10 ajuda a medir a inflação no atacado e ao consumidor, enquanto o Focus reúne as projeções do mercado para:

  • Selic;
  • Inflação;
  • PIB;
  • Dólar.

Outro evento monitorado será a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), na quinta-feira (21). Embora não haja expectativa de medidas disruptivas, investidores devem observar possíveis sinalizações envolvendo:

  • Crédito;
  • Financiamento imobiliário;
  • Regras do sistema financeiro.

O fluxo cambial estrangeiro, divulgado na quarta-feira (20), também entra no radar em um momento de maior volatilidade global.

DADOS DE INFLAÇÃO, JUROS, MERCADO
Agenda do Mercado. Imagem: Investidores Brasil

Agenda econômica completa da semana

Brasil

Segunda-feira (18/05)

  • 08h00 — IGP-10
  • 08h25 — Boletim Focus

Quarta-feira (20/05)

  • 14h30 — Fluxo cambial estrangeiro

Quinta-feira (21/05)

  • 09h00 — Reunião do CMN

Estados Unidos

Terça-feira (19/05)

  • 09h00 — Discurso de Waller (Fed)
  • 09h15 — ADP: criação de empregos
  • 17h30 — Estoques de petróleo (API)

Quarta-feira (20/05)

  • 10h15 — Discurso de Michael Barr (Fed)
  • 15h00 — Ata do FOMC

Quinta-feira (21/05)

  • 09h30 — Índice de empregos Fed da Filadélfia
  • 09h30 — Construção de novas casas
  • 09h30 — Pedidos contínuos de seguro-desemprego
  • 10h45 — PMI Composto (S&P Global)
  • 11h00 — GDPNow (Fed de Atlanta)

Sexta-feira (22/05)

  • 11h00 — Expectativas de inflação de Michigan
  • 11h00 — Confiança do consumidor de Michigan
  • 11h00 — Novo discurso de Waller

O que pode mexer com os mercados

A combinação entre inflação persistente, desaceleração econômica gradual e dúvidas sobre juros continua sendo o principal motor dos mercados globais.

Entre os ativos mais sensíveis nesta semana estão:

  • Dólar;
  • Bolsas americanas;
  • Nasdaq;
  • Minério de ferro;
  • Petróleo;
  • Juros futuros;
  • Bitcoin;
  • Mercados emergentes.

Para investidores brasileiros, os sinais vindos do Fed e da China seguem sendo os fatores externos com maior potencial de impacto sobre Bolsa, câmbio e curva de juros.