Augusto Cury omite cinco empresas da declaração ao TSE enquanto patrimônio de R$ 242 milhões ganha peso na eleição

O presidenciável Augusto Cury (Avante) deixou de informar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sua participação em cinco empresas, sendo três registradas na Flórida, nos Estados Unidos, e duas no Brasil. O candidato declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 242,2 milhões.

A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão. A omissão envolve sociedades nas quais Cury aparece formalmente como sócio ou integrante, segundo registros empresariais.

O caso ganha relevância porque Cury, até recentemente um nome secundário na corrida presidencial, passou a ocupar espaço entre os candidatos mais competitivos nas pesquisas.

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Três empresas ficaram fora nos Estados Unidos

Nos registros da Flórida, Cury aparece relacionado a Cury Academia Comportamental, Contemplare Investments e Free Mind Publish. As três ficaram fora da declaração entregue ao TSE.

Outras duas empresas americanas das quais ele participa, Intelligence School e Love Story Investments, foram informadas à Justiça Eleitoral.

Documentos imobiliários também mostram que a Intelligence School esteve envolvida em operações relacionadas a imóveis em Orlando que movimentaram, somadas, US$ 13,5 milhões entre 2014 e 2024. Essa empresa, porém, foi declarada por Cury ao TSE.

O ponto central, portanto, não é confundir as empresas declaradas com as não declaradas, mas identificar por que sociedades nas quais o candidato aparece formalmente vinculado ficaram fora da relação apresentada à Justiça Eleitoral.

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Duas empresas brasileiras de Augusto Cury também não aparecem

No Brasil, ficaram fora da declaração a Contemplare e a Academia de Pensar e Brincar, ambas sediadas em Ribeirão Preto (SP).

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A Contemplare possui atividades registradas relacionadas à locação de imóveis próprios, arrendamento de terras e administração de imóveis. Na Academia de Pensar e Brincar, Cury aparece como sócio-administrador.

A existência dessas participações não permite concluir, por si só, que houve ocultação deliberada de patrimônio ou prática ilícita. O que está objetivamente colocado é uma divergência entre os registros societários e a relação patrimonial apresentada ao TSE.

Campanha promete corrigir, mas retificação ainda não havia sido apresentada

A campanha de Cury afirmou que as participações não informadas são “inexpressivas” em relação ao patrimônio total do candidato e sustentou que sua fortuna foi construída de forma lícita.

A equipe também informou que eventuais inconsistências seriam corrigidas.

Até a manhã deste domingo (6), entretanto, o pedido de retificação ainda não havia sido apresentado ao TSE, segundo as informações divulgadas sobre o caso.

É justamente essa correção que deverá esclarecer um dos principais pontos da controvérsia: qual valor foi atribuído às participações que ficaram fora da declaração e por que elas não constaram do documento original.

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Cury cresceu oito pontos e chegou a 10% na Quaest

A revelação ocorre em um momento particularmente sensível para o candidato.

Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (2) colocou Cury em terceiro lugar, com 10% das intenções de voto nos dois cenários avaliados. O resultado representou avanço de oito pontos em relação à rodada anterior.

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) continuam à frente e concentram a disputa, mas o crescimento de Cury alterou o patamar de sua candidatura e ampliou a atenção sobre sua trajetória empresarial e patrimonial.

Sua campanha também vem ampliando a presença digital, com apoio de microinfluenciadores e de profissionais ligados ao grupo de Pablo Marçal, outro candidato à Presidência.

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O que o TSE terá de analisar

A declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral tem uma função de transparência: permitir que o eleitor conheça o patrimônio e as participações societárias informadas pelos candidatos.

No caso de Cury, cinco empresas ficaram fora da primeira declaração apresentada, enquanto o candidato informou patrimônio total de R$ 242,2 milhões.

Isso não autoriza concluir automaticamente que houve crime ou fraude. A intenção da omissão e eventual consequência jurídica dependem da apuração e, principalmente, das informações que forem apresentadas em uma eventual retificação.

Mas há uma questão que precisa ser respondida de forma objetiva: por que cinco participações societárias não apareceram na declaração original e qual era o valor correspondente a esses ativos?

A resposta importa ainda mais agora que Cury deixou de ser apenas um nome de menor expressão na eleição e passou a disputar espaço entre os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas.

O patrimônio de R$ 242,2 milhões, as cinco empresas não relacionadas inicialmente e o crescimento para 10% nas intenções de voto colocam a transparência patrimonial do presidenciável no centro do debate eleitoral.

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Apresentadora de podcast e redatora. Especialista em finanças pela PUC Minas

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