O BRADESCO (BBDC4) entregou um resultado acima das expectativas do mercado no primeiro trimestre, mas um detalhe específico do balanço acabou mudando completamente o humor dos investidores e derrubando as ações nesta sessão.
O principal fator que derrubou as ações do Bradesco após o balanço foi o avanço das provisões para perdas com crédito. Apesar do lucro acima do esperado, investidores passaram a enxergar maior risco na carteira de crédito do banco após a PDD subir para R$ 9,6 bilhões no trimestre.
As ADRs do banco chegaram a subir mais de 3% no after-market em Nova York logo após a divulgação dos números. Horas depois, porém, o movimento perdeu força e os papéis passaram a cair mais de 3% na B3, em uma virada que expôs a principal preocupação do mercado com o balanço.
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Provisões do Bradesco viram foco do mercado apesar da alta do lucro
Apesar da alta do lucro, da melhora da rentabilidade e da expansão das margens financeiras, investidores passaram a focar na disparada das provisões para perdas com crédito — indicador que mede quanto os bancos reservam para possíveis calotes.
A linha de provisões somou R$ 9,6 bilhões no trimestre, avanço de 26,5% em relação ao mesmo período do ano passado e alta de 9,5% na comparação trimestral.
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A preocupação com crédito voltou ao centro da discussão
O movimento reacendeu dúvidas sobre a qualidade da carteira de crédito justamente em um momento em que o mercado começava a apostar em uma recuperação mais consistente do banco após anos de pressão operacional.
Parte dos analistas avalia que o avanço das provisões indica uma postura mais conservadora da gestão diante de riscos específicos no crédito corporativo. Outra ala do mercado, porém, enxerga o movimento como um possível sinal de que a deterioração do crédito pode estar demorando mais para normalizar do que o esperado.
O CEO do banco, Marcelo Noronha, afirmou que a piora das provisões está ligada a um caso específico em recuperação e reforçou que o banco decidiu elevar o nível de cobertura de forma mais conservadora.
“Não posso comentar individualmente sobre operações, mas trata-se de um caso em recuperação no qual, por uma postura mais conservadora, decidimos elevar o nível de provisão.”
Índice de capital também entrou no radar dos investidores
Outro ponto que passou a chamar atenção do mercado foi o índice de capital do banco. Investidores destacaram que o indicador mostrou deterioração maior do que a esperada antes do efeito positivo vindo da operação de saúde, aumentando dúvidas sobre a velocidade da recuperação estrutural do Bradesco.
No atacado, a provisão expandida avançou para R$ 800 milhões, ante R$ 300 milhões no trimestre anterior. Já no varejo massificado, a linha subiu para R$ 8,8 bilhões, frente aos R$ 8,5 bilhões registrados no quarto trimestre de 2025.
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Mercado debate se reação às ações foi exagerada
Ainda assim, parte do mercado considera a reação negativa exagerada.
A avaliação predominante entre gestores é que o banco conseguiu entregar melhora operacional relevante mesmo em um ambiente ainda pressionado para crédito, preservando margens e avançando em rentabilidade.
O argumento é que o mercado acabou penalizando excessivamente um balanço que, operacionalmente, mostrou evolução mais forte do que concorrentes relevantes do setor bancário nesta temporada de resultados.
Além disso, investidores lembram que parte importante da provisão possui efeito contábil conservador e pode não necessariamente representar deterioração estrutural da carteira.
O mercado agora tenta entender se o avanço das provisões representa apenas um evento isolado e mais prudente por parte da administração ou se pode marcar o início de uma nova pressão sobre a qualidade do crédito no sistema bancário brasileiro.
A leitura ganha importância porque o Bradesco vinha sendo visto como um dos principais cases de recuperação entre os grandes bancos da bolsa brasileira. Por isso, qualquer sinal de deterioração adicional no crédito tende a gerar reação mais intensa nas ações.



