País caiu para a 65ª posição entre 70 economias avaliadas em ranking internacional e vê crescer preocupações com produtividade, juros elevados, educação e ambiente de negócios
O Brasil voltou a figurar entre as economias menos competitivas do planeta. O país caiu para a 65ª posição entre 70 economias avaliadas no Ranking Mundial de Competitividade 2026, elaborado pelo International Institute for Management Development (IMD), registrando uma queda de sete posições em relação ao levantamento anterior.
O resultado reforça preocupações antigas sobre a capacidade brasileira na gestão Lula de atrair investimentos, aumentar a produtividade e sustentar um crescimento econômico de longo prazo. Apesar de possuir uma das maiores economias do mundo, o Brasil continua enfrentando desafios estruturais que limitam sua competitividade diante de concorrentes internacionais.
Para especialistas, o levantamento evidencia problemas persistentes relacionados ao custo do capital, qualidade da educação, burocracia, produtividade, infraestrutura e ambiente regulatório.
Brasil em números
- Posição em 2026: 65º lugar
- Posição em 2025: 58º lugar
- Queda registrada: 7 posições
- Economias avaliadas: 70
- Principais gargalos: juros, produtividade, educação, burocracia e ambiente de negócios
O que é o Ranking Mundial de Competitividade
Considerado uma das principais referências internacionais sobre o tema, o Ranking Mundial de Competitividade do IMD avalia a capacidade dos países de criar condições favoráveis para empresas, investidores e trabalhadores.
O estudo utiliza centenas de indicadores econômicos, institucionais e sociais, além de pesquisas com executivos e lideranças empresariais.
O objetivo é medir quais economias oferecem melhores condições para crescimento sustentável, inovação, geração de riqueza e desenvolvimento de longo prazo.
Os quatro pilares que definem a competitividade
O levantamento é estruturado em quatro grandes áreas.
Desempenho econômico
Avalia crescimento do PIB, emprego, comércio internacional, investimentos e estabilidade macroeconômica.
Eficiência governamental
Analisa qualidade das políticas públicas, ambiente regulatório, gestão fiscal, segurança jurídica e capacidade do Estado de criar condições favoráveis para a atividade econômica.
Eficiência empresarial
Mede produtividade, capacidade de inovação, acesso ao crédito, gestão corporativa e competitividade das empresas.
Infraestrutura
Considera educação, logística, telecomunicações, energia, pesquisa científica, tecnologia e saúde.
Segundo especialistas, dificuldades persistentes em diversas dessas áreas ajudam a explicar o desempenho brasileiro no ranking.
LEITURA SUGERIDA: BlackRock congela US$ 1 bilhão no Brasil após falhas do sistema elétrico e incerteza regulatória
Como o Brasil perdeu espaço ao longo dos anos
A baixa competitividade não surgiu de forma repentina.
Ao longo das últimas décadas, diferentes levantamentos internacionais vêm apontando problemas estruturais que dificultam a transformação do potencial econômico brasileiro em crescimento sustentável.
Embora o país possua um mercado consumidor robusto, abundância de recursos naturais e posição estratégica no comércio internacional, obstáculos históricos continuam limitando ganhos de produtividade e eficiência.
Entre eles estão a elevada burocracia, a complexidade tributária, a insegurança jurídica, a deficiência educacional e o alto custo para fazer negócios.
Por que a queda chama atenção em 2026
O resultado ganha relevância em um momento em que o governo Lula busca a reeleição e ainda tenta aprovar no Congresso Nacional a redução da jornada de trabalho que atualmente tem a escala de 6×1. Se o desempenho do Brasil em produtividade esta entre os piores do mundo, como pode Lula pensar em reduzir a jornada a quatro meses da eleição?
A perda de sete posições em apenas um ano reforça preocupações de investidores sobre a capacidade do país de melhorar seu ambiente econômico e competir globalmente por recursos produtivos.
Indicadores desse tipo costumam ser acompanhados por multinacionais, fundos de investimento e organismos internacionais na avaliação de riscos e oportunidades.
LEIA TAMBÉM: Estudo da FIEMG mostra impacto negativo em manutenção de empregos para o Brasil, com fim da escala de trabalho 6×1
O que mais prejudicou o desempenho brasileiro
O ranking identificou uma série de fatores que continuam comprometendo a competitividade nacional.
Entre os principais gargalos estão:
- custo elevado do capital;
- juros altos;
- baixa produtividade;
- deficiência educacional;
- burocracia excessiva;
- insegurança regulatória;
- infraestrutura insuficiente;
- baixa eficiência governamental;
- ambiente complexo para investimentos;
- dificuldades para abertura e expansão de empresas.
Para analistas, o conjunto desses fatores contribui para o chamado “Custo Brasil”, expressão frequentemente utilizada para descrever os obstáculos que encarecem a atividade econômica no país.
O impacto no bolso do brasileiro
Embora pareça um indicador distante da realidade cotidiana, a competitividade afeta diretamente a vida da população.
Quando um país perde competitividade, tende a enfrentar mais dificuldades para atrair investimentos, gerar empregos de qualidade e elevar salários.
Na prática, isso pode significar:
- crescimento econômico mais lento;
- menor criação de vagas qualificadas;
- salários com menor potencial de crescimento;
- crédito mais caro;
- menor ritmo de expansão das empresas;
- redução de oportunidades para empreendedores.
Economias mais competitivas costumam apresentar maior produtividade e melhores condições para geração de riqueza.
Juros elevados continuam sendo um dos maiores entraves
O custo do dinheiro permanece entre os principais desafios para a atividade produtiva brasileira.
Taxas de juros elevadas aumentam o custo de financiamento para empresas, dificultando investimentos em expansão, inovação e modernização.
O impacto é particularmente relevante para pequenas e médias empresas, que dependem de crédito para crescer e gerar empregos.
Quando o financiamento se torna mais caro, projetos são adiados, investimentos diminuem e a produtividade tende a avançar em ritmo menor.
VEJA A TRAJETÓRIA RECORDE DO JUROS NO BRASIL ENTRE OS MAIORES DO MUNDO:

Educação continua sendo um gargalo estrutural
Outro ponto frequentemente associado à baixa competitividade brasileira é a qualidade da formação educacional.
Em uma economia cada vez mais baseada em tecnologia e conhecimento, a qualificação da mão de obra tornou-se um fator decisivo para o crescimento econômico.
Países que lideram rankings internacionais costumam investir fortemente em educação básica, ensino técnico, universidades e pesquisa científica.
Especialistas alertam que a dificuldade de elevar os indicadores educacionais limita a capacidade do Brasil de competir em setores de maior valor agregado.
Ambiente de negócios ainda afasta investimentos
Empresários e investidores frequentemente apontam obstáculos para operar no Brasil.
Entre os problemas mais citados estão:
- excesso de regulamentações;
- burocracia tributária;
- insegurança jurídica;
- lentidão administrativa;
- custos elevados de conformidade;
- complexidade fiscal.
Embora reformas tenham avançado nos últimos anos, especialistas avaliam que o país ainda enfrenta desafios relevantes para se aproximar dos padrões observados nas economias mais competitivas.
Brasil perde espaço para economias que disputam os mesmos investimentos
A queda no ranking também evidencia a crescente concorrência internacional por investimentos.
Diversos países emergentes vêm implementando reformas destinadas a aumentar produtividade, reduzir burocracias e melhorar o ambiente de negócios.
Enquanto essas economias avançam, o Brasil continua enfrentando obstáculos estruturais que afetam sua atratividade.
O resultado é uma perda relativa de competitividade na disputa global por capital produtivo, tecnologia e geração de empregos.
Quem lidera o ranking global
As primeiras posições costumam ser ocupadas por economias reconhecidas pela eficiência institucional, segurança jurídica, qualidade educacional e capacidade de inovação.
Entre os destaques globais aparecem regularmente:
- Singapura;
- Suíça;
- Hong Kong;
- Dinamarca;
- Emirados Árabes Unidos.
Esses países combinam ambiente favorável aos negócios, produtividade elevada e políticas voltadas para inovação e desenvolvimento econômico.
O que dizem economistas sobre a perda de competitividade
A avaliação predominante entre especialistas é que o Brasil enfrenta um problema estrutural de produtividade.
Apesar de possuir vantagens importantes, como mercado interno robusto, recursos naturais abundantes e relevância internacional no agronegócio, o país ainda encontra dificuldades para transformar esses ativos em crescimento sustentado.
Economistas apontam que a combinação de burocracia, baixa qualidade educacional, insegurança jurídica e custos operacionais elevados reduz a capacidade competitiva da economia.
Reforma tributária será suficiente?
A reforma tributária foi recebida por parte do mercado como um passo importante para simplificar o sistema de impostos brasileiro.
No entanto, especialistas alertam que a recuperação da competitividade depende de um conjunto muito mais amplo de mudanças.
Além da simplificação tributária, são frequentemente apontadas como prioridades:
- melhoria da educação;
- ampliação da infraestrutura;
- qualificação profissional;
- aumento da produtividade;
- segurança jurídica;
- modernização regulatória;
- eficiência do setor público.
Por isso, analistas consideram improvável que uma única reforma seja suficiente para alterar significativamente a posição brasileira no curto prazo.
O debate político sobre a queda
A divulgação do ranking ocorre em meio às discussões sobre os rumos da economia durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Críticos da atual administração argumentam que o aumento das incertezas fiscais, o crescimento dos gastos públicos e a lentidão na implementação de reformas estruturais contribuem para a deterioração do ambiente econômico.
Já defensores do governo afirmam que os problemas apontados pelo ranking refletem desafios acumulados ao longo de décadas e que não podem ser atribuídos exclusivamente à gestão atual.
Independentemente da disputa política, o levantamento evidencia que questões estruturais continuam limitando a competitividade brasileira.
Perguntas frequentes
O que é o Ranking Mundial de Competitividade?
É um levantamento internacional elaborado pelo IMD que avalia a capacidade dos países de criar condições favoráveis para crescimento econômico, investimentos e geração de riqueza.
Em qual posição ficou o Brasil?
O país aparece na 65ª colocação entre 70 economias avaliadas.
Por que o Brasil caiu no ranking?
Entre os principais fatores apontados estão juros elevados, baixa produtividade, deficiência educacional, burocracia excessiva e dificuldades no ambiente de negócios.
A posição afeta investimentos?
Sim. Muitos investidores utilizam indicadores de competitividade para avaliar riscos e oportunidades em diferentes mercados.
O que o Brasil precisa fazer para subir no ranking?
Especialistas apontam a necessidade de avanços em educação, produtividade, infraestrutura, simplificação regulatória, segurança jurídica e eficiência governamental.
Conclusão
A queda do Brasil para a 65ª posição no Ranking Mundial de Competitividade vai muito além de um indicador estatístico.
O resultado mostra que a maior economia da América Latina continua enfrentando dificuldades para transformar seu potencial em produtividade, inovação e crescimento sustentável.
Enquanto concorrentes internacionais avançam em eficiência, educação e ambiente de negócios, o Brasil permanece convivendo com problemas estruturais que limitam sua capacidade de atrair investimentos e gerar prosperidade.
O ranking funciona como um alerta para governos, empresas e sociedade sobre a necessidade de reformas capazes de aumentar a produtividade, fortalecer a segurança jurídica e criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento econômico de longo prazo.



