Coaf identifica R$ 99 milhões em movimentações incompatíveis com renda de Zettel ligado ao caso Banco Master

Um relatório de inteligência financeira produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou R$ 99,2 milhões em transações bancárias consideradas incompatíveis com a renda declarada do empresário Fabiano Zettel, investigado por conexões financeiras com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Segundo o documento, Zettel teria movimentado o montante em apenas sete meses, apesar de possuir renda mensal formal declarada de aproximadamente R$ 66 mil.

A discrepância equivale a um volume de transações mais de 200 vezes superior à renda mensal informada, um padrão que, nos critérios de prevenção à lavagem de dinheiro, costuma ser classificado como movimentação financeira atípica.

Relatórios dessa natureza são produzidos a partir de comunicações obrigatórias feitas por bancos e instituições financeiras quando operações fogem do padrão econômico esperado para determinado perfil de cliente.

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O que caracteriza “movimentação incompatível de renda”

No campo de compliance financeiro e combate à lavagem de dinheiro, operações são classificadas como suspeitas quando apresentam características como:

  • volume financeiro incompatível com renda declarada
  • entradas e saídas rápidas de recursos
  • operações fracionadas ou pulverizadas
  • transferências entre contas relacionadas
  • ausência de causa econômica identificável

Esses padrões são monitorados pelo Coaf, órgão responsável por centralizar comunicações de operações suspeitas no sistema financeiro brasileiro e compartilhar relatórios com autoridades investigativas.

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Estrutura de transações de Zettel levantou suspeitas

A análise das movimentações indicou que os recursos circularam de forma intensa entre diferentes contas e beneficiários, sugerindo possível trânsito financeiro de terceiros — prática frequentemente investigada em casos de:

  • lavagem de dinheiro
  • ocultação patrimonial
  • intermediação financeira informal

Segundo o relatório, o volume de recursos movimentado atingiu média aproximada de R$ 14 milhões por mês durante o período analisado.

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Para investigadores financeiros, esse tipo de fluxo costuma indicar a existência de operadores financeiros responsáveis por executar pagamentos e transferências dentro de estruturas mais complexas de movimentação de recursos.

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Transferências para pessoas ligadas ao Banco Central

Entre as operações identificadas no relatório estão duas transferências de R$ 750 mil cada, totalizando R$ 1,5 milhão, destinadas ao empresário Luis Roberto Neves.

Ele é irmão de Paulo Sergio Neves de Souza, ex-diretor da área de fiscalização do Banco Central do Brasil.

O ex-servidor tornou-se alvo de investigação após suspeitas de que teria atuado como intermediador de interesses relacionados ao Banco Master dentro da autoridade monetária, tentando influenciar processos administrativos envolvendo a instituição financeira.

As suspeitas levaram ao afastamento do servidor enquanto as apurações avançam.

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Conexões com fundos de investimento e ativos imobiliários

O relatório também identificou transferências relevantes envolvendo fundos de investimento.

Segundo a investigação, R$ 25,6 milhões foram repassados em 11 operações ao fundo Leal, estrutura financeira vinculada a investimentos administrados por uma gestora analisada no caso.

Esse fundo possui participação no fundo Arleen, veículo utilizado na aquisição de participação no resort Tayayá, empreendimento turístico localizado no Paraná.

A operação chamou atenção de investigadores porque o resort havia pertencido anteriormente a uma empresa associada ao ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli.

O ministro declarou posteriormente que a venda ocorreu a preço de mercado e afirmou não ter recebido recursos de Vorcaro ou Zettel.

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Outras movimentações consideradas atípicas

Além das operações centrais do relatório, investigadores identificaram outras transferências consideradas incomuns para o perfil financeiro analisado.

Entre elas:

  • R$ 1 milhão transferido para um piloto de aeronave ligado a Vorcaro
  • R$ 763 mil pagos a uma joalheria de luxo localizada na rua Oscar Freire, em São Paulo
  • R$ 1,5 milhão destinados à empresa Super Empreendimentos

Esses pagamentos passaram a integrar o conjunto de transações avaliadas pelas autoridades para entender a origem e o destino final dos recursos.

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Prisões no âmbito da investigação

O caso ganhou maior repercussão após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel no contexto da investigação.

Segundo a decisão judicial, há indícios de que Zettel teria atuado como operador financeiro responsável por intermediar pagamentos e movimentações de recursos investigados.

A defesa do empresário afirmou que ainda não teve acesso integral ao relatório de inteligência financeira e que pretende se manifestar após analisar o conteúdo.

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Papel do Coaf em investigações financeiras

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras funciona como unidade de inteligência responsável por monitorar movimentações suspeitas no sistema financeiro.

Instituições financeiras são obrigadas por lei a comunicar ao órgão operações consideradas incomuns, incluindo:

  • depósitos ou transferências de alto valor incompatíveis com renda
  • movimentações fracionadas para evitar rastreamento
  • operações envolvendo setores de alto risco

Esses relatórios não representam automaticamente prova de crime, mas servem como base para investigações conduzidas por Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário.

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Ponto de atenção para o sistema financeiro

Casos envolvendo movimentações atípicas em larga escala costumam ser monitorados de perto por autoridades regulatórias por três motivos principais:

  1. integridade do sistema financeiro
  2. risco de lavagem de dinheiro
  3. eventuais tentativas de influência institucional

Dependendo da evolução das investigações, novas diligências podem incluir análise detalhada de fluxos bancários, quebra de sigilo financeiro e rastreamento internacional de recursos.

O caso segue sob apuração das autoridades.

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Lucy Costa
Lucy Costa
Jornalista especializada em finanças e estatística. Você gosta de meus conteúdos? Entre em contato; email: [email protected]
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