Nesta sexta-feira (20 de fevereiro de 2026), fontes da Polícia Federal afirmaram à imprensa que há indícios que ligariam o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), à prática do crime de corrupção passiva, no contexto da investigação sobre fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master.
Segundo reportagens de veículos nacionais, agentes da corporação que atuam na apuração apontam possíveis conexões entre Toffoli e pagamentos mencionados em mensagens apreendidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, um dos principais investigados na Operação Compliance Zero.
Embora as informações tenham sido divulgadas sob sigilo, fontes ouvidas pela imprensa relatam que o relatório policial entregue ao presidente do STF reúne cerca de 200 páginas de elementos coletados ao longo da investigação que apura um esquema de concessão de créditos fraudulentos e desvios de recursos no âmbito do sistema financeiro – fraude que pode envolver bilhões de reais.
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Situação processual e procedimentos judiciais
Até o momento, Toffoli não é formalmente alvo de inquérito criminal no Supremo. Contudo, a Polícia Federal estuda solicitar ao STF a quebra de sigilo de um fundo de investimento supostamente ligado a familiares do ministro, como parte da tentativa de rastrear a origem e o destino de recursos.
Em nota oficial divulgada após as menções na investigação, o ministro negou veementemente ter cometido qualquer irregularidade, afirmando que os questionamentos formulados foram respondidos no âmbito processual e que o presidente do STF, Edson Fachin, teria determinado o arquivamento da apuração relacionada a ele — ainda sob segredo de Justiça.
Cronologia e pontos de tensão
A investigação relacionada ao Banco Master vem sendo conduzida no STF desde dezembro de 2025, quando a relatoria foi concentrada na Corte em função da citação de um parlamentar no inquérito.
No decorrer de 2026, o caso passou por momentos de conflito explícito entre Toffoli e a Polícia Federal, inclusive com questionamentos da autoridade policial sobre a condução de diligências, que em algumas fases foram alvo de críticas mútuas e pedidos de esclarecimentos.
Contexto mais amplo
O caso Banco Master tem sido um dos mais complexos nos últimos anos no âmbito da repressão a fraudes financeiras no país. A Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF, apura a concessão de créditos fictícios e desvios de recursos que podem atingir cifras expressivas.
Além disso, ao longo de janeiro e fevereiro de 2026, decisões do STF relacionadas à investigação – como a retirada do sigilo de depoimentos, o envio de materiais à Procuradoria‑Geral da República para análise e a redistribuição da relatoria – refletem a complexidade institucional do caso.
As explicações que Toffoli deveria oferecer aos brasileiros
1. Relacionamento e encontros com Daniel Vorcaro
A PF encontrou indícios de que Toffoli e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantiveram pelo menos 12 encontros sociais — como jantares e festas — nos anos de 2023 e 2024, o que levou os investigadores a apontar uma relação de “amizade íntima”.
2. Sociedade em empresa ligada ao Resort Tayayá
Toffoli admitiu após provas da PF que foi sócio de uma empresa chamada Maridt S.A., que tinha participação no empreendimento Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Essa empresa participou de negociações com um fundo de investimentos ligado a familiares/cunhado de Vorcaro.
- A Maridt teria vendido participação no Resort ao fundo Arleen, que tem ligação com o cunhado de Vorcaro, pastor Fabiano Zettel — apontado como operador financeiro do banqueiro.
- Toffoli diz que recebeu dividendos pela participação societária e declarou isso à Receita Federal, mas nega ter recebido pagamento direto de Vorcaro ou Zettel.
3. Conversas no celular de Vorcaro sobre repasses de R$ 35 milhões
Perícias no celular de Daniel Vorcaro exibem **mensagens entre ele e Zettel sobre cobranças de repasses que totalizariam cerca de R$ 35 milhões, supostamente relacionados ao investimento no Resort Tayayá — o qual, via Maridt, tinha ligação com Toffoli.
- As mensagens mostram Vorcaro perguntando ao cunhado por que os repasses ainda não tinham sido feitos e registrando repasses mencionados como “Tayaya – 15” (R$ 15 milhões) e repasses anteriores que totalizariam R$ 35 milhões.
- A Polícia Federal interpreta essas comunicações como indícios de transferência de recursos para um fundo vinculado ao resort, que era propriedade da empresa da família de Toffoli ou seus sócios.
4. Suspeição e perda da relatoria do caso
Após a PF encontrar menções ao nome de Toffoli em conversas do celular de Vorcaro, os delegados solicitaram ao presidente do STF, Edson Fachin, que analisasse a suspeição de Toffoli como relator do inquérito que investiga as irregularidades no Banco Master.
- Em meio à controvérsia, Toffoli acabou deixando a relatoria do caso Master, e a investigação foi redistribuída ao ministro André Mendonça.
5. Sigilo reforçado e controvérsia institucional
Parte substancial do material que vincula o ministro à investigação está sob sigilo judicial, e houve debates internos no STF sobre a condução e divulgação dessas informações:
- Alguns ministros criticaram a PF por conduzir investigações envolvendo um colega sem autorização prévia do próprio STF — levantando debates sobre sigilo e procedimentos legais.
- O novo relator, Mendonça, determinou que a PF respeite o “dever de sigilo profissional” no acesso e manejo das provas, reforçando que apenas autoridades diretamente envolvidas deveriam conhecer conteúdos sigilosos de autoridades públicas.



