Lula lança programa bilionário contra facções em ano eleitoral, mas verba equivale a menos de 1% do lucro do crime organizado

Governo anuncia pacote de R$ 1 bilhão para segurança pública enquanto facções movimentam quase R$ 147 bilhões por ano, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira (12) o chamado “Programa Brasil contra o Crime Organizado”, iniciativa apresentada como uma nova ofensiva federal contra facções criminosas e redes de atuação interestadual.

O pacote prevê investimento inicial de R$ 1,065 bilhão voltado para ações de inteligência, integração entre forças policiais, modernização operacional e combate ao avanço do crime organizado em diferentes regiões do país.

Apesar do anúncio, especialistas e integrantes do setor de segurança avaliam que o montante representa uma fração mínima diante da dimensão financeira alcançada pelas organizações criminosas no Brasil.

Levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública no estudo “Follow the Products”, publicado em fevereiro de 2025, estima que facções e estruturas criminosas movimentem cerca de R$ 146,8 bilhões por ano apenas em mercados ilegais selecionados.

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Valor anunciado por Lula representa menos de 1% da receita estimada das facções

Na prática, o valor prometido pelo governo federal equivale a menos de 1% da receita anual atribuída ao crime organizado no país.

O dado chama atenção principalmente porque o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública sequer inclui o tráfico de drogas — considerado historicamente uma das principais fontes de financiamento de facções criminosas.

O relatório considera receitas ligadas a mercados ilícitos como:

  • contrabando;
  • roubo de combustíveis;
  • exploração ilegal de ouro;
  • comércio clandestino de cigarros;
  • lavagem financeira;
  • fraudes;
  • mercados paralelos controlados por organizações criminosas.

A ausência do narcotráfico na estimativa reforça a percepção de que o poder financeiro real das facções pode ser significativamente maior do que o apresentado oficialmente.

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Governo promete integração policial e reforço em inteligência

Segundo o Palácio do Planalto, o programa pretende ampliar:

  • sistemas de inteligência;
  • compartilhamento de dados;
  • integração interestadual;
  • monitoramento financeiro;
  • capacidade operacional das forças de segurança.

O governo também sinalizou a possibilidade de liberar até R$ 10 bilhões adicionais para estados e municípios interessados em aderir ao programa.

No entanto, parte desses recursos deverá ocorrer via linhas de financiamento operadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o que gerou críticas de gestores locais preocupados com aumento de endividamento.

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PEC da Segurança segue parada no Congresso

Outro ponto que aumentou as críticas ao programa é a situação da chamada PEC da Segurança Pública, proposta defendida pelo governo federal para ampliar a coordenação nacional no combate ao crime organizado.

O texto segue parado há cerca de dois meses no Senado Federal sem definição de relator.

A proposta está sob responsabilidade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mas ainda não avançou na tramitação legislativa.

Nos bastidores políticos, a demora passou a ser interpretada como sinal de baixa prioridade institucional dada ao tema, apesar do crescimento das facções em diversos estados brasileiros.

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Imagem: Senado Federal

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Crime organizado amplia influência econômica e territorial no Brasil

Nos últimos anos, relatórios de segurança pública vêm apontando que facções deixaram de atuar apenas no tráfico de drogas e passaram a operar estruturas empresariais sofisticadas.

As organizações criminosas expandiram presença em áreas como:

  • logística;
  • mineração ilegal;
  • combustíveis;
  • mercado financeiro paralelo;
  • contrabando internacional;
  • serviços clandestinos;
  • exploração territorial.

Especialistas apontam que o combate moderno ao crime organizado exige integração financeira, inteligência digital, cooperação internacional e atuação permanente contra lavagem de dinheiro.

Sem isso, há avaliação crescente de que programas pontuais ou investimentos isolados tendem a ter impacto limitado diante da velocidade de expansão econômica das facções.

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Imagem: Investidores Brasil criado com IA

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Governo tenta transformar segurança em pauta eleitoral para 2026

O lançamento do programa também ocorre em meio ao aumento da pressão política sobre o governo na área da segurança pública, tema considerado estratégico para o cenário eleitoral de 2026.

Pesquisas recentes mostram crescimento da preocupação da população com violência urbana, avanço do crime organizado e sensação de insegurança em grandes cidades e regiões metropolitanas.

Dentro do governo, a expectativa é que o programa ajude a reforçar o discurso de enfrentamento às facções criminosas e amplie a presença federal na pauta da segurança.

Já críticos avaliam que o anúncio possui forte componente político e pode enfrentar dificuldades para produzir resultados concretos no curto prazo.

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Regiane Alves
Regiane Alveshttp://www.investidoresbrasil.com.br
Estrategista focada em proteger o investidor pessoa física dos conflitos de interesse dos grandes bancos e corretoras. Jornalista com formação em Ciências Contábeis e especialização em Mercado de Capitais. Especialista em Criptomoedas e Blockchain pela Universidade de Nicósia

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