A PRIO (PRIO3) reportou produção média de 148,5 mil barris de óleo equivalente por dia (boepd) em fevereiro, queda de aproximadamente 4,5% na comparação mensal frente aos 155,5 mil boepd de janeiro.
O movimento interrompe a estabilidade observada no início do ano e adiciona ruído de curto prazo à dinâmica operacional da companhia.
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O que explica a queda na produção da PRIO?
Segundo a empresa, os impactos foram pontuais e não estruturais, concentrados em diferentes ativos do portfólio:
1️⃣ Campo de Frade
- Testes de poços exigidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
- Testes de medição vinculados ao projeto Wahoo
2️⃣ Cluster Polvo + TBMT
- Falha temporária em turbina
3️⃣ Albacora Leste (90% de participação)
- Manutenção preventiva em compressor
4️⃣ Peregrino (80% de participação)
- Interrupção de geração de energia no FPSO por três dias
Em termos técnicos, trata-se de eventos de indisponibilidade operacional (downtime não programado e programado) — algo recorrente no segmento de upstream offshore.
Produção caiu, mas vendas avançaram
Apesar da retração produtiva, a companhia comercializou 4,29 milhões de barris no mês, indicando:
- Gestão ativa de estoques
- Sincronização eficiente entre produção e lifting
- Mitigação parcial do impacto de receita no curto prazo
Esse descolamento entre produção e vendas tende a suavizar a volatilidade no fluxo de caixa mensal, embora não elimine a sensibilidade ao preço do Brent.
Wahoo é o principal catalisador estrutural
O mercado mantém atenção no início da produção do Campo de Wahoo, considerado vetor de expansão relevante do portfólio.
A entrada em operação deve:
- Elevar produção consolidada
- Diluir lifting cost médio
- Aumentar geração operacional de caixa
- Reforçar narrativa de crescimento orgânico
Caso o cronograma seja mantido, o segundo trimestre pode marcar inflexão no volume produzido.
Como o mercado reage?
A leitura predominante entre analistas é que o recuo de fevereiro representa ruído operacional de curto prazo, não deterioração estrutural de ativos.
No entanto, investidores monitoram três variáveis críticas:
- Regularidade operacional nos próximos meses
- Ritmo de ramp-up do Wahoo
- Comportamento do Brent
A sensibilidade do papel permanece elevada a qualquer surpresa operacional, positiva ou negativa.
Ponto de atenção
Empresas independentes de óleo & gás como a PRIO apresentam alta alavancagem operacional ao volume produzido. Pequenas variações percentuais podem impactar EBITDA trimestral dependendo do timing de vendas e hedge.
O investidor profissional tende a olhar menos para um mês isolado e mais para:
- Média trimestral
- Guidance implícito
- Capex de expansão
- Evolução do lifting cost
A queda de 4,5% em fevereiro é operacionalmente relevante, mas, isoladamente, não altera a tese estrutural da companhia.
O verdadeiro vetor de precificação no curto/médio prazo continua sendo o início efetivo da produção em Wahoo e a manutenção da eficiência operacional nos ativos maduros.



