Percepção negativa avança e se torna mais um desafio para o governo às vésperas da eleição de 2026
A percepção da população sobre a corrupção voltou a acender um sinal de alerta em Brasília. Levantamento divulgado pelo instituto PoderData mostra que 47% dos brasileiros acreditam que a corrupção aumentou durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O número revela que quase um em cada dois eleitores enxerga um agravamento do problema no país, enquanto 28% afirmam que a situação permaneceu igual e 21% avaliam que houve redução da corrupção.
Embora a pesquisa meça percepção e não a ocorrência comprovada de crimes ou irregularidades, o resultado possui forte peso político porque influencia diretamente a confiança da população nas instituições, no governo federal e na condução da máquina pública.
Os números que preocupam o Palácio do Planalto
Segundo o levantamento, a percepção negativa continua em um dos patamares mais elevados registrados durante o atual mandato.
Como os brasileiros avaliam a corrupção atualmente:
- 47% dizem que aumentou;
- 28% afirmam que permaneceu igual;
- 21% acreditam que diminuiu;
- 5% não souberam responder.
Mais do que o percentual isolado, chama atenção a consolidação de uma tendência observada ao longo dos últimos dois anos: a parcela da população que vê piora na corrupção cresceu significativamente desde o início do governo Lula.
Para analistas políticos, a percepção pública muitas vezes produz impactos eleitorais semelhantes aos provocados pelos próprios indicadores econômicos, pois influencia diretamente a confiança da população no Estado.
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Os casos que continuam sem desfecho definitivo
Além da percepção de aumento da corrupção registrada pelo PoderData, diversos episódios envolvendo suspeitas de irregularidades, fraudes ou uso indevido de recursos públicos continuam sem conclusão definitiva durante o atual governo.
Em muitos deles, as investigações seguem em andamento ou ainda não houve responsabilização final dos envolvidos.
Fraude bilionária nos descontos do idosos do INSS
O caso mais explosivo do terceiro mandato de Lula envolve a chamada Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União.
As investigações apontam que aposentados e pensionistas sofreram descontos não autorizados em seus benefícios por meio de associações e entidades conveniadas ao INSS.
Auditorias apontaram prejuízo potencial superior a R$ 6 bilhões e milhões de beneficiários afetados. O caso provocou a queda do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, e do comando do INSS, mas as apurações seguem em andamento e ainda não há sentença definitiva nem definição completa sobre todos os responsáveis.
Contratos e licitações sob investigação em estatais
Órgãos de controle também abriram procedimentos para analisar contratos e processos de contratação em diferentes áreas da administração pública e empresas estatais.
Em diversos casos, auditorias foram instauradas para verificar possíveis irregularidades administrativas, mas as apurações seguem sem conclusão definitiva ou responsabilizações finais.
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Gastos públicos e questionamentos sobre viagens e eventos
Ao longo do mandato, despesas envolvendo viagens oficiais, eventos internacionais, delegações governamentais e uso de recursos públicos geraram questionamentos da oposição e pedidos de esclarecimentos por órgãos de fiscalização.
Embora tenham produzido debates políticos e requerimentos de informação, a maior parte desses episódios não resultou até o momento em condenações ou comprovação de ilegalidades.
Emendas parlamentares e repasses federais
Investigações relacionadas ao uso de emendas parlamentares, transferências especiais e destinação de verbas públicas continuam sendo alvo de acompanhamento por órgãos de controle.
O tema permanece sob escrutínio devido à dificuldade histórica de rastreamento integral dos recursos e à cobrança por maior transparência.
Convênios com entidades e organizações sociais
Auditorias federais também analisam convênios e parcerias firmadas com organizações da sociedade civil em diferentes áreas da administração pública.
Em vários casos, os processos ainda estão em fase de análise documental ou de prestação de contas, sem conclusão definitiva.
VEJA ABAIXO INFOGRÁFICO DA PERCEPÇÃO DE CORRUPÇÃO NO BRASIL:

O que explica a percepção de aumento da corrupção?
A percepção da população não depende apenas de condenações judiciais.
Especialistas apontam que investigações amplamente divulgadas, operações policiais, denúncias, CPIs e disputas políticas costumam influenciar fortemente a opinião pública.
Mesmo quando não há decisão final da Justiça, a exposição constante de suspeitas e investigações tende a afetar a confiança da população nas instituições e na capacidade do governo de fiscalizar o uso dos recursos públicos.
Por isso, analistas avaliam que o escândalo dos descontos indevidos do INSS tornou-se um dos principais fatores que ajudam a explicar por que 47% dos brasileiros afirmam hoje perceber aumento da corrupção no país.
O desmonte da Lava Jato no Brasil e a reabilitação de empreiteiras envolvidas em escândalos
Esse é um dos pontos que mais aparecem quando pesquisadores tentam explicar por que parte significativa da população acredita que a corrupção aumentou ou que o combate à corrupção perdeu força.
O que apontam
Críticos do governo e de decisões judiciais recentes afirmam que houve um processo gradual de desmontagem institucional da Operação Lava Jato.
Entre os argumentos mais citados estão:
- anulação de condenações;
- invalidação de provas obtidas em acordos da operação;
- renegociação de acordos de leniência;
- revisão de multas bilionárias;
- retorno de grupos empresariais envolvidos nos escândalos aos contratos públicos;
- enfraquecimento de mecanismos que haviam sido criados após as investigações.
O retorno das empreiteiras ao mercado público
Outro ponto frequentemente destacado é que empresas que admitiram participação em esquemas revelados pela Lava Jato voltaram gradualmente a disputar contratos públicos após firmarem acordos de leniência e programas de compliance.
Defensores dessa política argumentam que a punição deve atingir os responsáveis pelos ilícitos e não destruir empresas que empregam milhares de trabalhadores.
Já os críticos afirmam que a volta dessas companhias ao mercado sem uma percepção clara de responsabilização contribui para a sensação de impunidade existente na sociedade.
As decisões do STF e a revisão dos acordos
Nos últimos anos, o Supremo passou a revisar diversos aspectos da Lava Jato.
Houve decisões anulando provas derivadas de acordos de colaboração e discussões sobre a renegociação dos acordos de leniência firmados pelas empreiteiras. Além disso, acordos passaram por repactuação envolvendo órgãos como AGU, CGU e TCU.
Por que esse tema influencia a percepção popular
Independentemente da interpretação jurídica, o fato é que a Lava Jato foi, para muitos brasileiros, o maior símbolo de combate à corrupção das últimas décadas.
Por isso, cada decisão que reduz multas, anula provas, revê condenações ou renegocia acordos acaba produzindo impacto político e simbólico muito superior ao aspecto técnico do processo. Enquanto no resto do mundo a Lava-Jato continua punindo e recuperando valores desviados, no Brasil culpados confesso são liberados e recebem benefícios.
É justamente essa percepção que pode ajudar a explicar parte do resultado do PoderData: para uma parcela relevante do eleitorado, o problema não é apenas a existência de novos escândalos, mas a sensação de que os mecanismos de punição criados após a Lava Jato perderam força ou foram gradualmente desmontados.
O desafio político para Lula em 2026
O levantamento surge em um momento delicado para o governo.
Além dos desafios econômicos, das discussões sobre gastos públicos e das disputas envolvendo a política fiscal, a administração federal passa a lidar também com um indicador de percepção pública desfavorável em uma das pautas mais sensíveis da política brasileira.
A corrupção continua figurando entre os assuntos que mais mobilizam a opinião pública ao lado de temas como segurança pública, inflação, custo de vida, emprego e poder de compra.
Com a eleição presidencial de 2026 se aproximando, a capacidade do governo de reverter essa percepção poderá se tornar um dos fatores observados por partidos, investidores e agentes políticos.
Como existe a demora na busca pelos culpados e a maioria das investigações ainda não tenha sido concluída, o escândalo bilionário dos descontos indevidos do INSS já produziu um forte impacto político, derrubou autoridades do governo Lula e se tornou um dos episódios mais associados à percepção de aumento da corrupção registrada pelos brasileiros em 2026.
Controvérsias e episódios que alimentaram o alerta sobre a falta de transparência e gestão de Lula
Além do escândalo dos descontos indevidos do INSS, outros episódios ganharam grande repercussão nacional e contribuíram para o debate sobre transparência, uso de recursos públicos e governança durante o terceiro mandato de Lula.
Em muitos desses casos, não houve condenações definitivas ou encerramento completo das discussões pelos órgãos de controle. A demora em encontrar os culpados para grande parte da população já é um indicativo de culpa. Isto porque, no mesmo período em que investigações que envolvem autoridades ligadas ao governo Lula seguem sem solução, aquelas que o governo prioriza punir os culpados rapidamente, como a da suposta tentativa de golpe que incluiu o ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorreu em tempo recorde no Brasil.
Leilão do arroz importado após as enchentes no Rio Grande do Sul
Durante a tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024, o governo Lula anunciou uma operação para importação de arroz com o objetivo de evitar alta de preços e garantir abastecimento, chamado de “Arrozão”.
O processo acabou cercado por questionamentos envolvendo empresas vencedoras do certame, capacidade operacional de participantes e critérios adotados pelo governo. Membros do governo Lula chegaram a ser demitidos, devido a irregularidade, mas o processo ficou sem a conclusão formal pública dos culpados.
A repercussão levou ao cancelamento do leilão original e à revisão da operação. O episódio provocou desgaste político e levantou dúvidas sobre os mecanismos de contratação emergencial. E o curioso é que ficou comprovado que não existia de fato como especialistas afirmavam a necessidade do leilão de arroz promovido pelo governo Lula, não faltou arroz no Brasil. Se o mesmo tivesse sido efetivado é provável que o agro seria ainda mais penalizado.
Sigilos impostos pelo governo
Durante a campanha presidencial de 2022, Lula criticou o uso de sigilos de 100 anos adotados pelo governo anterior e prometeu ampliar a transparência.
Ao longo do mandato, porém, decisões envolvendo o aumento de restrição de acesso a informações públicas geraram críticas da população e de entidades ligadas à transparência governamental.
Os debates envolveram documentos administrativos, agendas, registros de autoridades e outros dados cujo acesso foi limitado pela gestão Lula.
O tema continua sendo usado por adversários políticos para questionar a coerência entre o discurso de campanha e a prática administrativa do governo Lula.
Caso das marmitas financiadas com recursos federais em São Paulo
Contratos e repasses destinados à distribuição de refeições para populações vulneráveis em São Paulo também foram alvo de questionamentos, ONG com vinculo ao PT recebeu o dinheiro e não entregou as marmitas.
Críticos apontaram possíveis falhas na execução dos programas e divergências entre valores contratados e entregas efetivamente realizadas.
Os episódios geraram pedidos de esclarecimento e cobranças por maior fiscalização dos recursos públicos destinados às entidades executoras.
A polêmica dos móveis do Palácio da Alvorada
Uma das primeiras controvérsias do mandato surgiu quando integrantes do governo afirmaram que diversos móveis e itens do acervo do Palácio da Alvorada não teriam sido encontrados após a transição presidencial.
Meses depois os objetos foram localizados em depósitos e áreas de armazenamento vinculadas ao patrimônio da Presidência, onde de fatos é o lugar delas.
O episódio provocou forte desgaste político, críticas da oposição e questionamentos sobre os procedimentos adotados antes das acusações públicas.
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Questionamentos sobre nomeações no Ministério da Saúde
Também houve repercussão envolvendo indicações e nomeações relacionadas ao Ministério da Saúde.
Entre os casos amplamente debatidos estavam acusações de favorecimento político e críticas sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo familiares de integrantes da pasta.
Os episódios geraram questionamentos públicos e pedidos de explicação, embora sem condenações definitivas até o momento.
Gastos com viagens, eventos internacionais e comitivas
Outro tema recorrente envolve os custos de viagens internacionais, eventos diplomáticos e grandes delegações oficiais.
Embora as despesas estejam previstas na administração pública, os valores passaram a ser alvo frequente de críticas por parte da oposição, especialmente em momentos de pressão fiscal e cortes orçamentários em outras áreas.
O impacto político da sucessão de controvérsias
Isoladamente, cada episódio produz impacto limitado.
Mas especialistas em opinião pública observam que a sucessão de controvérsias, investigações, denúncias, suspeitas e disputas sobre transparência tende a influenciar a percepção do eleitorado.
Por isso, mesmo sem condenações definitivas em grande parte desses casos, o acúmulo de episódios de repercussão nacional ajuda a explicar por que a pesquisa PoderData encontrou um contingente expressivo de brasileiros que acredita que a corrupção aumentou durante o atual governo.
Os principais escândalos e desgastes do governo Lula entre 2023 e 2026
- 2023 — Polêmica dos móveis do Alvorada.
- 2024 — Leilão do arroz importado após enchentes no RS.
- 2024–2026 — Debates sobre sigilos e transparência. Gastos com viagens e comitivas oficiais.
- Nomeações e suspeitas de favorecimento em ministérios.
- 2024–2025 —Sigilos e transparência governamental.
- 2024–2025 Caso das marmitas financiadas com recursos federais não entregues e pagas para organizações aliadas ao PT.
- 2025 — Questionamentos sobre contratos sociais e repasses federais.
- 2025–2026 — Fraude bilionária dos descontos do INSS.
- 2025–2026 — Fraude Banco Master e as influências política e financeiras com reuniões fora da agenda e omitidas.
- 2025–2026 — Controvérsias envolvendo nomeações e conflitos de interesse em ministérios.
- Fraude bilionária dos descontos do INSS.
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O retrato de um país dividido
Embora 47% enxerguem aumento da corrupção, uma parcela relevante dos entrevistados discorda dessa avaliação.
Os dados mostram que o tema continua dividindo opiniões e reforçam a polarização política que marca o cenário brasileiro nos últimos anos.
Ainda assim, o principal recado da pesquisa é claro:
A percepção de piora da corrupção tornou-se majoritária no país e representa mais um desafio para o governo Lula em um momento decisivo do ciclo político nacional.







