Governador afirma que Forças Armadas estão “morrendo” e “definhando”; alerta ganha peso após contingenciamento atingir operações de fronteira e pesquisa mostrar que 59% dos brasileiros apoiam classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas. Fato que Lula recusa.
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez nesta quarta-feira (19) um alerta sobre a capacidade das Forças Armadas de proteger as fronteiras brasileiras e, consequentemente, ajudar a impedir a entrada de drogas e armas utilizadas pelo crime organizado.
Durante sabatina da Jovem Pan News, Tarcísio afirmou que as Forças Armadas estão “morrendo” e “definhando” durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Não fabricamos pasta-base de droga. Não produzimos determinados armamentos, e eles entram pelas nossas fronteiras”, afirmou.
Na sequência, completou:
“As Forças Armadas estão morrendo, estão definhando.”
A declaração ocorre às vésperas da eleição de 2026, mas o alerta ganhou uma dimensão concreta nos últimos meses: em maio, o governo Lula contingenciou R$ 4,3 bilhões do orçamento do Ministério da Defesa. Desse total, aproximadamente R$ 1,5 bilhão atingiu recursos destinados ao Exército, segundo informações divulgadas à época.
O bloqueio levou a Força Terrestre a suspender operações específicas de monitoramento e combate ao crime nas fronteiras. As ações permanentes de patrulhamento e vigilância, porém, continuaram.
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O número que coloca o alerta de Tarcísio em perspectiva
O episódio não significa que o Brasil tenha simplesmente deixado de fiscalizar suas fronteiras.
O que aconteceu foi mais específico — e justamente por isso mais importante.
O contingenciamento reduziu recursos disponíveis para operações extraordinárias realizadas pelo Exército em regiões de fronteira, afetando ações voltadas ao combate de crimes transfronteiriços.
Na prática, isso significa menos capacidade para operações adicionais justamente em áreas utilizadas por redes de tráfico, contrabando e outros crimes.
A diferença entre patrulhamento permanente e capacidade de realizar operações adicionais é fundamental.
Uma fronteira pode continuar oficialmente monitorada e, ao mesmo tempo, ter sua capacidade de resposta reduzida quando faltam recursos para deslocamento de tropas, logística, combustível, equipamentos e operações de maior escala.
Foi nesse contexto que o alerta de Tarcísio ganhou relevância.
PCC e Comando Vermelho: maioria dos brasileiros quer endurecimento
Outro dado ajuda a dimensionar a preocupação da população.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em junho mostrou que 59% dos brasileiros concordam total ou parcialmente com a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
Apenas 33% foram contrários à medida.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em 139 municípios, nos dias 17 e 18 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais.
O resultado é relevante porque mostra que a preocupação com as duas maiores facções criminosas do país não está restrita ao debate entre políticos.
Para a maioria dos entrevistados ouvidos pelo Datafolha, o enquadramento como terrorismo é aceitável.
Outro levantamento, realizado pela AtlasIntel, encontrou resultado semelhante: 53,1% dos brasileiros disseram aprovar a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e CV como organizações terroristas, enquanto 44,7% reprovaram.
EUA classificaram as duas facções como terroristas
A discussão ganhou dimensão internacional em 2026.
A medida coloca as duas maiores facções criminosas brasileiras dentro de um regime americano de combate ao terrorismo, com consequências que ultrapassam o território dos Estados Unidos, especialmente em relação a patrimônio, financiamento e apoio material às organizações.
O governo Lula, entretanto, não adotou a mesma classificação.
Lula contestou o enquadramento americano e afirmou que PCC e Comando Vermelho não são terroristas no sentido utilizado por Washington, diferenciando o crime organizado do terrorismo tradicional. Contudo, O PT já esta a quase 20 anos no poder e o problema do crime organizado cresceu neste período.
No Brasil, juridicamente, as facções continuam enquadradas como organizações criminosas, enquanto tramita no Congresso uma proposta para ampliar o tratamento dado a grupos como PCC e CV. A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara chegou a aprovar projeto que prevê a classificação dessas facções como grupos terroristas. Mas Alcolumbre presidente do Congresso até hoje não deu andamento no trâmite.

A questão que permanece: como impedir que armas e drogas atravessem a fronteira?
É aqui que a declaração de Tarcísio se conecta diretamente ao problema nacional.
O governador não está dizendo que o Exército deve substituir as polícias.
O ponto levantado é que uma parcela importante das drogas e armas utilizadas pelo crime organizado chega ao Brasil por rotas internacionais.
Portanto, o combate às facções não começa apenas nas comunidades onde elas exercem controle territorial.
Ele também começa na fronteira.
Quanto mais eficiente for o controle das rotas de entrada, maior a possibilidade de interromper a cadeia criminosa antes que drogas, armas e dinheiro cheguem aos grandes centros.
O problema não é apenas policial — é financeiro
Existe ainda uma dimensão econômica que costuma desaparecer do debate político.
O tráfico movimenta dinheiro.
As organizações criminosas utilizam empresas, imóveis, transportadoras, postos de combustíveis, comércio e estruturas financeiras para movimentar e ocultar recursos.
Uma operação contra o tráfico, portanto, não representa apenas a apreensão de drogas ou armas.
Ela também pode interromper uma cadeia financeira que alimenta organizações criminosas e amplia sua capacidade de corrupção, compra de armamentos e expansão territorial. O tráfico também historicamente financia políticos.
É por isso que o controle das fronteiras interessa diretamente à economia formal.
O contingenciamento expôs uma fragilidade da gestão brasileira
O bloqueio de R$ 4,3 bilhões na Defesa não significa que todo esse valor tenha sido retirado das operações de fronteira.
Mas os efeitos foram concretos.
Cerca de R$ 1,5 bilhão atingiu recursos do Exército, e a Força suspendeu operações específicas de monitoramento e combate ao crime nas fronteiras.
Esse episódio mostra uma vulnerabilidade que independe de partido:
a capacidade de controlar uma fronteira continental depende de orçamento.
Tropas precisam se deslocar. Equipamentos precisam ser mantidos. Veículos precisam de combustível. Sistemas de vigilância precisam funcionar. Operações especiais precisam de logística.
Sem recursos, a presença do Estado pode permanecer, mas sua capacidade de ampliar a fiscalização e reagir a situações específicas diminui.
São Paulo apresenta outro modelo de integração
Durante a sabatina, Tarcísio também citou a atuação de São Paulo contra o crime organizado.
Segundo o governador, o Estado realizou 542 operações em parceria com Polícia Federal, Receita Federal e Gaeco.
A ideia apresentada é integrar órgãos que atuam em pontos diferentes da mesma estrutura criminosa.
A Polícia investiga e prende. A Receita pode identificar irregularidades fiscais e movimentações suspeitas. O Ministério Público atua na investigação e responsabilização. A inteligência permite conectar indivíduos, empresas e fluxos financeiros.
Esse modelo é especialmente importante quando o objetivo deixa de ser apenas prender integrantes de uma facção e passa a ser desmontar sua estrutura econômica.

A eleição coloca a segurança no centro do debate, e se o eleitor quer mais segurança vai ter que mudar a gestão do Brasil
A declaração de Tarcísio ocorre a poucos meses da eleição de 2026.
Isso naturalmente coloca a segurança pública entre os temas eleitorais mais relevantes.
Mas os números mostram que a discussão já ultrapassou a disputa entre candidatos.
De um lado, 59% dos brasileiros ouvidos pelo Datafolha apoiam classificar PCC e CV como organizações terroristas
De outro, o governo Lula mantém uma posição diferente da adotada pelos Estados Unidos e não trata essas facções como organizações terroristas no ordenamento jurídico nacional, nem tão pouco conseguiu mostrar com número uma melhora na segurança do país. Na realidade a segurança dos brasileiros despencou e o feminicídio bateu recorde.
E, enquanto essa discussão avança, um dado concreto permanece: o contingenciamento de R$ 4,3 bilhões na Defesa já produziu suspensão de operações específicas do Exército nas fronteiras.
O alerta de Tarcísio chega em um momento decisivo
A discussão, portanto, não precisa ser reduzida a Lula contra Tarcísio.
Existe uma questão de Estado por trás da declaração.
O Brasil precisa impedir que organizações criminosas continuem ampliando sua capacidade financeira e territorial. Para isso, o combate dentro das cidades é apenas uma parte da estratégia. E assim, evitar que criminosos tomem comunidades inteiras como vem ocorrendo em alguns lugares.
A outra está longe dos grandes centros: nas fronteiras por onde entram drogas, armas e mercadorias ilegais.
O dado mais preocupante é que o país enfrenta esse desafio justamente quando recursos destinados à Defesa foram contingenciados e operações específicas de fronteira precisaram ser suspensas.
Ao mesmo tempo, a população demonstra que quer respostas mais duras contra as grandes facções: 59% apoiam a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
Às vésperas da eleição, a questão que fica para o próximo governo é objetiva:
o Brasil vai aumentar a capacidade de controlar suas fronteiras e atacar o crime organizado e acabar com a parte dele que já está nas cidades, ou continuará tentando combater uma estrutura internacional depois que drogas, armas e dinheiro já estiverem dentro do país?


