A Verde Asset, gestora liderada por Luis Stuhlberger, reduziu sua posição na Bolsa brasileira em janeiro de 2026, vendendo “alguns papéis específicos”. A decisão foi comunicada na carta mensal da gestora e reflete uma postura cautelosa diante da forte valorização recente do mercado acionário.
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A posição em ações globais foi mantida. Na renda fixa local, o fundo Verde continuou com posição comprada em juro real. Nos Estados Unidos, manteve a alocação aplicada em juro real e comprada na inflação implícita. Preservou ainda a posição no renminbi chinês e em uma cesta de moedas contra o dólar, além das opções de compra no real e no ouro. A alocação de crédito foi mantida.
Principais pontos
- Desempenho do fundo: O Verde rendeu 3,03% em janeiro, superando o CDI (1,16%).
- Exposição mantida: A gestora preservou posições em ações globais, ouro, moedas (com destaque para o real) e juros reais, tanto no Brasil quanto nos EUA.
- Entrada de capital estrangeiro: O Ibovespa subiu 12,6% em janeiro, impulsionado por R$ 26,3 bilhões de investidores estrangeiros — mais que todo o fluxo de 2025.
- Custo de capital: Estrangeiros operam com custo de capital mais baixo, aceitando pagar preços mais altos por ativos locais, o que pressiona a precificação.
- Alerta da gestora: Para que o ciclo de alta se sustente, o Brasil precisa enfrentar seus dilemas fiscais e reduzir juros de forma consistente.
Análise conservadora
A Verde Asset compara o momento atual a ciclos anteriores:
- Superciclo (2003–2011): impulsionado por forte crescimento de lucros.
- Miniciclo (2016–2017): valorização sem sustentação sólida.
Segundo a gestora, o cenário atual se assemelha mais ao miniciclo, com ganhos relevantes, mas sem fundamentos robustos para uma década de expansão.
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A Verde observa que o investidor gringo trabalha com um custo de capital substancialmente mais baixo que o investidor local, refém do CDI. No momento em que o estrangeiro não se preocupa com o risco cambial, esse custo menor permite que ele aceite pagar preços significativamente mais altos pelos ativos locais do que os investidores brasileiros.
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Impacto para investidores com governo Lula
- Risco fiscal: Sem ajuste nas contas públicas, o ciclo pode perder fôlego.
- Juros elevados: Mantêm custo de capital alto para investidores locais.
- Oportunidades globais: A diversificação em ouro, moedas e ações internacionais segue como estratégia defensiva.
A Verde chama atenção para a necessidade de ajustes fiscais como condição para que o ciclo de alta das ações se estenda. “Ao fim e ao cabo, ou o Brasil enfrenta seus dilemas fiscais e destrava juros substancialmente menores, ou teremos dificuldade de estender e alongar sustentadamente o ciclo de alta no preço dos nossos ativos”, afirma.
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A decisão da Verde Asset reforça a necessidade de cautela. Apesar da entrada maciça de capital estrangeiro e da valorização expressiva do Ibovespa, o alerta da gestora é claro: sem disciplina fiscal e redução estrutural dos juros, o ciclo de alta pode ser limitado.



