Nesta quarta-feira (4), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de dois servidores do Banco Central do Brasil (BC) da gestão Lula, no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga esquema de fraudes financeiras envolvendo o falido Banco Master. A medida judicial ocorre simultaneamente à prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição, também autorizada por Mendonça e cumprida pela Polícia Federal em São Paulo.
Escopo da Operação e Objetivos da Ação
A terceira fase da Compliance Zero foi autorizada pelo STF para aprofundar a apuração de indícios de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos atribuídos a uma organização criminosa que teria atuado no Banco Master. Além de ordens de prisão preventiva (quatro ao todo) e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, a Justiça também determinou o sequestro e o bloqueio de bens do grupo investigado em até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper movimentações suspeitas de ativos vinculados às práticas ilícitas sob investigação.
Afastamento de Servidores do Banco Central
Os dois funcionários do Banco Central afastados por decisão judicial são Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza — ambos ligados ao departamento de supervisão bancária da autarquia. Segundo informações da PF e reportagens apuradas, eles já vinham sendo alvo de uma sindicância interna no BC desde o fim de 2025, quando a própria autoridade monetária instaurou investigação administrativa para esclarecer condutas relacionadas ao caso Banco Master.
Significado Institucional e Desdobramentos
O caso do Banco Master já provocou impactos concretos no sistema financeiro — inclusive com pedidos de liberação judicial de recursos e disputas sobre carteiras de crédito entre instituições como o Banco de Brasília (BRB) e liquidantes, em meio à liquidação extrajudicial da instituição alvo das apurações.
Impacto na Supervisão Bancária
A ordem de afastamento de servidores do BC evidencia a crescente pressão institucional por resposta efetiva às falhas de supervisão que precederam a liquidação do Banco Master, além de reforçar a centralidade do STF na coordenação de investigações com potencial impacto sistêmico. O desdobramento deixa claro que, num cenário de crimes financeiros complexos e com envolvimento de autoridades, a interface entre regulação bancária, investigação criminal e controle jurisdicional será um elemento determinante para a credibilidade do arcabouço regulatório brasileiro.



