Direita e apoiadores de Flávio conquistam 10 dos 20 governos definidos no 1º turno. Apenas 5 apoiaram Lula

INVESTIDORES BRASIL

PL, Republicanos e PP elegeram dez governadores; cinco dos 20 vencedores apoiaram Lula, dez declararam apoio a Flávio Bolsonaro e quatro ficaram neutros

O primeiro turno das eleições de 2026 consolidou a presença de partidos de direita no comando dos governos estaduais. PL, Republicanos e PP conquistaram dez dos 20 governos definidos neste domingo (4), incluindo São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país.

O resultado também produziu um mapa mais claro sobre o posicionamento dos governadores eleitos na disputa presidencial. Dez dos 20 vencedores apoiaram Flávio Bolsonaro (PL), cinco apoiaram Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quatro adotaram neutralidade e um, Daniel Vilela (MDB), apoiou Ronaldo Caiado (PSD).

SAIBA: Ministro de Lula comemora adiamento sobre Moraes no STF e diz que PT vai “desconstruir” Flávio

Dez governos com apoio a Flávio

O grupo que apoiou Flávio Bolsonaro reúne governadores eleitos em diferentes regiões do país.

São eles: Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo; Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais; Otaviano Pivetta (Republicanos), em Mato Grosso; Eduardo Riedel (PP), em Mato Grosso do Sul; Dr. Daniel (Podemos), no Pará; Sergio Moro (PL), no Paraná; Marcos Rogério (PL), em Rondônia; Arthur Henrique (PL), em Roraima; Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina; e Luciano Zucco (PL), no Rio Grande do Sul.

O PL elegeu cinco governadores no primeiro turno. Republicanos elegeu três, enquanto o PP conquistou dois governos.

Entre os eleitos, Cleitinho e Pivetta declararam apoio a Flávio mesmo sem terem recebido apoio formal do presidenciável ou do PL durante suas campanhas estaduais.

LEIA MAIS: Ibovespa em dólar dispara 8,72% após 1º turno com liderança de Flávio Bolsonaro. Mercado fica positivo com mudança de rumo no Brasil

Cinco governadores apoiaram Lula

O presidente Lula recebeu apoio de cinco dos 20 governadores eleitos no primeiro turno.

ACESSO AO GRUPO VIP INVESTIDORES BRASIL

O grupo é formado por Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia; Elmano de Freitas (PT), no Ceará; Rafael Fonteles (PT), no Piauí; Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba; e Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe.

O dado mostra que o apoio ao presidente não ficou restrito ao PT. Lucas Ribeiro, do PP, e Fábio Mitidieri, do PSD, também apoiaram Lula na disputa presidencial, apesar de pertencerem a partidos que possuem posicionamentos internos mais heterogêneos.

VEJA: STF atropela TSE em ao menos 4 episódios e expõe risco de insegurança jurídica na eleição

PSD ficou dividido

O resultado do PSD é um dos exemplos mais claros de que partido e posicionamento presidencial não são necessariamente a mesma coisa.

A legenda elegeu quatro governadores no primeiro turno: Dr. Furlan (Amapá), Eduardo Braide (Maranhão), Raquel Lyra (Pernambuco) e Fábio Mitidieri (Sergipe).

Dos quatro, Mitidieri apoiou Lula. Furlan, Braide e Raquel Lyra foram classificados como neutros na disputa presidencial do primeiro turno.

Raquel Lyra, embora tenha agradecido publicamente a Lula pelo apoio recebido durante seu primeiro governo, não declarou voto no presidente na eleição nacional. Após a vitória, também resistia a anunciar apoio ao petista no segundo turno.

O PSD decidiu manter neutralidade partidária no segundo turno presidencial e liberou diretórios, lideranças e filiados para definir seus próprios apoios.

MAIS: PT assinou regra do púlpito vazio e depois foi ao TSE com ministra indicada por Lula, para derrubar a própria regra do debate da Globo

MDB não entrou no bloco de apoio a Lula

O único governador eleito pelo MDB no primeiro turno foi Daniel Vilela, em Goiás.

Apesar de o MDB integrar a base política do governo federal em diferentes momentos e de setores da legenda terem relação com o governo Lula, Vilela não apoiou Lula na disputa presidencial. O governador eleito declarou apoio a Ronaldo Caiado (PSD), que terminou a disputa presidencial em terceiro lugar.

Esse caso reforça a diferença entre proximidade institucional com o governo federal e apoio eleitoral ao candidato do governo.

LEIA TAMBÉM: Lula faz boca de urna ao pedir voto no dia da eleição, cita o 13 e provoca indignação após gesto com bandeira do Brasil

O mapa partidário dos 20 governos

Além dos dez governos conquistados por PL, Republicanos e PP, o PT elegeu três governadores, enquanto o PSD conquistou quatro.

MDB, PSDB e Podemos elegeram um governador cada.

O mapa ficou assim:

  • PL: 5 governos
  • PSD: 4
  • PT: 3
  • Republicanos: 3
  • PP: 2
  • MDB: 1
  • PSDB: 1
  • Podemos: 1

O número de 20 governadores eleitos no primeiro turno é o maior deste século, superando os 18 registrados em 2010 e os 17 de 2006.

SAIBA: Tarcísio é reeleito em São Paulo no 1º turno com 62,8% e agradece Bolsonaro: “Quero fazer mais”

Como os partidos se comportaram no Congresso durante o governo Lula

O mapa dos governos estaduais pode ser complementado pelo comportamento das bancadas no Congresso. Esse indicador ajuda a separar posição ideológica, apoio eleitoral e governismo parlamentar, três dimensões que não são necessariamente iguais.

Levantamento da consultoria Ética Inteligência Política, com as votações do primeiro semestre de 2026, mostra diferenças importantes entre as legendas. Na Câmara, o PSD elevou seu alinhamento a projetos prioritários do governo Lula de 40% no primeiro semestre de 2025 para 60% em 2026. No Senado, porém, o índice caiu de 80% para 40%.

O PT, partido de Lula, manteve o maior nível de alinhamento com o governo entre suas bancadas. Já partidos como MDB e PSD, embora sejam tradicionalmente classificados no centro, apresentaram comportamento parlamentar frequentemente mais próximo do governo Lula do que as legendas de oposição. Em 2024, por exemplo, o MDB orientou a bancada a votar com o governo Lula em 90% das votações na Câmara e 80% no Senado; no PSD, os índices foram de 81% e 80%, respectivamente.

O cenário de 2026, entretanto, ficou mais dividido. No Senado, PSD, União Brasil e Podemos reduziram o alinhamento a Lula para 40%, enquanto PP, Republicanos, MDB e PL também registraram 40% no primeiro semestre. Na Câmara, o PSD foi na direção oposta e aumentou seu alinhamento para 60%, enquanto PL e Podemos ficaram em 40%.

A análise mais ampla do GPS Partidário 2026, da Folha, reforça essa característica do Congresso. O levantamento analisou 1.097 votações nominais na Câmara entre janeiro de 2023 e julho de 2026 e identificou um grande bloco formado por PSD, Republicanos, MDB e PP. Segundo a metodologia, nas votações desta legislatura esse bloco votou com o governo Lula em boa parte das matérias, embora seu posicionamento também seja influenciado pelas negociações entre Congresso e Executivo.

O levantamento também mostra por que não é adequado transformar automaticamente esse comportamento em uma classificação ideológica. O mesmo partido pode apoiar o governo em determinadas votações e divergir em outras, enquanto sua bancada estadual pode adotar uma posição diferente da direção nacional.

O que os dados permitem concluir

O quadro, portanto, é mais complexo do que simplesmente dividir o Congresso entre “governo” e “oposição”.

PT é o partido do governo e apresenta o maior alinhamento com o Planalto. PSD e MDB, embora classificados como partidos de centro em diferentes estudos, tiveram participação relevante na sustentação parlamentar do governo Lula. PP e Republicanos também participaram da base em diferentes momentos, mas apresentaram níveis de apoio inferiores aos registrados por PT, MDB e PSD em determinados períodos e votações. PL, por sua vez, é a principal legenda da oposição ao governo Lula, embora também tenha registrado votos alinhados ao Planalto em parte das matérias analisadas, quando as mesmas eram condizentes com a ideologia da direita.

Esse histórico é relevante para interpretar o mapa dos governadores eleitos: o partido pelo qual um governador foi eleito não determina necessariamente seu comportamento na disputa presidencial nem seu comportamento parlamentar em Brasília.

Ao apresentar separadamente os votos no Congresso e os apoios declarados no segundo turno, o eleitor consegue distinguir quem apoiou Lula na eleição, quem apoiou Flávio Bolsonaro, quem permaneceu neutro e como as respectivas legendas se comportaram nas votações durante o governo Lula.

O que o resultado mostra sobre a disputa presidencial

O mapa estadual não reproduziu integralmente a divisão entre Lula e Flávio Bolsonaro. Houve governadores que apoiaram um dos dois candidatos, mas também candidatos que preferiram manter distância da disputa nacional.

Ainda assim, o dado objetivo é que dez governadores eleitos já chegam ao segundo turno identificados com Flávio Bolsonaro, enquanto cinco apoiaram Lula. Outros quatro permaneceram neutros e Daniel Vilela apoiou Caiado.

A distribuição também mostra que a direita conquistou governos em diferentes regiões e nos dois maiores colégios eleitorais do país. Tarcísio em São Paulo e Cleitinho em Minas Gerais foram eleitos pelo Republicanos, enquanto o PL venceu nos três estados do Sul, além de Rondônia e Roraima.

Para o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, o resultado estadual representa uma rede de governos e lideranças que poderá participar da mobilização política nas próximas semanas.

A eleição estadual, porém, não determina automaticamente o comportamento do eleitor na disputa presidencial. O próprio resultado do primeiro turno mostra isso: partidos como PSD e MDB tiveram governadores com posicionamentos presidenciais diferentes, enquanto PP e Podemos também tiveram eleitos apoiando candidaturas distintas ou adotando estratégias próprias.

O que o mercado não quer que você saiba

Chega de receber informação controlada?

Receba gratuitamente no seu e-mail aquilo que o mercado sabe mas não divulga.

  • ✓ Informação independente
  • ✓ O que as instituições financeiras não querem que o brasileiro saiba
  • ✓ Tome suas decisões sem depender de influenciadores pagos pelo mercado
  • ✓ Entenda quem ganha e quem perde em cada movimento, e porque
Publicidade
Publicidade
Eloisa Shoes
Eloisa Shoes
Apresentadora de podcast e redatora. Especialista em finanças pela PUC Minas
spot_img

Últimas

Publicidade

RELACIONADOS

PUBLICIDADE