Petista recebeu 72,98% dos votos válidos nas seções eleitorais instaladas em estabelecimentos penais no primeiro turno; Flávio Bolsonaro ficou com 23,15%
O presidente Lula (PT) manteve ampla vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas instaladas em estabelecimentos penais no primeiro turno das eleições de 2026. Dados foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Dos votos válidos registrados nessas seções, 72,98% foram para Lula, enquanto 23,15% foram para Flávio Bolsonaro. Em números absolutos, o petista recebeu 8.088 votos, contra 2.565 do candidato do PL.
A diferença chegou a 49,83 pontos percentuais.
O resultado chama atenção porque contrasta com a mudança observada no cenário eleitoral brasileiro neste primeiro turno, marcado pelo avanço da direita em diferentes segmentos do eleitorado.
Lula teve mais de três vezes os votos de Flávio
O resultado das seções instaladas em estabelecimentos penais foi:
| Candidato | Votos | % dos válidos |
|---|---|---|
| Lula (PT) | 8.088 | 72,98% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 2.565 | 23,15% |
| Augusto Cury (Avante) | 172 | 1,60% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 139 | 1,30% |
| Renan Santos (Missão) | 71 | 0,64% |
| Romeu Zema (Novo) | 10 | 0,09% |
Os demais candidatos tiveram resultados residuais.
O resultado se repete nos maiores colégios
A vantagem de Lula aparece com força nos estados que concentraram maior número de seções eleitorais em estabelecimentos penais.
Em São Paulo, foram 2.248 votos para Lula, equivalentes a 76,46%, contra 576 para Flávio Bolsonaro, ou 19,59%.
Na Bahia, Lula chegou a 76,69%, com 1.257 votos. Flávio teve 332 votos, ou 20,26%.
No Espírito Santo, o petista recebeu 754 votos, correspondentes a 72,92%, enquanto Flávio alcançou 228, ou 22,05%.
Amazonas e Roraima fogem do padrão
A vantagem de Lula não foi registrada em todos os estados.
No Amazonas, Flávio Bolsonaro liderou com 54,17% dos votos válidos, contra 39,58% de Lula.
Em Roraima, o candidato do PL teve 59,26%, enquanto Lula ficou com 29,63%.
Os dois resultados, porém, foram registrados em um número muito pequeno de seções: o Amazonas tinha duas e Roraima, uma.
O que as urnas representam
As seções eleitorais instaladas em estabelecimentos penais são destinadas principalmente a presos provisórios, mas também podem receber servidores do sistema prisional e outros eleitores habilitados.
Por isso, o resultado representa os votos registrados nessas seções eleitorais, e não permite identificar quantos votos foram dados exclusivamente por pessoas presas.
Três estados ficaram sem votação em presídios
Em 2026, três estados não tiveram votação em estabelecimentos penais.
Entre eles estava o Rio de Janeiro, que também havia ficado fora desse tipo de votação em 2022 por questões logísticas e de segurança.
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Regra para presos provisórios foi mantida em 2026
A Justiça Eleitoral manteve para este ano a possibilidade de votação de presos provisórios que cumprissem os requisitos eleitorais.
A Resolução nº 23.751/2026 definiu como preso provisório aquele que está recolhido sem condenação criminal transitada em julgado. Para a instalação das seções, era necessário haver pelo menos 20 eleitores aptos, incluindo, conforme o caso, servidores do sistema prisional e outros eleitores habilitados.
A situação eleitoral também precisava estar regularizada dentro dos prazos estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
O contraste do primeiro turno
O resultado das urnas instaladas em estabelecimentos penais reproduziu uma característica observada nas eleições anteriores: Lula aparece muito à frente dos adversários nesse recorte eleitoral.
Em 2026, entretanto, o dado ganhou um contraste adicional.
Enquanto o primeiro turno registrou uma mudança importante no equilíbrio entre direita e esquerda em diversas regiões e grupos do eleitorado, as seções instaladas em estabelecimentos penais mantiveram uma vantagem petista de quase 50 pontos sobre o principal adversário.
Lula terminou esse recorte com 8.088 votos, contra 2.565 de Flávio Bolsonaro.
É uma das maiores diferenças registradas entre os dois principais candidatos dentro de um segmento específico das urnas brasileiras.



