Após Lula perder no primeiro turno Janja diz que Flávio vai acabar com o Farmácia Popular. Afirmação é desmentida pelo plano registrado no TSE

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Após Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, primeira-dama passou a atacar diretamente o adversário; documento oficial não prevê extinção do programa e apresenta medidas para ampliar o acesso a medicamentos

A primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou que Flávio Bolsonaro vai acabar com o Farmácia Popular caso seja eleito presidente, mas a acusação não encontra respaldo no plano de governo de Flávio registrado pelo candidato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A declaração foi publicada nas redes sociais na terça-feira (6), dois dias depois de Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula e avançar para a segunda etapa da eleição presidencial. No vídeo, Janja não apresentou documento, declaração do candidato ou qualquer proposta oficial que sustentasse a afirmação, o que claramente já poderia ser questionado como Fake News da primeira dama.

O plano entregue por Flávio à Justiça Eleitoral não propõe a extinção do Farmácia Popular. Na área da saúde, o documento prevê, entre outras medidas, facilitar o acesso a medicamentos e criar um sistema de entrega domiciliar para idosos, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas.

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A diferença entre o que foi atribuído ao candidato e o que efetivamente consta no documento oficial torna a declaração de Janja um caso de desinformação eleitoral sobre uma política pública que atende milhões de brasileiros.

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A declaração de Janja

No vídeo publicado em 6 de outubro, Janja apresentou uma série de ataques a Flávio Bolsonaro e descreveu o que, segundo ela, ocorreria caso o candidato do PL chegasse à Presidência.

Ao falar sobre a escala 6×1, afirmou que Flávio iria “enterrar” a discussão sobre seu fim e que os brasileiros trabalhariam sete dias por semana.

Em seguida, fez a afirmação sobre o programa de medicamentos:

“E o Farmácia Popular? Flávio Bolsonaro vai acabar.”

A declaração foi registrada em vídeo e reproduzida por diferentes veículos. A primeira-dama também associou uma eventual Presidência de Flávio a outros cenários negativos, incluindo mudanças nos direitos das mulheres, segurança pública e uma eventual nova pandemia.

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O ponto específico desta matéria, porém, é objetivo: onde está a proposta de acabar com o Farmácia Popular?

Nos documentos oficiais apresentados à Justiça Eleitoral, ela não aparece.

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O documento que permite conferir a acusação falsa

O TSE disponibiliza os planos de governo dos dois candidatos que disputarão o segundo turno de 2026.

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Na página oficial da Justiça Eleitoral, estão os documentos apresentados pelas candidaturas de Flávio Bolsonaro e Lula, permitindo a consulta direta às propostas registradas.

No plano de Flávio, o capítulo dedicado à saúde apresenta medidas para ampliar o atendimento e melhorar o acesso da população ao sistema de saúde.

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Entre as propostas estão:

  • fortalecimento da Estratégia Saúde da Família;
  • ampliação da telessaúde e do teleatendimento;
  • utilização da rede privada em horários ociosos para reduzir filas;
  • digitalização e integração de informações;
  • ampliação do acesso a medicamentos;
  • entrega domiciliar de medicamentos para idosos, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas.

Não há, no documento, uma proposta de extinguir o Farmácia Popular.

Essa é a informação documental que confronta diretamente a afirmação feita por Janja.

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O que o plano de Flávio realmente propõe

A proposta para entrega domiciliar de medicamentos é particularmente relevante porque aparece justamente no capítulo em que o candidato trata do acesso aos remédios.

O texto prevê um sistema de entrega em domicílio destinado a grupos específicos que enfrentam maiores dificuldades para se deslocar até os pontos de atendimento.

A proposta não equivale a uma promessa explícita de manter o Farmácia Popular exatamente com o desenho atual. Mas também não pode ser transformada em uma proposta de extinção do programa.

Essa distinção é fundamental.

Uma coisa é o candidato não mencionar nominalmente a continuidade do Farmácia Popular. Outra, completamente diferente, é afirmar que ele pretende acabar com o programa.

A segunda afirmação exigiria uma evidência que não aparece no plano registrado no TSE.

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TSE pode ser provocado a analisar a declaração falsa de Janja

A afirmação de Janja também levanta uma questão eleitoral: uma acusação sobre uma proposta inexistente no plano oficial de um candidato pode ser submetida à análise da Justiça Eleitoral.

As regras eleitorais de 2026 permitem a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra conteúdos considerados notoriamente falsos ou descontextualizados quando tenham potencial para comprometer a normalidade, a legitimidade ou o equilíbrio da disputa. O próprio TSE mantém o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), por meio do qual conteúdos podem ser comunicados para análise.

Há ainda previsão no Código Eleitoral para a divulgação, durante a campanha, de fatos sabidamente falsos sobre partidos ou candidatos quando capazes de influenciar o eleitorado.

No caso de Farmácia Popular, a questão é objetivamente verificável: Janja afirmou que Flávio Bolsonaro acabaria com o programa, enquanto o plano oficial registrado no TSE não apresenta proposta de extinção. O documento também contém medidas relacionadas à ampliação e facilitação do acesso a medicamentos.

Isso não permite afirmar, por si só, que Janja já tenha cometido uma infração eleitoral ou que será punida pelo TSE. Permite, porém, que a declaração seja submetida à análise da Justiça Eleitoral, especialmente porque envolve diretamente um candidato à Presidência e uma afirmação sobre uma política pública que pode influenciar a decisão do eleitor.

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A cronologia importa

A declaração não ocorreu durante a campanha do primeiro turno. Ela veio dois dias depois da votação de 4 de outubro, quando o resultado oficial colocou Flávio Bolsonaro a frente de Lula no segundo turno.

Segundo os dados divulgados pelo TSE, Flávio terminou a primeira etapa com 56.104.268 votos, ou 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53.876.617 votos, equivalentes a 45,16%. A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos.

O resultado produziu uma mudança imediata no cenário eleitoral.

A disputa deixou de envolver vários candidatos e passou a ser diretamente entre Lula e Flávio. A comunicação das campanhas também passou a mirar de maneira mais concentrada o adversário que avançou ao segundo turno.

A Folha registrou que o desempenho do primeiro turno levou a campanha de Lula a rever sua estratégia para a segunda etapa, enquanto Flávio havia terminado a primeira votação na liderança.

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Regiane Alves
Regiane Alveshttp://www.investidoresbrasil.com.br
Estrategista focada em proteger o investidor pessoa física dos conflitos de interesse dos grandes bancos e corretoras. Jornalista com formação em Ciências Contábeis e especialização em Mercado de Capitais. Especialista em Criptomoedas e Blockchain pela Universidade de Nicósia

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