Fabiano Zettel tentou negociar delação premiada em abril, mas a proposta foi rejeitada pela PGR. Preso na Operação Compliance Zero, ele afirma a interlocutores que não pretende mais permanecer em silêncio.
Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sinalizou que pretende falar sobre o caso Banco Master e afirma ter informações relevantes sobre autoridades. A declaração foi relatada por pessoas que o visitam na prisão, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 7 de outubro.
Preso desde março no âmbito da Operação Compliance Zero, Zettel já havia tentado negociar uma colaboração premiada em abril, em uma iniciativa que também envolvia Vorcaro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou a proposta, e a tentativa de acordo não avançou.
Até o momento, não há confirmação pública de uma nova negociação formal de delação.
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PGR também foi citada em mensagens do caso Master
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, indicado por Lula, teve seu nome mencionado em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. Em uma delas, o banqueiro pergunta sobre a possibilidade de reverter sua situação com “Paulo ou Andrei”, referências atribuídas a Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Gonet afirmou que teve apenas um encontro breve com Vorcaro, em abril de 2024. Em setembro, o Conselho Superior do Ministério Público Federal rejeitou pedidos de investigação contra o procurador-geral por falta de elementos mínimos para caracterizar prevaricação.
A citação nas mensagens não comprova irregularidade. Também não há confirmação de que Fabiano Zettel pretenda mencionar Gonet em eventual colaboração.
Tentativa anterior envolveu ministro do STF
Na tentativa de viabilizar a colaboração, o então advogado de Zettel, Celso Villardi, chegou a se reunir com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A iniciativa, porém, não teve resultado.
Segundo os relatos publicados, Zettel passou a dizer que não quer mais ficar calado e atribui parte de sua disposição de falar às notícias que considera constrangedoras. Ele também menciona informações que, segundo afirma, envolveriam autoridades.
Não foram divulgados detalhes que permitam identificar quais pessoas seriam citadas nem quais provas poderiam acompanhar eventuais declarações.
Igreja da Lagoinha também entrou no radar
Além de sua relação familiar com Vorcaro e da atuação financeira atribuída a ele pelos investigadores, Zettel administrava uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, que passou a ser examinada no contexto das apurações.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgado em setembro, a conta da unidade no bairro Belvedere movimentou R$ 57,1 milhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, somando entradas e saídas. O valor foi considerado atípico diante do faturamento anual presumido de R$ 950 mil.
O relatório apontou operações que poderiam indicar tentativa de dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos. A Polícia Federal investiga a movimentação, mas a existência de transações consideradas atípicas não constitui, isoladamente, prova definitiva de crime.
A Lagoinha Global declarou que Zettel foi afastado de suas funções pastorais após surgirem informações públicas sobre o caso e defendeu a apuração dos fatos. A defesa do empresário informou, em reportagem anterior da Folha, que não se manifestaria sobre as movimentações.
O que uma eventual delação pode acrescentar
Uma colaboração formal de Zettel poderia fornecer novos elementos sobre as operações financeiras do grupo de Vorcaro e suas relações com terceiros. O alcance de eventuais revelações, entretanto, dependerá do conteúdo apresentado e da possibilidade de comprovação por documentos, registros e outras evidências.
Por enquanto, o fato confirmado pela reportagem é a disposição atribuída a Zettel de deixar o silêncio. Não há acordo de delação confirmado nem divulgação de novas provas decorrentes dessa possível mudança de postura.
O próximo desdobramento a acompanhar é se a intenção será convertida em uma proposta formal às autoridades e se as informações eventualmente apresentadas poderão contribuir para esclarecer as operações investigadas no caso Master.



