Ibovespa bate recorde acima de 209 mil pontos, sobe 8,82% na semana e dólar cai abaixo de R$ 5. A mudança no mercado

INVESTIDORES BRASIL

Bolsa brasileira fecha em máxima histórica de 209.066 pontos, enquanto moeda americana recua 4,44% na semana; pesquisas eleitorais e expectativas sobre a política fiscal ganham peso na precificação dos ativos, apesar da inflação acima do teto da meta.

O Ibovespa encerrou a sexta-feira (9) em alta de 1,38%, aos 209.066,90 pontos, e estabeleceu novo recorde de fechamento. Durante o pregão, o principal índice da B3 chegou a 209.713,45 pontos, também uma máxima histórica intradiária. Na semana, acumulou valorização de 8,82%.

No mercado de câmbio, o dólar comercial caiu 0,79%, para R$ 4,985, e terminou a semana com desvalorização de 4,44%. O movimento ocorreu na primeira semana após o primeiro turno das eleições presidenciais, com investidores acompanhando as pesquisas para a disputa de 25 de outubro e as perspectivas para a política econômica do próximo governo.

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Resumo executivo: os números do pregão

  • Ibovespa: 209.066,90 pontos, alta de 1,38% no dia.
  • Máxima intradiária: 209.713,45 pontos.
  • Desempenho semanal da Bolsa: valorização de 8,82%.
  • Dólar comercial: R$ 4,985, queda diária de 0,79%.
  • Desempenho semanal do dólar: recuo de 4,44%.
  • IPCA de setembro: alta de 0,82% no mês e 4,58% em 12 meses.
  • Juros futuros: contrato de DI para janeiro de 2028 em 12,52%, com recuo de três pontos-base em relação ao ajuste anterior.

Os dados mostram uma valorização expressiva dos ativos brasileiros em poucos pregões. A alta da Bolsa e a queda do dólar ocorreram ao mesmo tempo que a inflação acumulada na gestão Lula ultrapassou o limite superior da meta, evidenciando que os mercados estavam reagindo a diferentes expectativas econômicas e políticas, com visão de melhoria no futuro, diante de um presente negativo na economia.

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Eleições entram no centro da movimentação financeira

As pesquisas eleitorais passaram a ocupar espaço relevante na avaliação dos investidores sobre o cenário brasileiro. Levantamentos divulgados nesta semana indicaram vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulações de segundo turno.

O Datafolha, realizado entre 6 e 8 de outubro, apontou Flávio com 49% das intenções de voto e Lula com 45% na contagem dos votos totais. Entre os votos válidos, o resultado foi de 52% a 48%, respectivamente. O levantamento ouviu 2.520 pessoas, segundo os dados divulgados pela imprensa. Veja os resultados das pesquisas.

Para o mercado financeiro, a disputa importa porque os candidatos representam perspectivas diferentes para a condução da política econômica. As expectativas sobre gastos públicos, dívida, tributação e regras fiscais influenciam os cálculos de risco feitos por investidores nacionais e estrangeiros.

Esse mecanismo ajuda a explicar a reação dos ativos: quando os investidores passam a atribuir maior probabilidade a um cenário considerado mais favorável às contas públicas, podem aumentar a exposição à Bolsa brasileira e ampliar posições em reais.

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O chamado trade eleitoral consiste justamente na negociação de ativos com base nas expectativas sobre o resultado das eleições e as políticas que poderão ser adotadas pelo próximo governo.

A movimentação, contudo, reflete expectativas que podem mudar conforme novas pesquisas, declarações e propostas econômicas forem divulgadas. As cotações não representam uma confirmação do resultado eleitoral nem garantem que a valorização continuará.

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Dólar acumula queda de 4,44% e volta a ficar abaixo de R$ 5

A moeda americana terminou a sessão cotada a R$ 4,985, abaixo da marca de R$ 5 pelo segundo pregão consecutivo. Durante o dia, chegou à mínima de R$ 4,976 e à máxima de R$ 5,009.

Na semana posterior ao primeiro turno, a queda de 4,44% reforçou a desvalorização acumulada da moeda em 2026. Segundo a Agência Brasil, o recuo no ano alcançou 9,18%.

O petróleo permaneceu acima de US$ 100 por barril. O Brent avançou 0,42%, para US$ 104,72, enquanto o WTI subiu 0,39%, para US$ 91,85. A valorização da commodity pode beneficiar empresas brasileiras ligadas à produção de petróleo, embora seus efeitos variem conforme a atividade e a estrutura de custos de cada companhia.

A queda do dólar também altera a relação de preços entre produtos nacionais e importados. Empresas que compram insumos, máquinas ou equipamentos no exterior podem ter custos menores em reais, dependendo dos contratos e do repasse cambial. Exportadores que recebem em moeda americana, por outro lado, podem obter menos reais pela mesma receita em dólares.

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Inflação na gestão Lula supera o teto da meta, mas não interrompe a alta da Bolsa

O avanço dos ativos ocorreu no mesmo dia em que o mercado repercutiu os dados de inflação de setembro.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, subiu 0,82% no mês. Em 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,58%, acima do limite superior de 4,5% da meta contínua de inflação.

O resultado mensal foi o maior para setembro desde 2021. A alta das tarifas de energia elétrica residencial, de 7,98%, teve peso importante no indicador, após o fim do efeito do Bônus de Itaipu. Alimentação e transportes também registraram aumentos. Dados do IPCA de setembro.

A inflação acima do teto da meta pode limitar o espaço para cortes da taxa Selic. Caso as pressões sobre os preços persistam, o Banco Central poderá precisar manter uma política monetária restritiva por mais tempo, o que afeta o custo do crédito e as decisões de investimento.

Ainda assim, o dado teve impacto limitado sobre os preços dos ativos durante a sessão. A reação sugere que, naquele pregão, outros fatores, especialmente as expectativas eleitorais e o ambiente externo, tiveram peso relevante nas decisões dos investidores.

No mercado futuro de juros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 recuou três pontos-base, para 12,52%. A variação indica uma redução da taxa negociada para esse vencimento, não uma decisão do Banco Central sobre a Selic.

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Bolsas americanas também fecham em alta

O desempenho positivo se estendeu aos principais índices de Nova York, com destaque para o setor de tecnologia.

  • Dow Jones: alta de 0,83%, aos 51.654,95 pontos.
  • S&P 500: avanço de 0,59%, aos 7.811,51 pontos.
  • Nasdaq: valorização de 0,64%, aos 27.366,17 pontos.

Na Europa, o DAX alemão subiu 1,13%, o FTSE 100 britânico avançou 1,06%, o CAC 40 francês ganhou 0,95% e o Euro Stoxx 50 teve alta de 0,81%.

O movimento internacional contribuiu para um ambiente mais favorável às ações, mas não explica sozinho a magnitude da valorização semanal brasileira. A dinâmica doméstica, com as expectativas eleitorais e a procura por ativos locais, também esteve no centro das negociações.

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O que o recorde revela sobre a leitura do mercado

A alta de 8,82% do Ibovespa em uma semana, acompanhada da queda de 4,44% do dólar, indica uma reprecificação expressiva dos ativos brasileiros. A mudança ocorre em um momento no qual investidores tentam antecipar os efeitos do próximo governo sobre a trajetória fiscal e a economia.

O ponto central é que a Bolsa não está reagindo apenas aos resultados das empresas ou aos indicadores correntes. As expectativas sobre as decisões políticas com a possível vitória de Flávio Bolsonaro, a partir de 2027 também entram nos preços, sobretudo em períodos de disputa eleitoral.

Há, porém, uma tensão importante: enquanto as cotações refletem expectativas mais favoráveis para determinados cenários econômicos, a inflação acumulada na gestão Lula permanece acima do teto da meta, decidido e modificado pelo próprio governo. Isso mantém a política monetária e a trajetória das contas públicas entre as variáveis capazes de alterar a avaliação dos ativos.

O recorde do Ibovespa e o dólar abaixo de R$ 5 são os resultados concretos do pregão. A continuidade desse movimento dependerá da evolução das pesquisas, da vitória de Flávio, dos dados de inflação, das decisões sobre juros e das condições internacionais de liquidez.

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Lucas Lopes Lopes
Lucas Lopes Lopes
Jornalista cubro editorias de economia há 10 anos. Especializado em criptoativos e-mail: [email protected]
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