As revelações envolvendo trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, provocaram manifestações contundentes de veículos tradicionais de imprensa.
Em editoriais publicados após a divulgação de informações relacionadas ao caso, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo cobraram providências e colocaram em discussão a permanência de Moraes no Supremo, além de apontarem o Senado Federal como possível responsável por analisar a situação caso o ministro não deixe o cargo por iniciativa própria.
Folha defende renúncia de Moraes
A Folha de S.Paulo publicou editorial intitulado A Moraes Cabe a Renúncia, no qual afirma que as informações reunidas pela Polícia Federal (PF) eliminariam, na avaliação do jornal, dúvidas sobre uma suposta incompatibilidade do ministro com o exercício da função no STF.
O jornal sustenta que, caso Moraes não deixe o cargo voluntariamente, caberia ao Senado analisar os pedidos de impeachment apresentados contra o ministro.
No editorial, a Folha classifica como graves as situações reveladas e afirma que a relação descrita nas investigações levantaria questionamentos sobre a atuação de Moraes.
Estadão também defende saída do ministro
O Estado de S. Paulo adotou posição semelhante.
Em editorial intitulado Moraes tem de sair do Supremo, o jornal defende a saída do ministro diante das revelações relacionadas à sua relação com o entorno do Banco Master.
Segundo o Estadão, Moraes teria a obrigação de renunciar para evitar que o Supremo seja arrastado para uma crise decorrente das revelações.
O jornal diferencia a eventual responsabilidade criminal, que deverá ser apurada pelas autoridades competentes, da responsabilidade institucional que, segundo sua avaliação, já estaria colocada.
Caso o ministro se recuse a deixar o cargo, o Estadão afirma que a questão deverá ser enfrentada pelo Senado Federal, a quem a Constituição atribui a competência para julgar crimes de responsabilidade de ministros do STF.
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O Globo cobra “providências imediatas”
O Globo também publicou editorial sobre o episódio, com o título Ou STF é Ágil Sobre Moraes, ou Senado Será.
O jornal cobra “providências imediatas” e defende uma investigação rigorosa sobre os fatos relacionados às mensagens reveladas pela Polícia Federal.
O Globo também critica a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que, segundo o editorial, teria defendido a nulidade das provas recolhidas pela Polícia Federal.
O jornal destaca ainda a atuação do ministro André Mendonça, relator do caso.
Segundo O Globo, Mendonça não teria solicitado uma investigação contra Moraes nem conduzido inquérito contra o ministro.
A publicação afirma que o ministro, após se deparar com mensagens descobertas de forma fortuita, solicitou à Polícia Federal uma perícia técnica para identificar formalmente o destinatário.
Depois de esclarecida a dúvida, segundo o jornal, Mendonça teria solicitado manifestação da PGR, comunicado a Presidência do STF, levantado o sigilo diante do interesse público e pedido que o caso fosse examinado presencialmente pelo plenário.
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Senador pode assumir papel central
Com as manifestações, os três principais editoriais publicados sobre o episódio convergem em um ponto: a necessidade de uma resposta institucional diante das revelações.
Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo defendem explicitamente a saída de Moraes do Supremo e apontam o Senado como responsável por analisar a situação caso o ministro não renuncie.
O Globo, por sua vez, cobra uma reação rápida do próprio Supremo e afirma que, caso a Corte não tome providências, o Senado poderá assumir o protagonismo na condução da questão.
O episódio coloca sob pressão as instituições responsáveis por apurar os fatos e avaliar eventuais responsabilidades relacionadas às revelações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.



