Lula chega à reta final para eleição com aprovação abaixo de 50%, segundo pesquisa

Pesquisa Futura/100% Cidades mostra 49,9% de desaprovação ao presidente, contra 47,3% de aprovação; Lula lidera o primeiro turno, mas Flávio Bolsonaro aparece a apenas 4,7 pontos

A menos de dois meses do primeiro turno das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à fase decisiva da disputa com um cenário eleitoral que combina liderança nas intenções de voto, aprovação inferior à desaprovação e uma disputa concentrada entre dois nomes. Levantamento Futura/100% Cidades divulgado nesta terça-feira (11) mostra que 49,9% dos entrevistados desaprovam o desempenho de Lula, enquanto 47,3% o aprovam.

O resultado deixa a avaliação do presidente praticamente dividida, mas com a balança inclinada negativamente. Outros 2,9% não souberam ou não responderam.

A pesquisa foi realizada entre 3 e 7 de agosto, com 2 mil eleitores de 16 anos ou mais, entrevistados por telefone em 690 cidades. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08109/2026.

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O dado que mais chama atenção: Lula lidera, mas não chega forte à reta final

A fotografia eleitoral é mais complexa do que uma simples leitura de aprovação e rejeição.

No primeiro cenário estimulado para a Presidência, Lula aparece na liderança com 38,8% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 34,1%. Ronaldo Caiado aparece com 5,9%, enquanto Renan Santos e Romeu Zema registram 3,6% cada.

A diferença entre Lula e Flávio é de apenas 4,7 pontos porcentuais.

Isso significa que, embora o presidente esteja numericamente à frente, a disputa permanece aberta dentro de uma eleição que ainda terá semanas de campanha pela frente. O primeiro turno será em 4 de outubro de 2026, e o eventual segundo turno em 25 de outubro.

Mais importante: a pesquisa indica que o eleitorado não está simplesmente se deslocando de Lula para um terceiro candidato. A disputa está cada vez mais concentrada nos dois nomes que ocupam o centro da polarização nacional.

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Aprovação de Lula fica abaixo da desaprovação

A avaliação direta do presidente reforça a dificuldade política do momento.

Como os eleitores avaliam Lula:

  • 49,9% desaprovam;
  • 47,3% aprovam;
  • 2,9% não sabem ou não responderam.

Quando a pergunta passa da aprovação para a avaliação qualitativa do presidente, o quadro fica ainda mais revelador.

43% classificam Lula como ruim ou péssimo. Outros 39,5% consideram seu desempenho regular. Apenas 17,1% avaliam sua atuação como ótima ou boa.

O dado mostra que o presidente possui uma parcela relevante de eleitores que não necessariamente o aprovam, mas também não o classificam negativamente. Esse grupo pode ser decisivo na campanha, principalmente caso a eleição caminhe para um segundo turno.

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A eleição ainda não virou contra Lula

Apesar da deterioração na avaliação do governo, seria incorreto concluir que a pesquisa aponta uma derrota iminente de Lula.

O próprio levantamento mostra o presidente à frente no primeiro turno.

Além disso, quando a pergunta muda de aprovação para rejeição eleitoral — o candidato em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum — Lula aparece com 45,9%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 47,1%.

Ou seja, há uma particularidade importante no cenário: Lula tem maior aprovação presidencial do que Flávio possui rejeição eleitoral, mas também apresenta uma rejeição elevada o suficiente para limitar seu espaço de crescimento.

A diferença entre os dois na rejeição é de apenas 1,2 ponto porcentual, dentro da margem de erro.

Romeu Zema aparece com 16,6% de rejeição, Cabo Daciolo com 15,8%, Renan Santos com 15% e Ronaldo Caiado com 13,9%.

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O que os números revelam sobre a disputa

A combinação dos indicadores produz uma leitura mais sofisticada do que simplesmente dizer que Lula está em queda ou que a oposição já virou o jogo.

O presidente continua sendo o candidato mais citado no primeiro turno, mas não possui uma vantagem confortável. Ao mesmo tempo, sua aprovação permanece abaixo de 50%, enquanto sua rejeição eleitoral supera 45%.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro também enfrenta um obstáculo significativo: sua rejeição é ligeiramente maior que a de Lula.

Isso ajuda a explicar por que a eleição de 2026 tende a ser decidida menos pela capacidade de um candidato conquistar uma maioria folgada e mais pela habilidade de reduzir sua rejeição e capturar o eleitor que hoje permanece no centro da disputa.

O diretor técnico da Futura, José Orrico, avalia que Lula apresenta uma recuperação gradual, enquanto Flávio Bolsonaro mantém um eleitorado consolidado. Segundo ele, o espaço para uma terceira candidatura ainda não se transformou em intenção de voto relevante.

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A matemática do segundo turno pode ser diferente

O resultado do primeiro turno não deve ser confundido com uma projeção automática do segundo.

Com dois candidatos concentrando a maior parte das preferências, a dinâmica muda completamente quando o eleitor precisa escolher entre apenas dois nomes.

Nesse ambiente, rejeição passa a ser tão importante quanto intenção de voto.

Lula parte de uma base eleitoral relevante, mas precisa convencer uma parcela do eleitorado que atualmente avalia negativamente seu desempenho. Flávio, por sua vez, tem um eleitorado consolidado, mas enfrenta uma rejeição igualmente elevada.

A consequência é uma eleição potencialmente definida por transferência de votos, redução de rejeição e capacidade de conquistar os eleitores que ainda não estão definitivamente comprometidos.

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O fator tempo entra no cálculo eleitoral

A pesquisa foi realizada entre 3 e 7 de agosto. Portanto, ela representa uma fotografia do eleitorado naquele momento, e não uma previsão do resultado de outubro.

Ainda assim, o momento em que o levantamento foi realizado aumenta sua relevância.

O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro, o que coloca a campanha na reta decisiva.

A partir daqui, mudanças na percepção sobre economia, renda, inflação, segurança, situação fiscal, popularidade do governo e desempenho dos candidatos podem alterar significativamente o comportamento eleitoral.

Por isso, o principal indicador a acompanhar nas próximas pesquisas não será apenas quem lidera.

Será quem consegue ampliar sua vantagem sem aumentar a própria rejeição.

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O que realmente está em jogo

A pesquisa Futura/100% Cidades mostra um cenário de eleição aberta e altamente polarizada.

Lula continua liderando o primeiro turno, mas sua aprovação está abaixo da desaprovação e sua avaliação qualitativa revela uma parcela expressiva de eleitores insatisfeitos.

Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro está próximo na intenção de voto e apresenta rejeição ligeiramente superior à do presidente.

O resultado produz uma equação eleitoral delicada: Lula precisa transformar liderança em vantagem consistente; Flávio precisa converter sua proximidade em crescimento sem ampliar a rejeição; e os demais candidatos precisam encontrar espaço em uma disputa cada vez mais concentrada.

A oito semanas da votação, portanto, o dado mais relevante não é que Lula esteja atrás — porque ele não está. Tampouco que a oposição tenha assumido a liderança — o levantamento não mostra isso.

O sinal mais importante é outro: o presidente chega à reta final sem uma maioria de aprovação e com uma eleição muito mais competitiva do que uma leitura isolada da liderança nas pesquisas poderia sugerir.

E, em uma disputa decidida em dois turnos, uma diferença de poucos pontos hoje pode ser muito menos importante do que a capacidade de cada candidato de transformar rejeição em voto útil nas semanas que restam.

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Lucy Costa
Lucy Costa
Jornalista especializada em finanças e estatística. Você gosta de meus conteúdos? Entre em contato; email: [email protected]

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