Real perde liderança no carry trade para a Colômbia e mercado envia novo alerta sobre o risco Brasil

Peso colombiano supera o real entre as moedas preferidas dos investidores internacionais, mostrando que juros elevados já não bastam para compensar as incertezas fiscais e políticas do Brasil.

Durante anos, o Brasil ocupou uma posição privilegiada entre os mercados emergentes: oferecia uma das maiores taxas de juros reais do mundo e atraía bilhões de dólares de investidores que buscavam lucrar com operações de carry trade. Esse fluxo ajudava a sustentar o real e reduzia parte da pressão sobre o câmbio.

Esse cenário, porém, começou a mudar.

O peso colombiano passou a ocupar o lugar do real como principal aposta dos investidores globais em operações de carry trade, refletindo uma mudança na percepção sobre risco e retorno na América Latina. Mais do que uma simples troca de preferência entre moedas, o movimento sugere que o mercado internacional passou a exigir um prêmio maior para manter recursos no Brasil na gestão Lula.

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O que mudou na lógica dos investidores

O carry trade consiste em captar recursos em países com juros baixos e investir em economias que oferecem juros mais elevados. O lucro, porém, depende de dois fatores caminharem juntos:

  • taxas de juros atrativas;
  • estabilidade da moeda que recebe os investimentos.

Se a moeda se desvalorizar mais do que o ganho obtido com os juros, a operação deixa de ser vantajosa.

É justamente nesse ponto que o Brasil como Real perdeu força na atual gestão Lula.

Embora a Selic permaneça entre as mais elevadas do mundo, gestores internacionais passaram a avaliar que o aumento das incertezas fiscais, da dívida pública e do ambiente político reduziu a relação entre risco e retorno do real.

Em outras palavras, o mercado não deixou de gostar dos juros brasileiros; passou a desconfiar da capacidade de preservar o valor da moeda no médio prazo.

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Por que a Colômbia ganhou espaço?

O avanço do peso colombiano surpreendeu parte do mercado.

Mesmo após o banco central colombiano anunciar um programa de compra de reservas internacionais de até US$ 4 bilhões, medida que normalmente tende a reduzir a valorização da moeda, investidores continuaram ampliando posições no país.

O peso colombiano acumula valorização próxima de 19% em 2026, tornando-se uma das moedas de melhor desempenho entre os mercados emergentes.

Na avaliação de estrategistas internacionais, o cenário colombiano passou a incorporar expectativas de maior disciplina fiscal e menor risco político relativo, aumentando a confiança dos investidores estrangeiros.

Enquanto isso, o Brasil convive com dúvidas crescentes sobre a trajetória das contas públicas e sobre o ambiente econômico no período pré-eleitoral.

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O peso colombiano acumula valorização superior a 23% frente ao dólar nos últimos 12 meses, um dos melhores desempenhos entre as principais moedas de mercados emergentes.

A força do peso colombiano vai além do carry trade

A preferência dos investidores internacionais não se apoia apenas na busca por juros elevados. Os números mostram que a moeda colombiana vive um dos seus momentos mais fortes dos últimos anos.

Segundo dados do mercado cambial, o peso colombiano acumula valorização de aproximadamente 23% frente ao dólar nos últimos 12 meses, enquanto a cotação do dólar recuou para cerca de 3.190 pesos colombianos, uma queda superior a 22% na taxa USD/COP no período. Trata-se de um dos melhores desempenhos entre as principais moedas de mercados emergentes.

Esse fortalecimento aumentou o interesse dos investidores estrangeiros por ativos colombianos, já que a combinação entre juros elevados e apreciação cambial potencializa os ganhos das operações de carry trade. Ao mesmo tempo, o Banco da República da Colômbia chegou a anunciar um programa de compra de até US$ 4 bilhões em reservas internacionais justamente para conter a valorização excessiva da moeda, evidenciando a intensidade do fluxo de capital para o país.

O mercado está emitindo um alerta silencioso sobre o Brasil

A mudança de preferência não significa que os investidores estejam abandonando o Brasil.

Ela indica algo mais sutil — e potencialmente mais importante.

O capital internacional costuma migrar para os mercados onde encontra a melhor combinação entre retorno e previsibilidade. Quando uma moeda perde espaço mesmo oferecendo juros elevados, o recado normalmente não está relacionado ao nível da Selic, mas à percepção de risco.

É por isso que a perda de protagonismo do real chama atenção.

O movimento ocorre em um momento em que diversos indicadores já vinham apontando aumento da cautela em relação ao Brasil, incluindo a deterioração das expectativas fiscais, o crescimento da dívida pública da gestão Lula e o aumento do prêmio de risco exigido pelos investidores.

Real é a pior moeda entre as 27 economias do G20 sob Lula em 2024
Imagem:: criação Investidores Brasil com IA

O que essa mudança pode significar para o Brasil

A perda de atratividade do real pode produzir efeitos que vão além do mercado de câmbio.

Entre os principais impactos estão:

  • menor entrada de dólares por investidores financeiros;
  • maior volatilidade da taxa de câmbio;
  • pressão adicional sobre preços de produtos importados;
  • custo mais elevado para empresas captarem recursos no exterior;
  • necessidade de manutenção de juros elevados por mais tempo, caso o câmbio pressione a inflação.

Nenhum desses efeitos acontece automaticamente, mas todos passam a fazer parte do radar quando o fluxo internacional começa a buscar alternativas em outros mercados emergentes.

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Brasil x Colômbia: por que os investidores mudaram de preferência?

BrasilColômbia
Juros elevadosJuros elevados
Maior preocupação com trajetória fiscalExpectativa de maior disciplina fiscal
Ambiente político mais incertoPercepção de menor risco relativo
Dívida pública em crescimentoConfiança maior na condução econômica
Maior volatilidade esperada para o realMoeda com forte valorização em 2026

A comparação mostra que a decisão dos investidores não depende apenas da remuneração oferecida pelos juros. A confiança na condução econômica passou a ter peso cada vez maior na escolha dos destinos do capital internacional.

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A perda de protagonismo do real não é um fato isolado

A mudança ocorre em meio a uma sequência de sinais que vêm sendo observados pelo mercado ao longo de 2026 na gestão Lula.

Nos últimos meses, investidores passaram a acompanhar com mais atenção temas como:

  • crescimento da dívida pública;
  • aumento do déficit nominal;
  • discussões sobre a sustentabilidade fiscal;
  • elevação do prêmio de risco dos ativos brasileiros;
  • incertezas relacionadas ao cenário eleitoral.

Nesse contexto, a preferência pelo peso colombiano aparece como mais um indicador de que o mercado internacional está reavaliando a relação entre risco e retorno oferecida pelo Brasil.

O que acompanhar daqui para frente

A posição do real entre as moedas preferidas dos investidores dependerá menos do nível da Selic e mais da evolução dos fundamentos econômicos.

Os principais fatores que podem influenciar essa percepção incluem:

  • trajetória da dívida pública;
  • credibilidade da política fiscal;
  • decisões futuras do Banco Central;
  • comportamento da inflação;
  • fluxo de capital estrangeiro;
  • evolução do cenário político até as eleições.

Se esses indicadores melhorarem, o real pode recuperar parte da atratividade perdida. Caso contrário, outras moedas emergentes poderão continuar ocupando o espaço que durante anos pertenceu ao Brasil.

Perguntas frequentes

O que é carry trade?

É uma estratégia em que investidores captam recursos em países com juros baixos e aplicam em economias com juros mais elevados, buscando lucrar com o diferencial de taxas e, eventualmente, com a valorização da moeda local.

Por que o peso colombiano ultrapassou o real?

Segundo estrategistas de mercado, a Colômbia passou a oferecer uma combinação mais favorável entre retorno e percepção de risco, enquanto o Brasil enfrenta maiores preocupações relacionadas ao cenário fiscal e político.

A Selic alta não deveria fortalecer o real?

Juros elevados continuam sendo um fator importante, mas investidores também analisam estabilidade institucional, sustentabilidade das contas públicas e perspectivas para a moeda antes de decidir onde aplicar recursos.

Isso afeta quem não investe?

Sim. Uma redução no fluxo de capital estrangeiro pode influenciar o câmbio, a inflação, o custo do crédito e o ritmo de queda dos juros, com impactos sobre empresas, consumidores e a economia como um todo.

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Lucy Costa
Lucy Costa
Jornalista especializada em finanças e estatística. Você gosta de meus conteúdos? Entre em contato; email: [email protected]

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