Maior ato pró-Flávio no local desde 2024 mais que dobra adesão registrada no 7 de Setembro e reúne Tarcísio, Ricardo Nunes, Nikolas Ferreira e outras lideranças na reta final contra Lula.
A imagem de dezenas de milhares de pessoas ocupando a Avenida Paulista neste domingo (18) chama atenção, mas o principal dado político do ato-pró Flávio Bolsonaro não está apenas na contagem do público
A sete dias do segundo turno da eleição presidencial, o candidato do PL conseguiu reunir no mesmo ato algumas das principais lideranças da direita brasileira, ampliar fortemente a mobilização registrada poucas semanas antes e realizar a maior manifestação bolsonarista no local desde fevereiro de 2024.
Politicamente, a Paulista mostrou algo mais relevante para a última semana da campanha: Flávio chega à decisão conseguindo mobilizar em torno de sua própria candidatura a estrutura política, eleitoral e de rua formada nos últimos anos pela direita e pelo bolsonarismo.
Resumo Executivo
O ato deste domingo oferece quatro dados importantes para entender a reta final da disputa presidencial.
Flávio ampliou imensamente a mobilização registrada no mesmo local no 7 de Setembro, que já foi gigante.
O evento reuniu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, o deputado federal Nikolas Ferreira e outros parlamentares e lideranças com eleitorado próprio.
E tudo isso ocorreu a apenas sete dias de uma eleição na qual Flávio chega ao segundo turno depois de terminar a primeira votação nacional à frente de Lula.
Sem Jair no comando, estrutura da direita se organiza em torno de ato pró-Flávio
Uma das grandes questões abertas desde o início da sucessão de Jair Bolsonaro era saber até que ponto sua força política poderia ser transferida para outro candidato.
Uma eleição presidencial envolve muito mais que sobrenome.
Exige alianças estaduais, prefeitos, governadores, parlamentares, influenciadores, militância, arrecadação, comunicação e capacidade de levar eleitores às ruas e, finalmente, às urnas.
A Paulista ofereceu neste domingo uma fotografia dessa transferência em andamento.
Flávio estava acompanhado de Tarcísio de Freitas, governador do maior colégio eleitoral do país e uma das principais lideranças nacionais da direita.
Também participou Ricardo Nunes, prefeito da maior cidade brasileira.
Nikolas Ferreira, um dos políticos brasileiros com maior alcance nas redes sociais, assumiu papel central na mobilização do chamado “Bloquinho do 22”.
Estavam ainda no evento parlamentares eleitos com votações expressivas, como Lucas Pavanato e outras lideranças ligadas ao campo político da direita.
Isso transforma o palanque em algo maior do que uma reunião de apoiadores da família Bolsonaro.
Mostra uma coalizão eleitoral trabalhando em torno da candidatura de Flávio.

Nikolas transforma alcance digital em mobilização física
Outro elemento relevante está na presença de Nikolas Ferreira.
O deputado federal tornou-se uma das principais engrenagens do “Bloquinho do 22”, formato inspirado em blocos de rua e utilizado para levar a campanha a diferentes cidades brasileiras.
É uma estratégia que mistura mobilização tradicional e redes sociais.
O político que produz vídeos para milhões de seguidores passa também a convocar presencialmente esses eleitores.
Esse movimento ajuda a explicar por que o ato da Paulista não deve ser analisado isoladamente.
A manifestação faz parte de uma tentativa mais ampla de transformar engajamento digital em presença nas ruas e, posteriormente, em comparecimento às urnas.
Para qualquer campanha moderna, essa conversão é um dos desafios mais importantes.
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Flávio chega às ruas depois de vencer Lula no primeiro turno
A manifestação também ocorre em contexto diferente daquele enfrentado pela direita em outras eleições.
Flávio chegou ao segundo turno depois de terminar a primeira votação à frente do presidente da República.
Segundo os números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, o candidato do PL recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos.
Lula obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%.
A diferença foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos.
Isso altera o significado da manifestação.
Flávio não precisava usar a Paulista para provar que possuía viabilidade eleitoral. Essa resposta já havia sido dada pelas urnas.
O objetivo da reta final é outro: transformar a vantagem obtida no primeiro turno em uma coalizão capaz de manter seus eleitores mobilizados até a votação definitiva de 25 de outubro.
E há uma mudança política adicional: desta vez, Jair Bolsonaro não era o personagem central de uma manifestação à qual o filho comparecia.
Flávio era o candidato no centro do palanque, e a estrutura política construída pela direita estava mobilizada em torno dele.
Ainda é cedo para afirmar até onde vai a transferência da força política do ex-presidente para seu filho.
As urnas de 25 de outubro serão o teste definitivo.
Mas a Paulista deste domingo mostrou que, ao entrar na última semana da eleição, Flávio não chega apenas carregando o sobrenome Bolsonaro: chega com uma coalizão de direita organizada, lideranças nacionais no palanque e capacidade comprovada de colocar sua base nas ruas.



