Alpargatas (ALPA4) quase dobra lucro no 2º trimestre, mas investidores ainda têm um desafio pela frente

INVESTIDORES BRASIL

A recuperação operacional da Alpargatas (ALPA4) ganhou força no segundo trimestre de 2026. A fabricante da Havaianas encerrou o período com lucro líquido de R$ 170 milhões, alta de 95,1% em relação ao mesmo trimestre de 2025.

Os números mostram uma empresa mais eficiente, com expansão das margens, crescimento de receita e avanço das vendas tanto no mercado brasileiro quanto nas operações internacionais. Ainda assim, para quem investe na companhia, a principal questão deixou de ser “se a recuperação começou” e passou a ser quanto tempo ela conseguirá sustentar esse ritmo.

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Os principais números do 2T26

A Alpargatas apresentou melhora praticamente em todos os principais indicadores financeiros:

  • Lucro líquido: R$ 170 milhões (+95,1%)
  • Receita líquida: R$ 1,22 bilhão (+11,3%)
  • EBITDA ajustado: R$ 286 milhões
  • Margem EBITDA ajustada: 23,3% (ante 17,5% um ano antes)
  • Custo dos produtos vendidos: R$ 536 milhões (+7,4%)

O avanço da margem operacional mostra que a empresa conseguiu aumentar a rentabilidade mesmo com crescimento dos custos, indicando maior eficiência na produção e na gestão das despesas.

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Havaianas voltou a crescer dentro e fora do Brasil

O principal motor dos resultados continua sendo a marca Havaianas.

No segundo trimestre:

  • foram vendidos 45,6 milhões de pares no Brasil, crescimento de 8,6%;
  • nas operações internacionais, as vendas chegaram a 7,7 milhões de pares, alta de 11,9%.

No consolidado, o volume vendido aumentou 9%, mostrando que a expansão ocorreu não apenas por reajustes de preços, mas também pelo aumento efetivo das unidades comercializadas.

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O que realmente explica a melhora dos resultados?

Embora o lucro quase tenha dobrado, parte importante da evolução vem da combinação de fatores operacionais:

  • maior eficiência industrial;
  • melhor controle de despesas;
  • aumento do volume vendido;
  • recuperação gradual das operações internacionais;
  • diluição de custos fixos.

Na prática, a companhia está conseguindo transformar crescimento de vendas em expansão de margem — um indicador acompanhado de perto pelo mercado porque costuma ter impacto direto sobre a geração futura de caixa.

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O desafio agora é provar que a recuperação é permanente

O trimestre foi positivo, mas investidores experientes tendem a olhar além dos números.

A principal dúvida passa a ser:

a empresa conseguirá repetir esse desempenho quando o efeito da base de comparação desaparecer?

O consumo discricionário ainda enfrenta alguns obstáculos:

  • juros elevados;
  • crédito mais caro;
  • renda pressionada;
  • desaceleração do varejo em diversos segmentos.

Por isso, os próximos balanços serão importantes para mostrar se a melhora representa apenas uma recuperação cíclica ou uma mudança estrutural na rentabilidade da companhia.

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O que significa isso para quem investe em ALPA4?

Para os acionistas, o resultado reduz parte das preocupações que cercavam a empresa nos últimos anos.

Os pontos positivos incluem:

  • forte crescimento do lucro;
  • expansão consistente da margem EBITDA;
  • aumento do volume vendido;
  • melhora nas operações internacionais.

Por outro lado, continuam no radar:

  • dependência do consumo de bens não essenciais;
  • ambiente macroeconômico ainda restritivo;
  • necessidade de manter crescimento sem depender apenas de ganhos de eficiência.

Ou seja, o balanço reforça que a reestruturação operacional avança, mas a tese de investimento ainda dependerá da capacidade da empresa de sustentar esse desempenho ao longo dos próximos trimestres.

Quem ganha e quem perde

Quem pode ganhar

  • Acionistas de ALPA4, caso a expansão das margens continue.
  • A empresa, com maior geração de caixa e melhora da rentabilidade.
  • A marca Havaianas, que mostra recuperação simultânea no Brasil e no exterior.

Quem pode perder

  • Empresas concorrentes caso a Havaianas recupere participação de mercado.
  • Investidores que esperavam uma recuperação ainda mais acelerada nas operações internacionais, caso o crescimento desacelere nos próximos trimestres.

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Perguntas Frequentes

A Alpargatas voltou a crescer?

Sim. O segundo trimestre mostrou crescimento de receita, lucro, EBITDA e volume de vendas tanto no Brasil quanto no exterior.

O lucro da Alpargatas aumentou quanto?

O lucro líquido foi de R$ 170 milhões, alta de 95,1% sobre o mesmo período de 2025.

As Havaianas venderam mais?

Sim. O volume total vendido aumentou 9%, com crescimento de 8,6% no Brasil e 11,9% nas operações internacionais.

O resultado é suficiente para mudar a tese de investimento?

O balanço fortalece a percepção de recuperação operacional, mas o mercado ainda observará se as margens e o crescimento serão sustentáveis nos próximos trimestres.

O que acompanhar daqui para frente

Os próximos resultados deverão responder três perguntas centrais:

  • As margens continuarão acima de 20%?
  • O crescimento internacional seguirá acelerando?
  • A empresa conseguirá expandir receita mesmo em um cenário de consumo mais fraco?

Essas respostas serão determinantes para definir se a recuperação observada em 2026 representa apenas um ciclo favorável ou o início de uma nova fase para a Alpargatas.

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Apresentadora de podcast e redatora. Especialista em finanças pela PUC Minas
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